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UNICEF nomeia o escritor e antiga criança-soldado Ishmael Beah Defensor das Crianças Afectadas pela Guerra

Ao assinalar hoje o 18º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou ter nomeado Ishmael Beah, escritor e antiga criança-soldado, Defensor das Crianças Afectadas pela Guerra.


"Ishmael Beah fala em nome dos jovens do mundo inteiro cuja infância foi marcada pela violência, privação e outras violações do seus direitos", disse Ann M. Veneman, Directora Executiva da UNICEF, acrescentando que o novo Defensor é "um símbolo eloquente de esperança para os jovens que são vítimas da violência, bem como para todos aqueles que estão a trabalhar em prol da desmobilização e reabilitação de crianças envolvidas em situações de conflito armado".


"Quando se é uma criança-soldado, os nossos direitos estão constantemente a ser violados", disse Ishmael Beah, que foi recrutado à força no seu país, a Serra Leoa, quando tinha apenas 13 anos. Mais de dois anos depois, a UNICEF negociou com os senhores da guerra a sua libertação e a de outras crianças-soldado, colocando-os depois num programa de reabilitação.


Ishmael Beah foi, mais tarde, para Nova Iorque, concluindo os seus estudos nos Estados Unidos, tendo depois publicado as suas memórias, A Long Way Gone, um livro que a UNICEF afirma ter contribuído para uma melhor compreensão daquilo que é a vida de uma criança-soldado.


"Para muitos observadores, uma criança que não conheceu nenhuma situação a não ser a guerra, para a qual uma Kalashnikov é a única maneira de ganhar a vida e o mato a comunidade mais acolhedora de todas é uma criança que está perdida para sempre e que nunca conseguirá usufruir da paz e do desenvolvimento. Contesto esta opinião", disse Beah. "Para bem dessas crianças, é essencial provar que é possível outro tipo de vida".


O anúncio da nomeação de Ishmael Beah coincidiu com o 18º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, um tratado internacional que foi criado para ajudar a prevenir o tipo de sofrimento que ele teve de suportar.


Aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas no dia 20 de Novembro de 1989, a Convenção estabelece normas de base destinadas a contribuir para uma melhor vida para todas as crianças e é o acordo sobre direitos humanos que conta com o maior número de ratificações.


A UNICEF, que celebrou o aniversário da Convenção em Cabul, apelou ao Governo e à sociedade civil afegãos para que renovassem o compromisso assumido em relação aos seus princípios.


Num comunicado à imprensa, aquele organismo afirma terem-se registado progressos desde a queda do regime talibã em 2001: 6 milhões de crianças matricularam-se nas escolas; meio milhão de crianças passaram a beneficiar de um melhor acesso a água limpa e a estruturas de saneamento; foram ministrados cursos de alfabetização a 62 500 mulheres, o que contribuiu para o seu empoderamento; e a mortalidade infantil baixou de 165 por 1 000 nados-vivos, em 2001, para 135 por 1 000 nados-vivos, em 2006.


No entanto, a UNICEF faz notar que, no Afeganistão, duas gerações "cresceram conhecendo sobretudo o conflito, a insegurança, a deslocação e o isolamento, o que conduziu à ruptura dos mecanismos de apoio no seio das famílias, das escolas e das comunidades e à perda dos seus direitos e da sua capacidade para realizarem plenamente o seu potencial".


A UNICEF vai apoiar uma iniciativa governamental que visa o desenvolvimento de redes destinadas a promover acções em prol da protecção das crianças (Child Protection Action Networks), que já estão a funcionar em 29 províncias e ajudam a garantir os direitos da criança no Afeganistão.


"Temos o dever de assegurar que as crianças do Afeganistão usufruam do seu direito a uma vida sem violência", afirmou Catherine Mbengue, Representante da UNICEF no Afeganistão.


Entretanto, em Bagdade, a Missão de Assistência das Nações Unidas no Iraque (UNAMI), manifestou a esperança de que as crianças deste país possam ter um futuro sem violência e sem deslocações, tal como merecem.


Ao assinalar o aniversário da Convenção, a ONU emitiu um comunicado em que manifesta grande preocupação pelo facto de apenas uma em três crianças iraquianas com menos de cinco anos ter acesso a água potável. Além disso, mais de um quinto dos menores de cinco anos sofrem de hipotrofia nutricional e 4,8% de marasmo (desnutrição aguda), enquanto 7,6% têm peso insuficiente. Por outro lado, a taxa de mortalidade infantil estimada é de 35 por 1 000.


"A ONU está igualmente preocupada com o facto de, desde princípios de 2006, mais de 220 000 crianças em idade escolar terem sido deslocadas de suas casas, o que perturba o seu acesso a uma escolaridade adequada".


O Representante Especial do Secretário-Geral para o Iraque, Staffan de Mistura, observou que a ONU desempenha um papel activo em campanhas de vacinação de crianças, ajudou recentemente a combater uma epidemia de cólera e tem prestado assistência às crianças em idade escolar, fornecendo-lhes livros e outros materiais. "No entanto, é necessário que todos façamos muito mais para reduzir o stress a que estão sujeitas as crianças iraquianas e para ajudar a assegurar que cresçam em condições adequadas até se tornarem adultas, pois elas são o futuro do país".


(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 20/11/2007)


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