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04 Junho 2018 -

OMS lança, em Lisboa, Plano de Ação Global para o Exercício Físico

cirançasFoto Unicef/Giacomo Pirozzi

Com ONU News

A Organização Mundial da Saúde, OMS, lança esta segunda-feira em Lisboa, o Plano de Ação Global para o Exercício Físico. A iniciativa quer promover o uso de exercício por pessoas de todas as idades e em todos os países.

O lançamento será feito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, numa cerimónia que conta com a participação do primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e o presidente da Federação Nacional de Futebol, Fernando Gomes.

Também nesta segunda-feira, antes do lançamento, ocorre uma conferência com o tema “Pensa Global, Atua local – Promovendo a Atividade Física nos Municípios Através da Marcha e do Ciclismo”.

Este novo plano foi aprovado pelo Assembleia Mundial da Saúde a 24 de maio deste ano, em Genebra, na Suíça. De acordo com a OMS, a iniciativa “oferece aos países uma lista de ações prioritárias, para resolver vários fatores culturais, ambientais, e individuais que influenciam o sedentarismo”.    Estas ações estão ligadas a quatro grandes objetivos, que se centram em criar sociedades e ambientes ativos. A principal meta do plano é reduzir a taxa de falta de atividade física entre adolescentes e adultos em 15% até 2030.

Segundo a OMS, um em cada cinco adultos e quatro em cada cinco adolescentes não se exercitam de forma suficiente.

Mulheres, idosos e pessoas com rendimentos mais baixos são os grupos que menos fazem exercício físico. Este também é o caso de pessoas com doenças crónicas, deficiências e povos indígenas.

A agência da ONU diz que “os custos financeiros são enormes”. Em todo o mundo, a inatividade física custa cerca de 54 mil milhões de dólares em gastos diretos com cuidados de saúde, deste valor, 57% é suportado pelo setor público. Outros 14 mil milhões devem-se à perda de produtividade.

A atividade física regular é fundamental para prevenir e tratar doenças do coração, acidentes vasculares encefálicos, diabetes e cancro de mama e do colón. Estes tipos de doenças crónicas são responsáveis por 71% de todas as mortes anuais, incluindo a morte de 15 milhões de pessoas com menos de 70 anos.

ONU adota reformas sobre sistema de desenvolvimento

CS Giuterres

Com ONU News

A Assembleia Geral aprovou, por consenso, uma resolução sobre uma série de reformas do Sistema de Desenvolvimento das Nações Unidas. De acordo com a organização, a meta da decisão adotada esta quinta-feira  é  alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, adotados há três anos. Durante esta sessão, o Secretário-Geral, António Guterres, afirmou que a adoção dá sentido prático à promessa de se avançar com a implementação destes objetivos.

Segundo o líder da ONU, a resolução aprovada abre o caminho para a transformação mais ambiciosa e abrangente do Sistema de Desenvolvimento da ONU em décadas. Guterres disse ainda que o documento estabelece as fundações para reposicionar o desenvolvimento sustentável no centro das Nações Unidas.

Guterres destacou ainda a presença de 129 coordenadores residentes das Nações Unidas que operam em 165 países e que passarão a ter  maior imparcialidade e mais poder nas suas funções para alcançar as metas globais.  

Por outro lado, a vice-secretária-geral, Amina Mohammed, declarou que  esta reforma pretende “não deixar ninguém para trás”, definir os alvos por país e direcionar investimentos garantindo que estas são parte desse desenvolvimento..

O plano de implementação da reforma deverá ser anunciado durante a 72ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em setembro próximo.

 

Major-General Raul Luís Cunha: “Um dos melhores momentos de uma carreira militar passa por poder servir como Capacete Azul”

Peace Day 06 Kosovo 021

BI

  • Nome: Raul Luís Cunha
  • Carreira: Major-General do Exército, juiz militar
  • Outras funções: Conselheiro Militar do Representante Especial do Secretário-Geral da ONU no Kosovo (2005-2009)
  • Formação: Mestrado em Ciências Militares pela Academia Militar. Doutorando em História e Estudos de Segurança e Defesa no ISCTE-IUL.
  • Línguas: português, inglês, francês, italiano, espanhol e um pouco de croata
  • Naturalidade: Maputo, Moçambique

No âmbito da comemoração dos 70 anos da criação dos Capacetes Azuis, que se assinala a 29 de maio de 2018, o Major-General Raul Luís Cunha partilha com a ONU Portugal a sua experiência enquanto Capacete Azul na Missão da ONU no Kosovo e sobre a importância das missões de paz. Raul Luís Cunha foi Conselheiro Militar do Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para o Kosovo, liderando cerca de 50 observadores de 26 nacionalidades diferentes entre 2005 e 2009. Atualmente reformado, o Major-General, que foi também juiz militar, dedica-se agora a um doutoramento em História e Estudos de Segurança e Defesa no ISCTE, em Lisboa. Em 2009, publicou um artigo na Revista Militar, intitulado “A Situação no Kosovo e as suas perspetivas.”

Comemoram-se este ano 70 anos desde a criação dos Capacetes Azuis, as forças de manutenção de paz da ONU. Como vê a atuação deste instrumento nos últimos anos?

As forças de manutenção de paz têm sido fundamentais para a preservação da paz e de segurança em áreas problemáticas. Têm sido igualmente essenciais para conseguir garantir a estabilização dessas regiões e melhorar as condições de vida das populações locais.

Enquanto Conselheiro Militar do Representante Especial do Secretário-Geral da ONU no Kosovo, quais eram as suas principais responsabilidades e que tipo de competências ganhou?

Neste período, eu fui o elo de ligação entre a força militar, que era da OTAN [Organização do Tratado Atlântico Norte, ou NATO] e a parte civil da missão, responsabilidade da UNMIK [a Missão de Administração Interina das Nações Unidas no Kosovo] que compreende a administração central, a parte ligada à justiça e a polícia – que agora está sob a alçada da União Europeia, mas que na altura era responsabilidade das Nações Unidas. Assim, os oficiais de ligação militares que eu chefiava faziam a ponte entre a força militar e as restantes instituições. A sua atuação era fundamental para manter o Representante Especial informado sobre todas as eventuais situações problemáticas.

E, neste período, quais foram as experiências que mais o marcaram?

Fundamentalmente, foi a importância que teve a presença das Nações Unidas. De certa maneira, custou-me quando a situação evoluiu como evoluiu sem ter em conta na íntegra a resolução 1244 do Conselho de Segurança, o que acabou por iniciar uma situação que, ainda hoje, continua indefinida em algumas áreas do território. No entanto, continuo a considerar que a presença das Nações Unidas foi fundamental para a estabilização naquela região.

Como é trabalhar no terreno num ambiente de pós-conflito?

Naquele contexto, contava com a presença da NATO cujo trabalho passava por manter o mínimo de segurança. Em relação ao trabalho das Nações Unidas, este foi fundamental para reerguer todas as instituições, para pôr a funcionar a administração central e para garantir que a força policial – que foi formada localmente – tinha condições para trabalhar, e que tinha sido bem aconselhada e treinada. Por outro lado, no que toca aos oficiais de ligação militares, foi sempre possível manter o Representante Especial a par de todas as situações menos satisfatórias e prevenir a ocorrência de alguns distúrbios.

Que impacto sentiu na vida dos civis no Kosovo?

Isso nota-se posteriormente, agora. O país tornou-se independente e evoluiu de forma positiva, sem dúvida alguma. E isso deve-se à atuação das Nações Unidas no terreno.

O Major-General é um dos raros oficiais que possui as três qualificações especiais do exército: ranger, comando e paraquedista. Que conselho daria a todos os que nos estão a ler e que querem enveredar por uma carreira nas Forças Armadas, possivelmente servindo como Capacetes Azuis um dia?

Considero que um dos melhores momentos de uma carreira militar passa por poder servir como Capacete Azul. O facto de as pessoas encararem os militares como instrumentos de guerra, faz com que oportunidades em que eles possam servir como instrumentos de paz sejam extremamente recompensantes em termos pessoais. Portanto, penso que enveredar por uma carreira militar, tendo esta perspetiva que um dia se poderá atuar como uma força que é garantia de paz, segurança e bem-estar às populações, é sempre muito positivo.

Quais são, na sua opinião, os grandes desafios que a ONU enfrenta no futuro próximo no que toca a missões de paz? De que forma poderá a sociedade civil, nomeadamente os cidadãos, contribuir para esses mesmos desafios?

O cidadão deve encarar a existência das Nações Unidas como a entidade que pode, na realidade, resolver os conflitos e trazer mais estabilidade ao nível global. Em termos da evolução e do impacto que as missões têm tido, não tenho dúvidas que a ONU, com a reorganização interna que sofreu a partir de 2008, começou a ter mais e melhores capacidades para atuar no terreno. Portanto, eu penso que as pessoas têm que encarar este instrumento das Nações Unidas como fundamental para manutenção da paz e da estabilidade ao nível mundial.

Gostaria ainda de acrescentar o seguinte, em jeito de conclusão: para mim, os três anos que trabalhei para as Nações Unidas, foram um período extremamente recompensante. Continuo a considerar que a ONU é mais capaz e, se calhar, até melhor para lidar com as situações de conflito, do que inclusive algumas organizações regionais. É necessário continuar a articular todos os instrumentos e continuar a apostar na manutenção de paz multidimensional, em que todos os pormenores que levam ao eclodir de situações de instabilidade são resolvidos em simultâneo e em todas as vertentes. Daí a importância da multidimensionalidade das missões: social, económica e militar, entre outras, todas devem ser resolvidas em simultâneo.

Secretário-Geral das Nações Unidas lança nova Agenda de Desarmamento para “garantir o nosso mundo e o nosso futuro”

24 05 2018 SG GenevaUniv speech

Foto ONU / Jean-Marc Ferre - O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, no lançamento da Agenda para o Desarmamento, em Genebra, Suíça.

O Secretário- Geral das Nações Unidas anuncia uma nova visão para o desarmamento global que visa ajudar a eliminar os arsenais nucleares e outras armas mortais de um mundo que está apenas a "um erro mecânico, eletrónico e humano de distância" da destruição.

“As Nações Unidas foram criadas com o objetivo de eliminar a guerra como instrumento de política externa”, afirmou o Secretário-Geral, António Guterres, divulgando as prioridades da sua nova agenda, intitulada “Proteger o Nosso Futuro Comum”, na Universidade de Genebra, na Suíça.

O lançamento acontece num momento em que "o controlo de armas tem aparecido nas notícias todos os dias, às vezes em relação ao Irão e à Síria, outras vezes em relação à Península coreana", afirmou o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A nova Agenda identifica um conjunto de medidas práticas sobre o controlo, e nalguns casos a eliminação, das armas de destruição em massa, das armas convencionais e das futuras tecnologias de armas. Isto através do estabelecimento de três prioridades de ação: o desarmamento para salvar a humanidade, o desarmamento que salva vidas e o desarmamento para as futuras gerações.

Durante o seu discurso, António Guterres, afirmou que o desarmamento de armas nucleares, químicas e biológicas pode "salvar a humanidade", referindo que cerca de 15 mil armas nucleares continuam armazenadas e que centenas estão prontas para serem utilizadas em qualquer momento.

A existência de armas nucleares representa uma ameaça contínua para o Mundo e só será eliminada através de um diálogo revigorado e responsável levado a cabo, principalmente, pelos Estados que possuem este tipo de armamento. A esse respeito, o Secretário-Geral apelou à Rússia e aos Estados Unidos uma resposta concertada na disputa existente sobre o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio; no prolongamento do Tratado de Redução de Armas Estratégicas sobre o uso de armas estratégicas ofensivas; e na redução das atuais bases nucleares.

Durante o discurso, António Guterres deixou ainda claro que o desarmamento de armas convencionais, que incluem armas de pequeno porte e minas terrestres, pode “salvar vidas”, em particular a vida dos civis, que continuam a ser as principais vítimas nos conflitos armados. No final de 2016, mais de 65 milhões de pessoas foram desalojadas devido a guerra, a violência e a perseguição.

“A minha iniciativa terá como base a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” disse António Guterres, chamando atenção para o facto de que o gasto excessivo em armas diminui substancialmente os recursos que deveriam ser canalizados para o desenvolvimento sustentável. Na verdade, mais de 1,7 biliões de dólares foram despendidos no ano passado em armas e em exércitos – o gasto mais elevado desde a queda do Muro de Berlim, o que corresponde a cerca de 80 vezes mais do que montante necessário para atender às necessidades de ajuda humanitária em todo mundo.

Quanto ao futuro, o Secretário-Geral referiu que as novas tecnologias, quando usadas inapropriadamente, podem dar início a u​​ma nova corrida ao armamento, colocando em risco a segurança das futuras gerações.

O desarmamento – incluindo o controlo de armas, a não-proliferação, as proibições e restrições, a construção de confiança e, quando necessário, a eliminação - é “uma ferramenta essencial para proteger nosso mundo e nosso futuro”, afirmou António Guterres. "O paradoxo é que quando cada país persegue sua própria segurança sem considerar os outros, criamos uma insegurança global que ameaça todos nós" -acrescentou.

“Não há plano B”: Fórum das Nações Unidas Sobre a Questão da Palestina

Jerusalem
Foto ONU: Rick Bajornas

Dias 17 e 18 de maio teve lugar o Fórum das Nações Unidas sobre a Questão da Palestina, sob o tema “70 anos após 1948 – Lições sobre Como Alcançar uma Paz Sustentável.” Palestinianos, israelitas, especialistas internacionais e representantes da comunidade diplomática e da sociedade civil reuniram-se em Nova Iorque para sublinhar a importância de discutir as consequências da Guerra de 1948, especialmente o deslocamento em massa de palestinianos.

Organizado pelo Comité sobre o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestiniano (CEIRPP), este fórum acontece num ano em que se comemoram 70 anos da Guerra de 1948, que resultou na migração interna de milhares de palestinianos – um evento conhecido em árabe como Al-Nakba (a Catástrofe).

O CEIRPP foi criado em 1975, com o propósito de aconselhar a Assembleia Geral no que toca a programas que ajudem o povo palestiniano a exercer os seus direitos inalienáveis, como o direito à autodeterminação sem interferência externa, o direito à independência nacional e à soberania, e o direito deste povo de regressar às suas casas e propriedades, de onde foi retirado contra a sua vontade.

Este Fórum, e os assuntos no seu âmbito discutidos, são especialmente pertinentes na sequência de uma semana em que se assistiu novamente a confrontos violentos na Faixa de Gaza. António Guterres, secretário-geral da ONU, reiterou durante a sua visita a Bruxelas que a solução para este conflito continua a passar por uma “solução de dois estados que permita que palestinianos e israelitas vivam juntos em paz e segurança”, mantendo a posição já defendida em fevereiro, quando afirmou no Conselho de Segurança que “não há plano B”.

A subida de tom dos confrontos aconteceu a semana passada devido à abertura oficial da embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Jerusalém, cidade reconhecida pelos EUA como a capital de Israel desde dezembro, em linha com o que é defendido por Israel há décadas. No entanto, esta decisão por parte dos EUA vem contrariar a narrativa defendida pela ONU: o não-reconhecimento de Jerusalém como uma cidade unificada, já que a parte oriental deveria ser a capital da Palestina. Ocupada por Israel em 1967, esta parte da cidade permanece um assunto controverso, já que a ocupação não foi reconhecida pela comunidade internacional e é altamente contestada pela comunidade palestiniana.

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