Domingo, 18 Novembro 2018
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Centenário do Aniversário de Nelson Mandela

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O Dia Internacional de Nelson Mandela, este ano, marca o centenário do nascimento de Nelson Mandela (18 de julho de 1918) e a sua comemoração visa refletir sobre a vida e o legado do líder africano, atendendo ao seu apelo de “tornar o mundo um lugar melhor”.

Ativista, advogado, político, Nelson Mandela dedicou a sua vida ao serviço da humanidade enquanto prisioneiro de consciência, defensor dos direitos humanos, mediador internacional da paz e como primeiro presidente negro eleito democraticamente na África da Sul, após a sua luta pacífica contra o regime de “apartheid” no país.

100 anos após o seu nascimento, o exemplo de coragem e de compaixão, o seu compromisso com a justiça social e com a promoção de uma cultura de liberdade e paz para todos continuam a inspirar o mundo. Este ano, a Fundação que leva o seu nome, dedica o Dia Internacional à Ação contra a Pobreza, homenageando Madiba (como também era chamado) pela sua liderança e devoção no combate a pobreza e na promoção da justiça.

Distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1993, Nelson Mandela fez também da promoção da igualdade de género, dos direitos das crianças e de outros grupos vulneráveis algumas das suas maiores preocupações, chegando a afirmar que todos têm o direito à dignidade e a uma vida decente.

Para homenagear Nelson Mandela, a Assembleia-Geral da ONU proclamou o dia 18 de julho como o Dia Internacional Nelson Mandela, em 2009, em reconhecimento ao seu legado e contributo, dedicando o dia ao serviço público.

Guterres cita “relatos inimagináveis” de violência após visita a rohingyas

guFoto ONU

Com ONU News

O secretário-geral das Nações Unidas esteve esta segunda-feira ao distrito de Cox's Bazar, no Bangladesh, onde após contactar com refugiados rohingya afirmou que “nada o poderia preparar para a dimensão da crise e extensão do sofrimento.”

António Guterres destaca ter acompanhado relatos dolorosos de refugiados rohingya que o marcarão para sempre. O líder da ONU apela à comunidade internacional que “aumente o seu apoio”.

O chefe da ONU realizou a visita com o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim e com altos funcionários da Organização. A instituição financeira anunciou que vai atribuir 500 milhões de dólares em subsídios para ajudar as autoridades de Bangladesh a atender às necessidades dos refugiados rohingya.

Guterres falou depois a jornalistas, em Daca, e considerou “terrível ter observado mais de 900 mil pessoas a viverem em circunstâncias aterradoras”. Para o secretário-geral, a solidariedade da comunidade internacional ainda não +e suficiente para apoiar aos rohingyas no Bangladesh. Os doadores contribuíram com 26% dos cerca dos mil milhões de dólares prometidos para assistência.

Guterres expressou “extrema gratidão” ao presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, por ter mobilizado a instituição, da qual disse esperar uma “contribuição extremamente importante” para os refugiados rohingya e para as comunidades locais.

Em Cox’s Bazar, os dois representantes acompanharam relatos em primeira mão sobre a violência contra os refugiados que descreveram o ambiente de medo gerado pelos ataques militares nas suas aldeias em Mianmar. Um homem explicou como as mulheres de sua família foram violadas e mortas enquanto este estava escondido na floresta. Outros falaram da limitação da liberdade de movimentos e da falta de acesso a serviços básicos.   

De acordo com o Banco Mundial, as áreas prioritárias serão saúde, educação, água e saneamento, gestão de risco de desastres e proteção social.

O distrito fronteiriço de Cox's Bazar acolheu mais de 700 mil rohingyas que deixaram o seu país desde agosto do ano passado por causa da violência no Mianmar. No país já viviam mais de 200 mil refugiados desta minoria étnica devido a crises ocorridas no passado.

O local tornou-se o maior campo de refugiados do mundo e enfrenta pressões em áreas como meio ambiente, infraestruturas e serviços sociais. A área é afetada por fortes chuvas de monção, que aumentaram o risco de inundações e de deslizamentos de terra.

Agentes da polícia portuguesa juntam-se à UNMISS

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Oito polícias das Nações Unidas de Portugal, quatro mulheres e quatro homens, aderiram recentemente à Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul para um destacamento de um ano. Os recém-chegados são os primeiros agentes policiais portugueses a servir no país.

“Estamos entusiasmados por estar aqui para ajudar a cumprir o mandato. Nós temos muita experiência, somos de diferentes origens e queremos ajudar a ONU e as pessoas no sul do Sudão. Estamos empolgados, muito animados por estar aqui .”, diz Graça Maria Branco Carvalho, diretora do grupo.

Os agentes estão preparados para trabalhar em condições difíceis para ajudar a trazer a paz ao jovem país da África Oriental, que vai já no seu quinto ano de guerra civil.

Os oficiais portugueses estarão baseados na capital Juba, bem como na parte norte do país, mais especificamente em Bentiu e Malakal, onde mais de 130 mil deslocados internos do Sudão do Sul procuraram a proteção da ONU.

“Com o novo mandato, estamos agora a trabalhar em estreita colaboração com o SSNPS [Serviço Nacional de Polícia do Sudão do Sul] para fornecer a assistência técnica e o aconselhamento necessários.”, disse o comissário de polícia da UNMISS, Unaisi Bolatolu-Vuniwaga.

Conferência Inédita de Alto-Nível sobre Contraterrorismo

Secretário-Geral da ONU, António Guterres

António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, organiza, entre 28 e 29 de junho, a 1ª Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Contraterrorismo em Nova Iorque. Os diretores das agências nacionais de contraterrorismo, os seus parceiros internacionais e diversos representantes da sociedade civil reúnem-se com o objetivo de melhorar a cooperação internacional e a partilha de informação, afim de encontrar soluções práticas no combate ao terrorismo.

O terrorismo é uma ameaça global, persistente e em contante evolução, com um impacto económico global estimado em mais de 77 mil milhões de euros. Por isso, a resposta dos Estados deve ser ágil, adaptada e multifacetada, de maneira a poder lidar com os desafios que o terrorismo apresenta. O combate ao mesmo deve ser concertado aos níveis global, regional e nacional, tendo em conta os direitos humanos universais e o direito internacional.

Atualmente, a maioria dos novos recrutas para organizações terroristas tem entre 17 e 27 anos. Por isto, é essencial que se ganhe a confiança dos jovens vulneráveis às suas mensagens, analisando as condições que os tornam suscetíveis a ideologias tóxicas. Apenas assim se poderá reverter a polarização, a xenofobia e os discursos de ódio que proliferam por todo o mundo e que são usados como isco para as camadas mais desprotegidas da sociedade. Ao construir um mundo de paz e segurança, dignidade e oportunidades para todos os povos, os grupos extremistas serão privados do combustível que usam para perpetuar as suas ideologias de ódio.

Porque é que a ONU convocou uma conferência antiterrorista?

O Secretário-Geral convocou a primeira Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Contraterrorismo para melhorar a cooperação internacional e a partilha de informações, e construir novas parcerias que possam encontrar soluções práticas para a ameaça do terrorismo.

Quem são os participantes desta Conferência?

Representantes de alto nível das agências antiterrorismo, policiais, diplomáticas, de segurança e de inteligência de 149 Estados membros, 30 organizações internacionais e regionais, 61 organizações da sociedade civil e 31 entidades da ONU.

Qual é o papel da ONU no combate ao terrorismo?

O terrorismo é um dos maiores desafios do nosso tempo. Nenhum país está imune a essa ameaça e nenhum país pode enfrentar esse desafio sozinho. Os Estados-Membros têm a responsabilidade de abordar o terrorismo e o extremismo violento em conformidade com o direito internacional e as suas obrigações em matéria de direitos humanos. Neste contexto, a ONU fornece assistência técnica nas mais diversas áreas: Segurança da Aviação; Gestão de Segurança Fronteiriça; Combate ao financiamento do terrorismo; Prevenção do Extremismo Violento; Direitos humanos; Apoio Internacional às Vítimas; Justiça e Prevenção da Radicalização nas Prisões, entre outras.

Como as Nações Unidas coordenam o seu trabalho sobre contraterrorismo?

O Secretário-Geral fez do combate ao terrorismo uma de suas principais prioridades. Em fevereiro, foi assinado um Acordo de Coordenação Global contra o Terrorismo com o objetivo de promover uma abordagem comum para combater o terrorismo e estabelecer uma estratégia conjunta de mobilização de recursos e de sensibilização com os estados-membros. O Secretário-Geral também criou também um novo Escritório da ONU Contra o Terrorismo para liderar e melhorar a coordenação e o apoio aos Estados-Membros.

Por que estão a ter lugar tantos  eventos esta semana sobre o contraterrorismo?

Vinte e cinco eventos paralelos à Conferência de Alto Nível sobre Contraterrorismo estão a ter lugar esta semana para permitir discussões aprofundadas entre os Estados-Membros, entidades da ONU e organizações da sociedade civil sobre diferentes tópicos, tais como o combate ao financiamento do terrorismo, acesso legal a dados digitais, combate ao extremismo violento por meio de comunicações, entre outros.

Maria Sousa: “Acreditem nas vossas ideias e lutem pela sua implementação”

 Young Champions of the Earth logo

Nome: Maria Sousa

Função: investigadora bolseira no Centro de Sistemas Inteligentes do Instituto de Engenharia Mecânica (IDMEC) e aluna de doutoramento em Engenharia Mecânica

Formação: Mestrado em Engenharia Mecânica

Línguas: português, inglês e espanhol

Naturalidade: Portuguesa

 

Enquanto estudante e investigadora de Engenharia Mecânica, os interesses de Maria Sousa prendem-se com a robótica e os sistemas inteligentes, procurando, com o seu trabalho, desenvolver soluções que contribuam para um futuro mais sustentável. No concurso Young Champions of the Earth, onde é a única portuguesa finalista, Maria Sousa propõe a implementação de uma rede inteligente de sensores para deteção de fogos em zonas rurais, que transmite informação em tempo-real e que permite a avaliação de mudanças no meio ambiente.

Este concurso tem como objetivo distinguir jovens com potencial e ideias para mudar o nosso mundo. Os vencedores receberão financiamento, terão acesso a programas de capacitação personalizados e ajuda de mentores internacionais. À ONU Portugal, Maria Sousa explica o seu projeto, a importância destas iniciativas e a participação dos jovens para um futuro melhor.


finalista Maria Sousa

Como tomou conhecimento e o que a levou a concorrer ao concurso “Young Champions of the Earth”?

Eu tive conhecimento do concurso em março através do website oficial e pareceu-me uma excelente oportunidade, dado o tema em que tenho vindo a trabalhar. Foi também uma oportunidade para começar um projeto com uma projeção um pouco maior. Como preenchia todos os requisitos do concurso – mais de seis meses a trabalhar no projeto – candidatei-me e fui uma das selecionadas.

O seu projeto prevê a implementação de uma rede inteligente de sensores para deteção de fogos em zonas rurais e a avaliação de mudanças no meio ambiente. Quais as razões que a inspiraram a escolher este tema?

Durante a minha tese de mestrado, realizei um trabalho no âmbito da segurança contra incêndios em parques de campismo e caravanismo e comecei então a fazer monitorização, para assegurar a segurança das pessoas. Aí, trabalhei com alguns tipos de sensores. Neste momento, o que queremos incorporar é a mobilidade das plataformas [através de drones] e sensores estáticos, uma vez que as áreas a cobrir são muito maiores. Este é um tema especialmente pertinente dado os acontecimentos do ano passado. Tem-se sentido uma maior preocupação com estas problemáticas. Inclusive em 2016, houve uma evacuação de um parque de campismo, no festival Andanças. Mas claro que o ano passado o problema foi maior, com regiões inteiras devastadas pelos incêndios.

Quais os maiores desafios de implementação de um projeto como este?

Nesta fase, ainda lidamos com outros desafios. De momento, prendem-se com a construção do sistema. Essa é a parte em que me foco mais. Eventualmente, teremos dificuldades de implementação, mas até lá chegarmos, ainda há muitos testes a fazer, para validação de algoritmos.

Que papel devem ter os jovens na promoção de um mundo melhor? Considera este género de iniciativas, como o concurso em que é finalista, pertinentes?

Considero bastante pertinente. Devido à minha iniciativa, tenho sentido que inspirei muitos colegas e amigos, que têm ideias com foco no meio ambiente, a candidatarem-se para o ano ao mesmo concurso. Existem muitos jovens com ideias para projetos nesta área.

O que aconselha aos jovens que querem fazer a diferença e contribuir para um futuro mais sustentável?

O meu maior conselho é que acreditem nas suas ideias e que lutem pela sua implementação. Hoje em dia, existem muitas oportunidades e a fase em que estamos na nossa vida dá-nos muita liberdade de escolha, em relação ao que nos podemos dedicar.

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