Quinta, 13 Dezembro 2018
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Maria Sousa: “Acreditem nas vossas ideias e lutem pela sua implementação”

 Young Champions of the Earth logo

Nome: Maria Sousa

Função: investigadora bolseira no Centro de Sistemas Inteligentes do Instituto de Engenharia Mecânica (IDMEC) e aluna de doutoramento em Engenharia Mecânica

Formação: Mestrado em Engenharia Mecânica

Línguas: português, inglês e espanhol

Naturalidade: Portuguesa

 

Enquanto estudante e investigadora de Engenharia Mecânica, os interesses de Maria Sousa prendem-se com a robótica e os sistemas inteligentes, procurando, com o seu trabalho, desenvolver soluções que contribuam para um futuro mais sustentável. No concurso Young Champions of the Earth, onde é a única portuguesa finalista, Maria Sousa propõe a implementação de uma rede inteligente de sensores para deteção de fogos em zonas rurais, que transmite informação em tempo-real e que permite a avaliação de mudanças no meio ambiente.

Este concurso tem como objetivo distinguir jovens com potencial e ideias para mudar o nosso mundo. Os vencedores receberão financiamento, terão acesso a programas de capacitação personalizados e ajuda de mentores internacionais. À ONU Portugal, Maria Sousa explica o seu projeto, a importância destas iniciativas e a participação dos jovens para um futuro melhor.


finalista Maria Sousa

Como tomou conhecimento e o que a levou a concorrer ao concurso “Young Champions of the Earth”?

Eu tive conhecimento do concurso em março através do website oficial e pareceu-me uma excelente oportunidade, dado o tema em que tenho vindo a trabalhar. Foi também uma oportunidade para começar um projeto com uma projeção um pouco maior. Como preenchia todos os requisitos do concurso – mais de seis meses a trabalhar no projeto – candidatei-me e fui uma das selecionadas.

O seu projeto prevê a implementação de uma rede inteligente de sensores para deteção de fogos em zonas rurais e a avaliação de mudanças no meio ambiente. Quais as razões que a inspiraram a escolher este tema?

Durante a minha tese de mestrado, realizei um trabalho no âmbito da segurança contra incêndios em parques de campismo e caravanismo e comecei então a fazer monitorização, para assegurar a segurança das pessoas. Aí, trabalhei com alguns tipos de sensores. Neste momento, o que queremos incorporar é a mobilidade das plataformas [através de drones] e sensores estáticos, uma vez que as áreas a cobrir são muito maiores. Este é um tema especialmente pertinente dado os acontecimentos do ano passado. Tem-se sentido uma maior preocupação com estas problemáticas. Inclusive em 2016, houve uma evacuação de um parque de campismo, no festival Andanças. Mas claro que o ano passado o problema foi maior, com regiões inteiras devastadas pelos incêndios.

Quais os maiores desafios de implementação de um projeto como este?

Nesta fase, ainda lidamos com outros desafios. De momento, prendem-se com a construção do sistema. Essa é a parte em que me foco mais. Eventualmente, teremos dificuldades de implementação, mas até lá chegarmos, ainda há muitos testes a fazer, para validação de algoritmos.

Que papel devem ter os jovens na promoção de um mundo melhor? Considera este género de iniciativas, como o concurso em que é finalista, pertinentes?

Considero bastante pertinente. Devido à minha iniciativa, tenho sentido que inspirei muitos colegas e amigos, que têm ideias com foco no meio ambiente, a candidatarem-se para o ano ao mesmo concurso. Existem muitos jovens com ideias para projetos nesta área.

O que aconselha aos jovens que querem fazer a diferença e contribuir para um futuro mais sustentável?

O meu maior conselho é que acreditem nas suas ideias e que lutem pela sua implementação. Hoje em dia, existem muitas oportunidades e a fase em que estamos na nossa vida dá-nos muita liberdade de escolha, em relação ao que nos podemos dedicar.