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Secretário-Geral das Nações Unidas lança nova Agenda de Desarmamento para “garantir o nosso mundo e o nosso futuro”

24 05 2018 SG GenevaUniv speech

Foto ONU / Jean-Marc Ferre - O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, no lançamento da Agenda para o Desarmamento, em Genebra, Suíça.

O Secretário- Geral das Nações Unidas anuncia uma nova visão para o desarmamento global que visa ajudar a eliminar os arsenais nucleares e outras armas mortais de um mundo que está apenas a "um erro mecânico, eletrónico e humano de distância" da destruição.

“As Nações Unidas foram criadas com o objetivo de eliminar a guerra como instrumento de política externa”, afirmou o Secretário-Geral, António Guterres, divulgando as prioridades da sua nova agenda, intitulada “Proteger o Nosso Futuro Comum”, na Universidade de Genebra, na Suíça.

O lançamento acontece num momento em que "o controlo de armas tem aparecido nas notícias todos os dias, às vezes em relação ao Irão e à Síria, outras vezes em relação à Península coreana", afirmou o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A nova Agenda identifica um conjunto de medidas práticas sobre o controlo, e nalguns casos a eliminação, das armas de destruição em massa, das armas convencionais e das futuras tecnologias de armas. Isto através do estabelecimento de três prioridades de ação: o desarmamento para salvar a humanidade, o desarmamento que salva vidas e o desarmamento para as futuras gerações.

Durante o seu discurso, António Guterres, afirmou que o desarmamento de armas nucleares, químicas e biológicas pode "salvar a humanidade", referindo que cerca de 15 mil armas nucleares continuam armazenadas e que centenas estão prontas para serem utilizadas em qualquer momento.

A existência de armas nucleares representa uma ameaça contínua para o Mundo e só será eliminada através de um diálogo revigorado e responsável levado a cabo, principalmente, pelos Estados que possuem este tipo de armamento. A esse respeito, o Secretário-Geral apelou à Rússia e aos Estados Unidos uma resposta concertada na disputa existente sobre o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio; no prolongamento do Tratado de Redução de Armas Estratégicas sobre o uso de armas estratégicas ofensivas; e na redução das atuais bases nucleares.

Durante o discurso, António Guterres deixou ainda claro que o desarmamento de armas convencionais, que incluem armas de pequeno porte e minas terrestres, pode “salvar vidas”, em particular a vida dos civis, que continuam a ser as principais vítimas nos conflitos armados. No final de 2016, mais de 65 milhões de pessoas foram desalojadas devido a guerra, a violência e a perseguição.

“A minha iniciativa terá como base a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável” disse António Guterres, chamando atenção para o facto de que o gasto excessivo em armas diminui substancialmente os recursos que deveriam ser canalizados para o desenvolvimento sustentável. Na verdade, mais de 1,7 biliões de dólares foram despendidos no ano passado em armas e em exércitos – o gasto mais elevado desde a queda do Muro de Berlim, o que corresponde a cerca de 80 vezes mais do que montante necessário para atender às necessidades de ajuda humanitária em todo mundo.

Quanto ao futuro, o Secretário-Geral referiu que as novas tecnologias, quando usadas inapropriadamente, podem dar início a u​​ma nova corrida ao armamento, colocando em risco a segurança das futuras gerações.

O desarmamento – incluindo o controlo de armas, a não-proliferação, as proibições e restrições, a construção de confiança e, quando necessário, a eliminação - é “uma ferramenta essencial para proteger nosso mundo e nosso futuro”, afirmou António Guterres. "O paradoxo é que quando cada país persegue sua própria segurança sem considerar os outros, criamos uma insegurança global que ameaça todos nós" -acrescentou.