Quarta, 26 Setembro 2018
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Apelo em Bruxelas para um aumento de financiamento da UNRWA

siriuaA ONG Save the Children montou uma sala de aula bombardeada em Bruxelas para lembrar os líderes mundiais da realidade de muitas crianças na Síria. 

UNRWA relembra a situação dos refugiados palestinianos, no contexto da Conferência sobre a Assistência ao Futuro da Síria

Dias 24 e 25 de abril de 2018 terá lugar em Bruxelas a segunda Conferência sobre a Assistência ao Futuro da Síria e da região, coorganizada pela União Europeia (UE) e pela Organização das Nações Unidas (ONU). Durantes dois dias, organizações não-governamentais (ONGs) e Estados irão debater as necessidades associadas à região, traduzidas em recomendações operacionais concretas, num momento em que o conflito sírio entra no seu oitavo ano consecutivo. Com o crescente número de pessoas a precisar de assistência humanitária, esta conferência pretende mobilizar vontade política e proporcionar uma oportunidade para arrecadar mais contribuições financeiras.

Um dos participantes de alto-nível nesta conferência trata-se do Comissário-Geral da UNRWA, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente, e Subsecretário-Geral da ONU, Pierre Krähenbühl. Antes da guerra, encontravam-se em território sírio 500 mil refugiados palestinianos, que atualmente se posicionam entre os mais afetados pela guerra, numa situação de alta vulnerabilidade. Estes refugiados, devido ao seu estatuto legal pouco preciso, dependem fortemente do apoio da UNRWA, já que nos países de acolhimento vivem em situações precárias, sendo marginalizados e dispondo de parcos mecanismos de proteção. Criada em 1948, esta agência atua em campos de refugiados palestinianos em vários países, nas áreas de educação, cuidados de saúde, assistência social, melhoria de infraestruturas e microfinanciamento.

No entanto, a UNRWA está a passar por um dos seus piores períodos financeiros, desde o anúncio de um corte de financiamento em 300 milhões de dólares por parte dos Estados Unidos da América (EUA), o seu maior doador. A Agência depara-se de momento com uma procura crescente de serviços devido às consequências humanitárias da guerra síria, pelo que este corte afeta diretamente o trabalho efetuado no terreno. Como os seus fundos são quase inteiramente financiados por doações voluntárias, esta agência, e os refugiados que ajuda, estão inteiramente dependentes da vontade política dos estados e diferentes ONGs. Em 2016, os seus maiores dadores eram os Estados Unidos da América (360 milhões de dólares), a Arábia Saudita (140 milhões de dólares) e a Alemanha (73 milhões de dólares). Portugal contribuiu com 20 mil dólares.

De maneira a enfrentar este desafio, foi feito um apelo para que os diferentes doadores adiantassem as suas ofertas, e diversos estados, tais como a Turquia, a França e o Qatar, entre outros, já responderam generosamente. De facto, apenas com um aumento das doações será possível manter o apoio a esta faixa da população residente na Síria.

Segundo Pierre Krähenbühl, um exemplo do excelente trabalho feito no terreno e das consequências de falta de fundos é o das escolas em funcionamento em Dera’a. Estes estabelecimentos de ensino representam a perseverança indispensável em tempo de guerra, tanto do lado dos professores – que arriscam as suas vidas para chegar às suas salas de aula – como dos estudantes. Sem fundos suficientes, não se poderá pagar aos professores, e uma geração palestiniana inteira refugiada no sul da Síria será privada de educação.

Saiba mais sobre esta conferência aqui, e sobre o trabalho da UNRWA aqui.