Quarta, 19 Setembro 2018
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Síria: Guterres pede moderação e diz que solução não é militar, mas política

CS GiuterresFoto ONU: Loey Felipe

Com ONU News

O Secretário-geral foi o primeiro a discursar na reunião de emergência sobre a situação no país após ataque aéreo coordenado pelos Estados Unidos, França e Reino Unido; Estados Unidos e Rússia dizem que não houve feridos ou mortos civis durante ofensiva; ONU afirma que não tem como verificar de forma independente detalhes da operação; no fim da reunião, órgão rejeitou esboço de resolução proposto pela Rússia condenando o ataque; texto recebeu apenas três votos a favor: Bolívia, China e Rússia.

O líder das Nações Unidas afirmou que a Síria é hoje a ameaça mais séria à paz e à segurança internacionais. A declaração de António Guterres foi feita durante a sessão de emergência do Conselho de Segurança, convocada na manhã deste sábado, em Nova Iorque. O secretário-geral informou que chamou a Nova Iorque o seu enviado especial para a Síria, Staffan de Mistura (foto), para discutir a situação.

A reunião no Conselho ocorreu horas após um ataque aéreo à Síria coordenado por Estados Unidos, França e Reino Unido. A ofensiva foi anunciada na noite de sexta-feira pelo presidente americano Donald Trump, como resposta a um suposto ataque químico ocorrido a 7 de abril na cidade de Duma, perto da capital síria, Damasco.

Guterres explicou que está a acompanhar de perto a situação e que recebeu informações de que o ataque foi contra três alvos militares dentro da Síria incluindo um suposto local de armazenamento de armas químicas, na cidade de Homs. 

O governo sírio teria respondido com mísseis terra-ar e segundo os Estados Unidos e a Rússia, o ataque teria ocorrido sem feridos ou mortos civis. O chefe da ONU deixou claro, no entanto, que as Nações Unidas não têm como verificar, de forma independente, os detalhes das operações. António Guterres voltou a afirmar que o Conselho de Segurança tem obrigações, de acordo com a Carta da ONU, de zelar pela paz e segurança internacionais adiantando que estão a ter lugar violações sistemáticas da lei internacional e de direitos humanos e um desrespeito do espírito da Carta das Nações Unidas. Guterres relembrou que o povo sírio está a sofrer os efeitos de uma guerra há oito anos e a viver uma série de crimes e atrocidades: fome, violência e deslocações forçadas.

O secretário-geral afirmou que as circunstâncias são perigosas e é preciso evitar qualquer ação que possa levar a uma escalada que só venha a piorar o sofrimento do povo sírio. Guterres voltou a expressar sua profunda deceção por o Conselho de Segurança não ter chegado a um acordo sobre um mecanismo eficiente de responsabilização sobre o uso de armas químicas na Síria.

No final da reunião, o Conselho de Segurança recusou o texto de resolução, proposto pela Rússia, que condenava o ataque. O documento recebeu apenas três votos a favor: Bolívia, China e Rússia