Segunda, 16 Setembro 2019
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Relatório apela aos decisores políticos que adoptem a felicidade como indicador e meta para o desenvolvimento

Cover graphicRelatório classifica os países mais felizes, com o Norte da Europa no topo da tabela.

Enquanto os chefes de Estado se preparam para a Assembleia-Geral das Nações Unidas daqui a duas semanas, o segundo Relatório Mundial da Felicidade, fortalece o argumento de que o bem-estar deveria ser um componente critico da maneira como o mundo mede o seu desenvolvimento económico e social. Este relatório é publicado pela Rede de Soluções da ONU para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN), sob os auspícios do Secretário-Geral Ban Ki-moon. Especialistas em vários campos: - economia, psicologia, análise de dados, estatísticas nacionais, etc- descrevem como a avaliação do bem-estar pode ser usada efetivamente em prol do progresso das nações. O Relatório é editado pelo Professor John F. Helliwell da Universidade da Colômbia Britânica e do Instituto Canadiano de Pesquisa Avançada; Lord Richard Layard, diretor do Programa de Bem-estar no at LSE’s Centre for Economic Performance e o Professor Jeffrey D. Sachs, diretor do Instituto da Terra na Universidade da Colômbia Britânica, Diretor do SDSN e Conselheiro Especial do Secretário-Geral.

“Há neste momento uma demanda crescente a nível mundial para que as políticas estejam mais alinhas com o que interessa para as pessoas e com aquilo que elas caracterizam como sendo o seu bem-estar.” Afirmou o Professor Jeffrey D. Sachs. “Cada vez mais líderes mundiais, estão a falar da importância do bem-estar como um guia para as suas nações e para o mundo.” O Relatório Mundial da Felicidade 2013 mostra que estudar e medir a felicidade, pode-nos ensinar a melhorar o bem-estar mundial e a alcançar um desenvolvimento sustentável.

O primeiro Relatório Mundial da Felicidade, lançado em 2012, antes da Reunião de Alto Nível da ONU para a Felicidade e Bem-estar, chamou atenção internacional para os primeiros resultados e níveis de felicidade mundial. Este novo relatório ainda vai mais longe. Aprofunda em maior detalhe a análise dos dados de felicidade globais, analisando as suas tendências ao longo do tempo e dividindo a pontuação de cada país em componentes, de modo que os cidadãos e os decisores políticos possam entender a classificação do seu país. Inspira-se também ainda em conexões com outras iniciativas importantes para medir o bem-estar, incluindo os estudos realizados pela OCDE e o Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD. Por fim fornece orientações para os decisores políticos sobre como incorporar efetivamente, o bem-estar nos seus processos de tomada de decisão.

O relatório identifica os países com maiores níveis de felicidade: em primeiro lugar a Dinamarca, em segundo a Noruega, seguida da Suíça, Países Baixos e Suécia.

O Relatório Mundial da Felicidade 2013 revela tendências fascinantes nos dados, avaliando o quão felizes os países realmente são. Numa escala de 0 a 10, as pessoas em mais de 150 países, inquiridas pelo Galup no período de 2010-12, revelam uma pontuação média ponderada pela de 5,1 (de 10). Seis variáveis chave, explicam três quartos de variação nas pontuações médias anuais nacionais, ao longo do tempo e por países. Estes seis fatores incluem: PIB real per capita, esperança de vida saudável, ter alguém com quem contar, liberdade percecionada para tomar decisões na vida, liberdade de corrupção e generosidade. (Tabela 2.1)

O relatório mostra mudanças significativas na felicidade dos países ao longo do tempo, com alguns países a subir no ranking e outros a descer. Há alguma evidência de convergência global de níveis de felicidade, com ganhos felicidade mais comuns na África Subsaariana e na América Latina e perdas mais comuns nos países industrializados. Para os 130 países com dados disponíveis, a felicidade (medida pelas próprias pessoas a avaliarem as suas vidas) melhoraram significativamente em 60 países e agravaram-se em 41 (Figura 2.5).

Para os decisores políticos, a questão-chave é o que afeta a felicidade. Alguns estudos mostram que a saúde mental é o único determinante mais importante para saber se uma pessoa é feliz ou não. No entanto, mesmo em países ricos, menos de um terço das pessoas mentalmente doentes estão em tratamento. Existem bons tratamentos de baixo custo para a depressão, transtornos de ansiedade e psicose, que por sua vez se estivessem disponíveis mais amplamente, a felicidade mundial aumentaria.

O relatório também demonstra os efeitos secundários mais benéficos da felicidade. Pessoas felizes vivem mais tempo, são mais produtivas, são melhor remuneradas e ainda melhores cidadãos. O bem-estar deveria ser desenvolvido não só em seu prol, mas também pelos seus efeitos secundários.

Os governos estão progressivamente a medir o bem-estar com o intuito de o tornar um objetivo para as suas polítcias. Um capítulo do relatório, escrito por Lord Gus O’Donnell,  ex-chefe do secretariado e Cabeça do Serviço Civil do Reino Unido, demonstra como isto pode ser concretizado. Mostra ainda, como as políticas de educação, sáude e transporte podem ser diferentes quando são vistas neste prisma.

Os governos a nível mundial, estão a medir o bem-estar subjetivo ou a pensar em fazê-lo. Neste relatório, a OCDE explica as suas novas diretrizes de padrão internacional para medir o bem-estar e o escritório do Relatório de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas dá o seu parecer sobre o assunto.

O Relatório Mundial da Felicidade 2013 foi lançado num workshop internacional a 8 de Setembro. Um workshop técnico sobre as diretrizes da OCDE foi dado em paralelo.

Nova Iorque, 9 de Setembro UNSDSN | Traduzido e editado por UNRIC