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Quase 21 milhões de pessoas em todo o mundo são vítimas de trabalho forçado segundo a ONU

ILOPerto de 21 milhões de pessoas em todo o mundo estão presas em empregos em que foram coagidas ou enganadas e que não o podem abandonar, de acordo com novas estimativas publicadas no dia 1 de junho pela agência das Nações Unidas para o trabalho, a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Elaborada e divulgada pela OIT, a Estimativa Global 2012 de Trabalho Forçado constatou que os países da região Ásia-Pacífico representam o maior número de trabalhadores forçados em todo o mundo, com 20,9 milhões de trabalhadores – 11,7 milhões, ou 56% do total global. Segue-se a África, com 3,7 milhões, e a América Latina, com 1,8 milhões de vítimas.

Segundo a OIT, o trabalho forçado assume diferentes formas, incluindo a escravidão por dívidas, tráfico e outras formas de escravidão moderna, com as vítimas normalmente mais vulneráveis – mulheres e meninas forçadas à prostituição, imigrantes presos em escravidão por dívidas, e fábricas ou trabalhadores rurais mantidos em tácticas claramente ilegais e pagos com pouca ou nenhuma remuneração.

Nas novas estimativas, 18,7 milhões de pessoas – 90% do total – são exploradas na economia privada, por indivíduos ou empresas. Destes, 4,5 milhões são vítimas de exploração sexual forçada e 14,2 milhões são vítimas de exploração de trabalho forçado em actividades económicas, como agricultura, construção civil, trabalho doméstico ou industrial.

Outros 2,2 milhões de pessoas encontram-se em formas de trabalho forçado, como nas prisões, em condições que violam as normas da OIT, ou no trabalho imposta pelo Estado ou por militares rebeldes das Forças Armadas.

A OIT também descobriu que 5,5 milhões de trabalhadores forçados, ou 26%, têm menos de 18 anos de idade.

“Percorremos um longo caminho nos últimos sete anos desde que, pela primeira vez, foi feita uma estimativa de quantas pessoas foram forçadas a trabalho ou serviços em todo o mundo”, disse a directora do Programa Especial de Acção para combater o trabalho forçado da OIT, Beate Andrees, num comunicado à imprensa. “Fizemos um bom progresso no sentido de garantir que a maioria dos países já dispõem de legislação em vigor que criminaliza o trabalho forçado, o tráfico humano e práticas análogas à escravidão.”

Ela observou que agora é necessário concentrar-se numa melhor identificação e repressão de crimes de trabalho forçado e afins, tais como tráfico de seres humanos.

“A acusação bem sucedida desses poucos indivíduos que trazem tanta miséria para muitos continua a ser insuficiente – isto tem de mudar”, referiu Beate Andrees. “Devemos, de igual forma, assegurar que o número de vítimas não sobe durante a crise económica actual, onde as pessoas estão cada vez mais vulneráveis a estas tais práticas abomináveis.”

A OIT espera que a disponibilidade de informações mais precisas sobre o problema irá permitir que a comunidade internacional tome medidas mais eficazes para acabar com o crime de trabalho forçado.

Links úteis:

Website da OIT/ILO - http://www.ilo.org/global/lang--en/index.htm#a3

OIT em Lisboa - http://www.ilo.org/public/portugue/region/eurpro/lisbon/index.htm