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FAO cria ferramenta para atenuar contributo da agricultura para aquecimento global

Greenhouse gas emissions from agriculture differ from farming system to farming systemA Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) iniciou um programa destinado a melhorar a informação mundial sobre emissões de gases com efeito de estufa geradas pela agricultura e avaliar com precisão o potencial de atenuação do aquecimento global deste sector.

Os dados melhorados adquiridos pelo programa "Atenuação das Alterações Climáticas na Agricultura" da FAO (programa MICCA), que receberá 5 milhões de dólares de fundos da Alemanha e da Noruega, serão disponibilizados através de uma base de conhecimento mundial electrónica que apresentará perfis das emissões de gases com efeito de estufa provenientes da agricultura e identificará as melhores formas de atenuar o aquecimento global mediante a adopção de práticas agrícolas melhoradas.

"As diferenças entre as avaliações existentes e as lacunas de informação significam que é muito difícil tirar o máximo partido do potencial significativo de sequestração do carbono atmosférico do sector agrícola", disse Marja-Liisa Tapio-Bistrom, coordenadora do programa MICCA.

Segundo a FAO, a possibilidade de aceder a dados melhorados dará aos governos, aos responsáveis pelo planeamento do desenvolvimento, aos agricultores e às agro-indústrias uma ferramenta que poderão utilizar para obter financiamentos internacionais para projectos de atenuação e para a definição e implementação de políticas, programas e práticas destinados a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa da agricultura e aumentar a quantidade de carbono sequestrado nas explorações agrícolas.

As práticas agrícolas "inteligentes" em termos climáticos podem aumentar a produtividade e melhorar a resiliência às novas tendências meteorológicas e climáticas, reduzindo simultaneamente as emissões de gases com efeito de estufa, acrescentou o organismo.

"Estamos extremamente gratos aos governos da Noruega e da Alemanha por apoiarem este trabalho", disse Alexander Mueller, Director-Geral Adjunto da FAO para os Recursos Naturais.

"Os dados que estamos a reunir são fundamentais para que a produção alimentar faça a transição para um modelo baseado em práticas inteligentes. Quanto mais informação tivermos sobre as emissões de sistemas agrícolas específicos, mais eficazes serão as políticas que os países poderão introduzir para incentivar essa transição", acrescentou.

O contributo da Noruega para o projecto é de cerca de 3 milhões de dólares, enquanto a Alemanha vai contribuir com 2 milhões de dólares.

A agricultura é responsável por aproximadamente 14% do total mundial de emissões de gases com efeito de estufa, o que corresponde a 6,8 gigatoneladas de equivalentes de carbono. O potencial do sector para reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa  e sequestrar grandes quantidades de carbono da atmosfera é considerável, disse a FAO.

Segundo as estimativas do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), a sequestração de carbono no solo – através de uma melhor gestão das terras de cultivo e das pastagens, bem como da recuperação de solos degradados – é o processo pelo qual a agricultura pode dar o maior contributo para a atenuação das alterações climáticas.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 15/02/2011)