Quarta, 23 Janeiro 2019
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PNUA define prioridades para a realização da Economia Verde no século XXI

O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) identificou três áreas prioritárias na corrida para atenuar as alterações climáticas, que se baseiam no aproveitamento dos benefícios dos ecossistemas – desde os recifes de corais às florestas –, conjugado com as tecnologias que exploram a energia solar, geotérmica e eólica e não utilizam combustíveis fósseis.

"Hoje em dia, já é geralmente reconhecido que os ecossistemas saudáveis, desde recifes de corais e zonas húmidas a mangais e solos férteis, são fundamentais para uma adaptação eficaz às alterações climáticas", afirma o PNUA, num comunicado de imprensa sobre aquilo que denomina uma estratégia em rápida evolução, definida "em resposta às necessidades dos Estados-membros e ao número crescente de pedidos de informação sobre a melhor forma de realizar uma Economia Verde no século XXI, com baixos níveis de emissões e eficiente em termos de utilização de recursos".

Dizendo que a gestão e manutenção desses sistemas é "um tampão e um seguro contra eventos meteorológicos extremos e um clima em rápida transformação", o PNUA salienta que os ecossistemas e os serviços que estes prestam representam um capital económico que vale vários biliões de dólares.

O comunicado cita um relatório recente do PNUA compilado em conjunto com cientistas, segundo o qual um volume de emissões de carbono equivalente a metade das emissões anuais do sector mundial dos transportes está a ser captado e armazenado por ecossistemas marinhos tais como mangais, pântanos de água salgada e fanerogâmicas marinhas.

Com base nesta informação, o PNUA está a ajudar os Estados-membros em projectos de demonstração, prestando assistência, por exemplo, ao Iraque na recuperação dos terrenos pantanosos da Mesopotâmica, ao Quénia no restabelecimento do complexo de florestas Mau, e ao Mali na revitalização do lago Faguibine. Está igualmente a ser planeada a recuperação de ecossistemas no Haiti.

"O PNUA está disposto a ajudar os Estados-membros a preparar as suas economias para superarem obstáculos políticos e financeiros e a incorporar medidas de adaptação dos ecossistemas nas suas estratégias nacionais em matéria de clima e de desenvolvimento, bem como nas suas estratégias sectoriais", declara o organismo.

A segunda área prioritária relaciona-se com os chamados programas REDD e REDD+ – Redução Programa para a Redução das Emissões causadas pela Desflorestação e pela Degradação das Florestas. As emissões associadas à desflorestação e à degradação das florestas representam aproximadamente 20% das actuais emissões de gases com efeito de estufa, e o PNUA está a participar num esforço internacional destinado a preparar as economias em desenvolvimento para um regime REDD.

Através do Programa ONU-REDD – uma parceria entre o PNUA, a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) –, nove países estão a ser preparados para o REDD com metodologias, sistemas de vigilância e verificação e salvaguardas, a fim de assegurar que se obtenham benefícios não só ao nível do clima e das economias nacionais, mas também dos meios de vida das comunidades locais.

Estão a ser testadas metodologias e técnicas de vigilância e verificação na região ocidental do Quénia, na China, Níger e Nigéria. Deverá ser possível, em breve, os agricultores e proprietários rurais começarem a beneficiar da sequestração do carbono conseguida com vários sistemas de cultivo e de gestão, incluindo a agro-silvicultura. Segundo algumas estimativas, um país como a Indonésia poderá gerar receitas iniciais da ordem dos mil milhões de dólares por ano se as suas taxas de desflorestação forem reduzidas para metade.

A terceira área prioritária é a preparação para a utilização de tecnologias limpas. "Investir em energias alternativas com baixos níveis de emissões e reduzir as emissões de consumos energéticos ineficientes também faz sentido em termos económicos e ambientais", observa o PNUA. "Contudo, embora muitas tecnologias com baixos níveis de carbono já sejam comercialmente viáveis, continua a ser difícil transferi-las para novos mercados e promover a sua utilização sistemática".

A fim de superar estes obstáculos, o PNUA e os seus parceiros já estão a produzir resultados, recorrendo a mecanismos de mercado inteligentes. Na Índia, um projecto realizado em conjunto com a UN Foundation, a Shell Foundation e bancos indianos fez baixar o custo dos empréstimos para tecnologias solares. Em poucos anos, 100 000 pessoas das zonas rurais passaram a ter acesso a electricidade produzida pela energia solar e, actualmente, a iniciativa já é financeiramente independente.

Um outro projecto, realizado com financiamentos do Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), tem como objectivo a exploração mais eficiente da energia geotérmica na África Oriental. A penetração de sistemas solares térmicos no Norte de África também foi promovida pela primeira vez pelo PNUA e pelos seus parceiros, através do estabelecimento de uma ligação entre os empréstimos e as contas de electricidade, uma medida fundamental para abrir o mercado.

Entretanto, o PNUA iniciou a realização de avaliações e levantamentos de energias renováveis, ajudando 15 países em desenvolvimento  a determinarem o seu potencial solar e eólico e a definirem políticas tendo em vista a exploração destas energias. Lançou igualmente uma acção destinada a ajudar mais de 35 países a identificarem as tecnologias com baixos níveis de emissões que melhor poderão ir ao encontro das suas necessidades de desenvolvimento e a prepararem planos nacionais tendo em vista a aquisição e utilização dessas tecnologias.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 31/12/2009)