Terça, 19 Novembro 2019
UNRIC logo - Portuguese

A ONU na sua língua

UNESCO: mais de 2500 línguas em perigo no mundo

Das cercas de 6000 línguas existentes no mundo, mais de 2500 estão ameaçadas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que lançou, hoje, em Paris a versão electrónica do seu Atlas das línguas em perigo no mundo.


O Atlas, apresentado em vésperas do Dia Internacional da Língua Materna (21 de Fevereiro), permite fazer pesquisas segundo vários critérios e considera que 2500 línguas estão em perigo, segundo cinco níveis de vitalidade diferentes. Assim, uma língua poder ser vulnerável, estar em perigo, em grave perigo, em situação crítica e extinta (desde 1950).


Os dados são preocupantes: durante as três últimas gerações, extinguiram-se mais de 200 línguas, 538 estão em situação crítica, 502, em grave perigo, 632, em perigo e 607, vulneráveis.


O Atlas precisa, por exemplo, que 199 línguas contam com menos de dez falantes e 178, com entre 10 e 50 falantes. Cita algumas línguas extintas, por exemplo na Ilha de Man, na Tanzânia, na Turquia e no Alasca.


“O desaparecimento de uma língua conduz ao desaparecimento de numerosas formas de património cultural imaterial, em particular do precioso legado constituído pelas tradições e expressões orais - dos poemas e lendas aos provérbios e gracejos – da comunidade que a falava. A perda de línguas ocorre também em detrimento da relação que a humanidade mantém com a biodiversidade, porque veiculam numerosos conhecimentos sobre a natureza e o universo”, sublinhou o Director-Geral da UNESCO, Köichiro Matsuura.


O trabalho efectuado pelos linguistas que colaboraram no Atlas (mais de 30) mostra que o fenómeno de desaparecimento de línguas se regista em todas as regiões e em condições económicas muito variáveis. Na África Subsariana, onde se falam cerca de 2000 línguas (aproximadamente um terço do total mundial), é muito provável que pelo menos 10% desapareçam nos próximos anos. O Atlas comprova que a Índia, os Estados Unidos, o Brasil, a Indonésia e o México, países que se caracterizam por uma grande diversidade linguística, são também aqueles onde há mais línguas em perigo. Na Austrália, aponta 108 línguas em diversos graus de perigo.


A situação apresentada no Atlas não é, porém, sistematicamente alarmista. Assim, a Papuásia-Nova-Guiné, o pais com a maior diversidade linguística do planeta (mais de 800 línguas), é também um dos que teriam poucas línguas em perigo.


Por outro lado, graças a políticas linguísticas favoráveis, várias línguas autóctones viram aumentar o seu número de falantes. Foi o caso, por exemplo, do maori na Nova Zelândia, do guarani, no Paraguai e de várias línguas do Canadá, dos Estados Unidos e do México.


O Atlas mostra também que, por razões económicas, devido a políticas linguísticas diferentes ou a fenómenos sociológicos, uma língua tem um grau de vitalidade diferente, consoante os países onde é falada.


Para Christopher Mosely, linguista australiano e director de publicação do Atlas, “seria ingénuo e simplista afirmar que as grandes línguas que foram línguas coloniais – como o inglês, o francês e o espanhol – são, em toda a parte, responsáveis pela extinção das outras línugas. O fenómeno prende-se com um subtil equilíbrio de forças e o Atlas permite-nos compreender melhor esse equilíbrio”.


O Atlas é uma ferramenta interactiva e poderá ser completado, corrigido ou actualizado constantemente, graças ao contributo dos seus utilizadores.



(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 19/02/2009)