O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) afirmou, hoje, que, neste momento, há cerca de 25 000 refugiados costa-marfinenses na vizinha Libéria, com cerca de 600 pessoas a chegarem todos os dias, para fugir da crise pós-eleitoral na sua pátria.
O ACNUR começou a trabalhar num novo campo para refugiados na cidade de Bah, no Leste da Libéria, que poderá alojar, inicialmente, cerca de 18 000 pessoas.
“Este campo é necessário urgentemente, para proteger melhor os refugiados e aliviar a pressão sobre as autoridades liberianas que têm estado a acolher estas pessoas em cerca de 23 aldeias ao longo da fronteira com a Costa do Marfim”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, aos jornalistas, em Genebra.
“A crise política na Costa do Marfim começou depois de o Presidente cessante, Laurent Gbagbo, se ter recusado a abandonar o poder, após ter sido derrotado pelo seu adversário, Alassane Ouattara, na segunda volta das eleições presidenciais, em Novembro.
As eleições tinham como objectivo ajudar a reunificar aquela nação da África Ocidental, que foi dividida pela guerra civil, em 2002, numa parte meridional, controlada pelo governo, e uma setentrional, em poder dos rebeldes. Em vez disso, espalharam o medo do regresso à guerra civil e conduziram a uma nova crise, marcada por incitamentos ao ódio e à violência, violações dos direitos humanos, ataques a civis e também a Capacetes Azuis ao serviço da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI) e o aumento das deslocações de população.
Para além das que fugiram para a Libéria, cerca de 16 000 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas aldeias e refugiar-se nas cidades de Duékoué, Man e Danané, no Oeste da Costa do Marfim, segundo o ACNUR. A calma regressou a Duékoué, nos últimos três dias, o que está a permitir que o ACNUR e outros organismos humanitários prestem assistência aos deslocados.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 11/01/2011)