Dezenas de países e organizações prometeram mais de 8 mil milhões de dólares para ajudar o Haiti, na sequência do devastador terramoto que atingiu o país, apenas umas horas depois de o Secretário-Geral Ban Ki-moon ter aberto a conferência de doadores apelando à reconstrução total do Haiti.
No seu discurso de abertura da conferência, na Sede da ONU em Nova Iorque, Ban Ki-moon pediu aos doadores que, nos próximos 10 anos, contribuíssem com 11,5 mil milhões de dólares para a reconstrução do país.
“Aquilo que pretendemos é uma renovação completa à escala da nação, um projecto de reconstrução sem precedentes”, disse aos delegados de mais de 130 países que participaram na reunião de alto nível destinada a obter os recursos financeiros para ajudar o Haiti a recuperar e a reconstruir-se após o terramoto de 12 de Janeiro.
Em parceria com a ONU, os dirigentes haitianos estabeleceram um novo contrato social com os seus cidadãos, prosseguiu o Secretário-Geral. “Isso significa um governo totalmente democrático e políticas económicas e sociais ambiciosas para eliminar a pobreza, corrigir as desigualdades, velar pelo respeito dos direitos humanos, garantir a independência do aparelho judicial e favorecer o desenvolvimento de uma sociedade civil vigilante”. Essa parceria implica abordagens inovadoras para resolver velhos problemas, como o investimento na criação de emprego.
Cerca de 3,9 mil milhões de dólares, dos 11,5 mil milhões pretendidos, serão canalizados para projectos específicos através de uma recém-criada Comissão Interina para a Recuperação do Haiti, nos próximos 18 meses. Paralelamente à reconstrução, a assistência deve permitir assegurar a ajuda alimentar, os cuidados de saúde e, para já, a questão do abrigo, num momento em que se aproxima a estação das chuvas. Ban Ki-moon pediu uma mobilização a favor do Apelo Humanitário Revisto, no montante de 1,4 mil milhões de dólares, até agora financiado apenas a 50%.
A Conferência, intitulada “Rumo a um novo futuro para o Haiti”, contou igualmente com a presença da Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, do Enviado Especial da ONU para o Haiti, Bill Clinton, e do Presidente haitiano, René Préval, bem como de representantes de mais de 100 países. Foi co-presidida pelo Brasil, o Canadá, a França e a Espanha, os principais doadores de fundos.
Hillary Clinton afirmou que o caminho em direcção à recuperação é longo e exige apoio a nível mundial. São possíveis duas vias, explicou. A primeira consiste em construir casas seguras, que permitam que os haitianos retomem uma vida normal, reconstruir bons sistemas de saúde e de educação, dar ao povo os instrumentos de que precisa e criar instituições sólidas e transparentes. A outra via, que exigiria bem menos da parte dos Haitianos e da comunidade internacional, seria optar por esforços de reconstrução lentos e insuficientes, caracterizados pela falta de transparência.
Hillary Clinton disse confiar na força de resistência do povo haitiano e dos seus dirigentes. “Somos chamados a fazer melhor do que no passado”, disse. Os dirigentes devem assumir as suas responsabilidades e a comunidade internacional deve fazer as coisas de uma forma diferente. “Não podemos voltar a adoptar as estratégias que falharam no terreno”, acrescentou. Informou que os Estados Unidos prometiam 1,15 mil milhões de dólares para a reconstrução a longo prazo do Haiti, nomeadamente nos domínios da agricultura, da saúde, da governação e do empoderamento das mulhers”
Pelo seu lado, o Presidente da Assembleia Geral da ONU, Ali Treki, exortou “os representantes dos Estados-membros, as instituições financeiras, o sector privado e as organizações da sociedade civil a continuarem a apoiar os esforços de reconstrução”, numa mensagem transmitida pelo seu porta-voz.
A Administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, formulou o desejo de que “a visão apresentada pelo Governo do Haiti em nome do povo haitiano se possa tornar realidade”.
O Presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, propôs uma divisão do trabalho entre os organismos internacionais, a fim de evitar duplicações. Apelou também à organização de uma nova conferência dentro de seis meses, para fazer o ponto do situação.
Por sua vez, o Director do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, considerou que o país estava em condições de conhecer uma taxa de crescimento de 8% por ano nos próximos anos.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 31/03/2010)