Quase dois meses após o Haiti ter sofrido um violento tremor de terra, o país está a avançar rumo à recuperação e à reconstrução, mas vai continuar a precisar de ajuda humanitária urgente continuada durante, pelo menos, mais 12 meses, disse o Chefe da missão das Nações Unidas no Haiti.
“Esta primeira fase da ajuda humanitária vai coincidir com a recuperação e a reconstrução, uma vez que a estação das chuvas está a chegar e, em Junho, é a época dos furacões”, disse Edmond Mulet, Representante Especial Interino do Secretário-Geral para a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), em declarações aos jornalistas, hoje, em Nova Iorque.
Segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), as principais prioridades no Haiti continuam a ser os abrigos de emergência, a gestão dos locais, o saneamento e a alimentação.
Até à data, o material para abrigos de emergência já beneficiou 525 000 pessoas, ou seja, 41% dos que deles necessitavam.
Os funcionários haitianos e os trabalhadores humanitários têm estado a finalizar os planos para o estabelecimento de cinco povoamentos provisórios em terrenos escolhidos pelo Primeiro-Ministro Jean-Max Bellerive. Com isto pretende-se que cerca de 1,3 milhões de desalojados deixem a congestionada cidade de Port-au-Prince.
Os funcionários estão igualmente preocupados com a falta de financiamentos para a agricultura, que geralmente cobriam 60% das necessidades em matéria de produção alimentar do Haiti, antes do começo da principal época de plantação.
O Governo haitiano, que já se encontrava numa situação frágil antes do terramoto, está a participar activamente no esforço de reconstrução, sublinhou Edmond Mulet.
Os funcionários humanitários e o Governo do Haiti estão a trabalhar no sentido de criar o Quadro de Avaliação das Necessidades Pós-Catástrofe e de Recuperação (PDNA), que será apresentado aos doadores na reunião de 31 de Março, em Nova Iorque. O PDNA vai incluir planos e programas para o desenvolvimento do Haiti a médio e longo prazo.
Antes do encontro de doadores, terá ter lugar na capital da República Dominicana, Santo Domingo, a 16 e 17 de Março, uma reunião técnica preparatória.
No mês passado, o OCHA emitiu um apelo revisto no montante de 1,44 mil milhões de dólares para o Haiti, o maior apelo de sempre no contexto de uma catástrofe natural.
Elogiando a resposta humanitária, Edmond Mulet referiu que esta era agora “mais coordenada” do que nos primeiros dias, “havendo, contudo, sempre a possibilidade de melhorar”.
Elogiou também o pessoal da MINUSTAH por “dar um novo alento à missão”, apesar de “viver, trabalhar e tomar banho” na base logística. A missão perdeu 101 funcionários, quando o terramoto destruiu o Christopher Hotel, que funcionava como sede da missão no terreno.
Os dois principais pilares da MINUSTAH – as componentes militar e política – estavam operacionais no dia seguinte ao tremor de terra, não obstante as duras perdas, destacou Mulet.
Acrescentou também que, para além da realização das tarefas tradicionais de segurança e estabilidade previstas no mandato, os capacetes azuis foram incumbidos de novas funções, nomeadamente a ajuda humanitária e o apoio à reconstrução das actividades económicas.
Os capacetes azuis estabeleceram uma relação “exemplar” com as tropas que não estão sob mandato da ONU – militares do Canadá, Jamaica, França, Espanha e Estados Unidos – no âmbito da protecção dos comboios humanitários e de outros esforços de segurança.
Edmond Mulet mencionou ainda que, cada vez mais, os capacetes azuis da MINUSTAH estão já a prestar também este tipo de serviços, tendo a missão recebido parte dos 3500 soldados e polícias adicionais autorizados pelo Conselho de Segurança, em Janeiro.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 9/03/2010)