Quando de uma reunião ministerial de doadores sobre o Haiti, realizada hoje, em Montreal, o chefe interino da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), Edmond Mulet, insistiu no carácter crucial da coordenação entre os diferentes agentes humanitários que vieram prestar assistência a esse país atingido por um sismo devastador.
“As Nações Unidas foram encarregadas pelo Governo do Haiti de coordenar a resposta maciça ao sismo. Comprometemo-nos a fazê-lo. Hoje, apresento um enquadramento para essa coordenação”, afirmou Edmond Mulet aos participantes nessa conferência que reúne representantes de 14 países e da União Europeia. No seu entender, essa coordenação deve apoiar-se em mecanismos operacionais sólidos. “Com demasiada frequência, a coordenação é um anseio que começa e termina nas salas de conferências”, acrescentou. “A nossa coordenação tem de ser eficaz, tem de ser sólida, tem de ser uma realidade”.
O sismo de 12 de Janeiro destruiu a capital haitiana, Port-au-Prince. Segundo o último balanço, foram mortas mais de 112 500 pessoas, outras 194 000 ficaram feridas e um milhão de haitianos encontra-se sem abrigo.
A destruição e as necessidades humanitárias são enormes, lembrou Edmond Mulet. “Temos de agir rapidamente, sabendo que a estação dos furacões chegará dentro de seis meses”, afirmou.
As Nações Unidas estiveram também representadas na reunião de Montreal pela Administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, e pelo Secretário-Geral Adjunto para os Assuntos Humanitários, John Holmes.
“Em Montreal, é importante que haja um compromisso financeiro em relação a todos os aspectos do pedido de fundos de emergência”, afirmou Helen Clark, referindo-se ao pedido de 575 milhões de dólares lançado pela ONU, a 15 de Janeiro.
Pelo seu lado, John Holmes referiu que o pedido de fundos recolhera, até ao momento, 47% do total. “Este pedido será revisto dentro de algumas semanas, para reflectir as necessidades que estão, neste momento, a ser alvo de uma avaliação sistemática”, disse.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) comunicou que distribuíra 2,6 milhões de rações alimentares, equivalentes a cerca de 8 milhões de refeições, a cerca de 400 000 pessoas. Este organismo das Nações Unidas tem como objectivo atingir 100 000 pessoas por dia.
“Trata-se de uma das operações mais complexas que o PAM lançou alguma vez. Toda a cadeia de distribuição do Haiti foi devastada e a operação do PAM partiu do zero”, afirmou a Directora Executiva do PAM, Josette Sheeran, quando de uma conferência de imprensa, hoje, em Nova Iorque.
“Penso que será necessário que fiquemos lá durante mais tempo e mais em profundidade, o que quer dizer que as pessoas irão precisar de mais alimentos durante mais tempo. A situação é medonha”, acrescentou. Na sua opinião, a situação é sobretudo difícil de um ponto de vista logístico. O PAM tenta criar corredores seguros para a distribuição de alimentos em Port-au-Prince, precisou.
Segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), mais de 235 000 pessoas deixaram Port-au-Prince graças aos transportes disponibilizados gratuitamente pelo governo. O número de pessoas que abandonam as cidades poderá atingir um milhão, pondo sob pressão comunidades rurais já vulneráveis, estima, pelo seu lado, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 25/01/2010)