O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou-se convencido de que os Haitianos, com a ajuda da comunidade internacional, superarão a tragédia provocada pelo sismo que assolou, na semana passada, o Haiti, e apelou aos doadores de fundos internacionais, para que apoiem os esforços de reconstrução.
“Toda a comunidade internacional está ao lado do povo haitiano. Fiquei impressionado com a resiliência e determinação dos dirigentes do Haiti, o Presidente Préval, do Primeiro-Ministro, e da população, que está unida. Juntos, com a comunidade internacional, estou certo de que ultrapassaremos esta tragédia”, afirmou Ban Ki-moon, ontem à noite, quando de um encontro com a imprensa, antes de assistir, numa igreja de Nova Iorque, a uma missa em homenagem às vítimas do sismo.
A ONU comunicou, hoje, que, no sismo, morreram 61 funcionários das Nações Unidas e 180 continuam desaparecidos.
Hoje, à saída de uma reunião com o seu Enviado Especial para o Haiti, o antigo Presidente americano Bill Clinton, o Secretário-Geral lembrou que as Nações Unidas tinham três prioridades: “Em primeiro lugar, continuar a prestar ajuda humanitária recorrendo a mecanismos eficazes, em segundo, garantir a segurança e a estabilidade e, em terceiro, ajudar à reconstrução económica haitiana”.
Relativamente à decisão do Conselho de Segurança de autorizar o envio de mais 3500 capacetes azuis, afirmou que a ONU recebera respostas positivas de Estados-membros e que iria poder colocar esses reforços no terreno “com bastante rapidez”.
No que se refere à reconstrução, afirmou que ia enviar a Administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, e o Secretário-Geral Adjunto para os Assuntos Humanitários, John Holmes, a uma reunião ministerial sobre o Haiti, em Montreal, na segunda-feira, 25 de Janeiro.
Ban Ki-moon insistiu na necessidade de criar empregos para os haitianos e pediu apoio financeiro para o projecto do PNUD chamado “Remuneração em Troca de Trabalho”.
Bill Clinton considerou “importante dar aos jovens algo positivo para fazer”. “Muitas pessoas têm vontade de participar na reconstrução do seu país”, acrescentou. Afirmou que iria continuar a encontrar-se com investidores, para os exortar a investirem no Haiti, a longo prazo.
O Banco Mundial expressou o seu apoio ao perdão da dívida do Haiti. Actualmente, essa dívida para com a instituição eleva-se a 38 milhões de dólares. “Em virtude da crise provocada pelo sismo, renunciamos a qualquer reembolso dessa dívida, durante os próximos cinco anos, e esforçamo-nos por anular as verbas que continuam em dívida”, afirmou o Banco, num comunicado.
Pelo seu lado, John Holmes sublinhou, também hoje, quinta-feira, a boa cooperação entre a ONU e os países envolvidos na ajuda humanitária ao Haiti, apesar dos problemas logísticos. “É uma operação internacional de grande envergadura e vai prosseguir. Trabalhamos em conjunto, de uma forma muito cooperante e positiva”, asseverou.
O apelo a fundos, no montante de 575 milhões de dólares, lançado pelas Nações Unidas junto dos doadores internacionais foi, até ao momento, financiado até 34% (foram recebidos 195 milhões de dólares e prometidos, 112 milhões), afirmou o Porta-voz do Secretário-Geral, Martin Nesirky.
Ban Ki-moon considera que as dificuldades encontradas, nos primeiros dias após o sismo, para encaminhar a ajuda internacional foram ultrapassadas, em parte, graças a mecanismos eficazes. “Criámos cinco corredores terrestres. Melhorámos as instalações do aeroporto”, afirmou. “As instalações portuárias vão ser melhoradas, graças ao apoio do governo dos Estados Unidos”.
Segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), neste momento, 150 aviões aterram todos os dias e o primeiro navio chegou a Port-au-Prince com 123 toneladas de ajuda, graças aos trabalhos que permitiram tornar operacional o porto.
Ontem, o chefe interino da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), Edmond Mulet, encontrou-se com representantes do sector privado haitiano para analisar de que forma a Missão poderia ajudar esse sector a retomar as suas actividades, protegendo determinadas estradas e ruas e patrulhando na proximidade das estações de serviço e dos bancos.
A Missão congratulou-se com a criação de um corredor humanitário entre Santo Domingo, na República Dominicana, e Port-au-Prince, a fim de permitir a aceleração do fornecimento de ajuda. A Missão agradeceu também a oferta da República Dominicana de enviar uma equipa de 150 militares para ajudar a proteger esse corredor.
Pelo seu lado, a Directora Executiva do Programa Alimentar Mundial (PAM), Josette Sheeran, deslocou-se a Port-au-Prince, na quinta-feira, para avaliar a situação.
Por sua vez, a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que os cuidados cirúrgicos são a prioridade em termos de saúde, nomeadamente o tratamento de ferimentos e a prevenção do tétano.
Finalmente, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está a prestar uma ajuda no domínio da alimentação às crianças com menos de dois anos. A UNICEF esforça-se também por ajudar as crianças que perderam os pais ou estão separadas da família. Espaços seguros para crianças com menos de cinco anos estarão disponíveis até ao fim da semana, enquanto cerca de 1000 crianças forma identificadas.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 21/01/2010)