Segunda, 01 Setembro 2014
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É necessária uma nova abordagem para eliminar a pobreza extrema nos países mais pobres, diz funcionário da ONU

O número de pessoas que vivem na pobreza extrema nos países menos avançados (PMA) do mundo tem estado a aumentar, apesar dos rendimentos nacionais mais elevados registados em alguns desses países, disse, hoje, um alto funcionário das Nações Unidas, que pediu uma revisão das actuais abordagens do desenvolvimento.

 

 

"Mesmo no período entre 2002 e 2007, durante o chamado «surto de expansão dos PMA», o modelo de crescimento seguido na maioria dos países não foi inclusivo nem sustentável", disse Petko Draganov, Vice-Secretário-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED).

A conferência mundial a realizar no ano que vem sobre os 49 países mais pobres do mundo deverá reexaminar as abordagens actualmente utilizadas para ajudar estes países e conceber medidas susceptíveis de "gerar um desenvolvimento mais rápido e mais duradouro", disse Petko Draganov, dirigindo-se aos participantes numa reunião do Conselho de Comércio e Desenvolvimento da CNUCED, em Genebra.

Draganov mencionou o trabalho de investigação contido no relatório de 2010 da CNUCED sobre os PMA, divulgado na semana passada e recomenda que os países pobres comecem a diversificar as suas economias, a fim de reduzir a sua dependência de produtos agrícolas, recursos naturais e produtos de base fundamentais, alcançando, desse modo, um crescimento sustentável.

A dependência da exportação de produtos de base continuará a expor os PMA aos ciclos de expansão/colapso económico que acompanham a natureza cíclica da procura e dos preços dos produtos de base, uma tendência que impedirá os PMA de avançar em direcção aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), entre os quais se inclui a meta de reduzir para metade, até 2015, o número de pessoas que vivem na pobreza extrema.

O relatório pede uma "nova arquitectura mundial para o desenvolvimento", destinada a apoiar a transição para um crescimento económico mais geral, em que se atribua maior importância à necessidade de acrescentar valor aos produtos de base produzidos nos PMA.

A reunião directiva do Conselho de Comércio e Desenvolvimento, que se prolonga por dois dias, vai debruçar-se sobre a situação e perspectivas dos PMA, tendo em vista a IV Conferência destes países, que deverá realizar-se em Maio do próximo ano, em Istambul, na Turquia.

"A tripla crise económica recente prejudicou consideravelmente as perspectivas de desenvolvimento e crescimento" dos PMA, afirmou Jo Elizabeth Butler, Chefe Interina e Directora Adjunta da Divisão para África, os PMA e os Programas Especiais. "A pobreza continua a ser imensa e geral", acrescentou.

Segundo avaliações da CNUCED, alguns PMA têm possibilidades consideráveis de aumentar as suas exportações, disse Jo Butler.

Um estudo de caso sobre o Uganda demonstra que este país tem conseguido manter um nível relativamente mais elevado de crescimento económico, durante um período de tempo relativamente mais longo do que a maioria dos PMA. Uma das razões é a importância crescente atribuída a exportações não tradicionais como o peixe e os produtos hortícolas, que têm apresentado aumentos extraordinários, declarou Jo Butler.

Disse ainda que a Etiópia também tem uma indústria de floricultura em rápido crescimento, que já emprega mais de 16 000 trabalhadores. Prevê-se que a floricultura ultrapasse o café, dentro de cinco anos, como principal exportação da Etiópia.

Uma das lições extraídas de estudos de caso sobre os PMA é que "as políticas públicas activistas, mas menos intervencionistas" ajudam a promover o crescimento sustentável, tal como os incentivos eficazes para investidores e outras medidas destinadas a criar ambientes favoráveis às empresas e ao crescimento do emprego, acrescentou Jo Butler.

Zeljka Kozul-Wright, economista da CNUCED especializada em assuntos dos PMA e uma das autoras do relatório, disse que "o ambiente internacional deve ser favorável aos PMA, prestar-lhes assistência e apoiá-los, em vez de prejudicar as suas perspectivas de desenvolvimento. A comunidade internacional não tem honrado os seus compromissos de ajuda assumidos com os PMA", afirmou.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 29/11/2010)

 

 

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