Objectivos do Desenvolvimento: direitos e não retórica, pede a perita da ONU para a pobreza extrema
DECLARAÇÃO AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
14 de Outubro de 2010
Objectivos do Desenvolvimento: direitos e não retórica,
pede a perita da ONU para a pobreza extrema
Declaração da Perita Independente das Nações Unidas sobre a questão de direitos
humanos e da pobreza extrema, Magdalena Sepúlveda, para assinalar o
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
(17 de Outubro de 2010)
GENEBRA – "O mundo de hoje continua
a caracterizar-se por níveis intoleráveis de pobreza e privação. Segundo as
Nações Unidas, se excluirmos a China, o número de pessoas que vivem na pobreza
extrema aumentou efectivamente, desde 1990. Na África Subsariana, estudos
recentes mostram que metade da população vive na pobreza extrema; a este ritmo,
a região não realizará o ODM 1 – a erradicação da pobreza extrema e da fome –
senão em 2076. Isto é inaceitável.
Na recente Cimeira sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), os
dirigentes mundiais reafirmaram o seu empenhamento em erradicar a pobreza até
2015. Contudo, apesar de alguns progressos, a comunidade internacional não tem
honrado as suas promessas e a perspectiva de não se conseguirem realizar os
Objectivos está a tornar-se preocupante, devido à falta de recursos e de
vontade política.
Temos de acelerar em direcção a 2015 e colocar os direitos humanos no cerne de
um pacote de medidas de salvamento urgentes para aqueles que vivem na pobreza
no mundo inteiro. Temos de compreender claramente que resolver a sua situação
não é uma questão de «ajuda» nem de «caridade», mas sim de protecção de
direitos humanos fundamentais – uma obrigação a que os Estados se vincularam
pelo direito internacional.
Temos de ir além dos ODM – não devemos esquecer que, mesmo que os Objectivos
sejam atingidos, muitas pessoas ficarão para trás. Os direitos humanos,
incluindo a não discriminação e a igualdade, podem ser ferramentas poderosas
para combater a pobreza. Uma abordagem baseada nos direitos humanos canalizaria
os esforços para as pessoas mais vulneráveis e marginalizadas, em vez de apenas
procurar alcançar médias e metas. Ajudaria a combater a corrupção, um obstáculo
constante que se opõe aos esforços para combater a pobreza e promover o
desenvolvimento, bem como ao exercício dos direitos humanos. Obrigaria os
governos a prestar contas e os poderosos a darem ouvidos às vozes daqueles que
vivem na pobreza e teria em conta as suas preocupações.
Não conseguiremos erradicar a pobreza com retórica, nem expressando aspirações.
No seguimento da Cimeira sobre os ODM, em que os dirigentes mundiais disseram
estar «profundamente preocupados» com a situação dos pobres do mundo, é tempo
de transformar essa preocupação em
acções e de colocar os direitos humanos no cerne do esforço para alcançar os
Objectivos e combater a pobreza extrema. Não se trata de generosidade humana,
mas sim de direitos humanos; não se trata de uma escolha, mas de uma obrigação.
Magdalena Sepúlveda é Perita
Independente sobre a questão de direitos humanos e da pobreza extrema desde
Maio de 2008. É uma advogada chilena que está actualmente a desempenhar o cargo
de Directora de Investigação no Conselho Internacional sobre Políticas de
Direitos Humanos, em Genebra.
Para mais informações sobre o mandato e o trabalho da
Perita Independente, consultar:
http://www2.ohchr.org/english/issues/poverty/expert/index.htm .
Para outras informações e pedidos dos
meios de comunicação social, contactar: Allegra Franchetti (Tel: +41 22 917
9340 / email:
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)
.
(Fonte: Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Direitos Humanos)