O Secretário Geral pediu aos dirigentes de empresas que investissem mais nos países em desenvolvimento, por ocasião da terceira Cimeira de Líderes do Pacto Global, uma rede de empresas privadas que se comprometeram a respeitar os princípios internacionais em matéria de direitos humanos, normas do trabalho, ambiente e luta contra a corrupção.
“Não podemos permitir-nos não investir no mundo em desenvolvimento. Todos sabemos onde a necessidade é maior. Mas é também aí que existe um maior dinamismo”, disse aos membros do Pacto Global.
“O crescimento económico mundial exige investimentos no mundo em desenvolvimento”, afirmou, acrescentando que, numa altura em que a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) está a diminuir, o investimento directo estrangeiro é ainda mais importante.
Desde o seu lançamento, em Julho de 2000, o Pacto Global, uma iniciativa da ONU que visa fomentar práticas empresariais socialmente responsáveis, tornou-se o maior e mais ambicioso projecto do seu género, com pelo menos 8000 participantes.
“A comunidade empresarial tem vindo a compreender que os princípios e os lucros são as duas faces da mesma moeda”, afirmou Ban Ki-moon, que exortou as empresas a reforçaram o seu compromisso com a responsabilidade social das empresas.
Pediu também às empresas que fizessem mais para defender os direitos humanos e os direitos dos trabalhadores, proteger o ambiente e combater a corrupção, frisando que as empresas podem e devem fazer parte da solução.
Apelou ainda aos líderes empresariais, para que intensifiquem os esforços para ajudar o mundo a alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), até 2015.
“Dez anos de experiência, no quadro da nossa acção para erradicar a pobreza, criar empregos e combater as doenças, mostraram-nos o que resulta e o que não resulta”, disse. “O desafio consiste agora em redobrarmos o nosso empenhamento”.
Ban Ki-moon incentivou os líderes empresariais a aproveitarem as 15 oportunidades de parceria definidas para a Cimeira para promover os Objectivos, que abrangem áreas que vão desde a fome, à energia verde, passando pela protecção das raparigas contra a violência e a melhoria da saúde materna e infantil.
“Numa altura em que o mundo continua sob o efeito da crise financeira e em que as alterações climáticas, a pobreza, as limitações de recursos e outras ameaças põem à prova as nossas capacidades, precisamos mais do que nunca de ter as empresas como parceiros”, disse numa conferência de imprensa.
O Secretário-Geral anunciou também que o objectivo do Pacto Global é ter 20 000 participantes até ao ano 2020. “E estamos determinados a consegui-lo, mantendo, simultaneamente, a integridade da iniciativa”.
Nos últimos dois anos, mais de 1300 empresas deixaram de ser membros da iniciativa, por não terem comunicado os progressos alcançados em matéria de aplicação dos princípios do Pacto.
Ban Ki-moon disse que, como um rapaz que cresceu num país dilacerado pela guerra, a República da Coreia, viu o que as empresas podem fazer para ajudar a reconstruir um país e mudar um região inteira.
“Agora, como Secretário-Geral da ONU, estou muito satisfeito por ter esta oportunidade de fazer o Pacto Global avançar para a fase seguinte e dotá-lo dos meios de que necessita para a sua segunda década de existência”, disse.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 24/06/2010)