FICHA INFORMATIVA
OBJECTIVO
DE DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO 8
Criar uma
parceria mundial para o
desenvolvimento
METAS:
- Continuar a criar um
sistema comercial e financeiro aberto, baseado em regras, previsível e não
discriminatório
- Responder às necessidades
especiais dos países menos avançados, dos países sem litoral e dos pequenos
Estados insulares em desenvolvimento
- Tratar de uma maneira
global os problemas da dívida dos países em desenvolvimento
- Em cooperação com as
empresas farmacêuticas, assegurar o acesso a medicamentos essenciais a preços
comportáveis, nos países em desenvolvimento
- Em cooperação com o
sector privado, tornar acessíveis os benefícios das novas tecnologias, em
especial nas áreas da informação e da comunicação (TIC)
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ALGUNS FACTOS
- A ajuda pública ao
desenvolvimento continua a representar 0,31% do rendimento nacional combinado
dos países desenvolvidos, situando-se ainda muito abaixo da meta das Nações
Unidas de 0,7%. Apenas cinco países atingiram ou mesmo ultrapassaram essa meta.
- O peso da dívida dos países em desenvolvimento está a diminuir e mantém-se
bastante inferior aos níveis históricos.
- Apenas
1 em cada 6 pessoas tem acesso à Internet, nos países em desenvolvimento.
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EM QUE PONTO ESTAMOS?
A ajuda pública ao
desenvolvimento (APD) continua a aumentar, apesar da crise financeira, mas, em
África, a situação mudou pouco e a ajuda continua a situar-se abaixo das
expectativas. Em 2009, os desembolsos líquidos de APD
ascenderam a quase 120 mil milhões de dólares, o nível mais elevado de sempre.
Em termos reais, isto representa um ligeiro aumento (0,7%) em relação a 2008, embora
em dólares correntes dos EUA, a APD tenha diminuído mais de 2%.
Na
Cimeira do Grupo dos Oito, em Gleneables, e na Cimeira Mundial das Nações
Unidas, em 2005, os doadores comprometeram-se a aumentar a APD, de modo a
atingir 146 mil milhões de dólares, em 2010. Actualmente, prevê-se que, em 2010, a APD ronde os 126 mil milhões de dólares.
Este défice de ajuda afecta especialmente África. Calcula-se que África apenas
vá receber cerca de 11 mil milhões de dólares dos 25 mil milhões dólares suplementares
prometido em Gleneagles.
No que se refere à maioria dos
países doadores, a ajuda continua a situar-se muito abaixo da meta das Nações
Unidas de 0,7% do rendimento nacional bruto. Apenas cinco países atingiram ou ultrapassaram a meta da
ONU: a Dinamarca, o Luxemburgo, os Países Baixos, a Noruega e a Suécia. Os
maiores doadores, em termos de volume, em 2009, foram os Estados Unidos,
seguindo-se-lhes a França, a Alemanha, o Reino Unido e o Japão.
A ajuda tem vindo a
concentrar-se progressivamente nos países mais pobres. Os países menos
avançados receberam aproximadamente um terço do total dos fluxos de ajuda dos
doadores.
Os países em desenvolvimento
passaram a ter maior acesso aos mercados dos países desenvolvidos. A proporção de importações – excluindo armas e
petróleo – dos países desenvolvidos provenientes dos países em desenvolvimento
atingiram quase 80%, em 2008, o que representa um aumento acentuado em relação aos
54% de 1998. Isto deve-se, em grande medida, à eliminação das tarifas de
importação, decorrente do tratamento de “nação mais favorecida”.
Os países menos avançados
estão a beneficiar de reduções tarifárias. As tarifas de importação impostas pelos países
desenvolvidos aos produtos agrícolas, têxteis e vestuário mantiveram-se
elevadas. No entanto, os países menos avançados continuam a beneficiar de
tarifas preferenciais, especialmente no que se refere aos produtos agrícolas
(1,6% em comparação com 8%, no caso de outros países em desenvolvimento).
O peso da dívida dos países em
desenvolvimento está a diminuir e mantém-se bastante inferior aos níveis
históricos. Quarenta
países reúnem as condições necessárias para beneficiar de uma redução da dívida
no âmbito da iniciativa a favor dos Países Pobres Muito Endividados. Trinta e
cinco desses países viram reduzidos em 57 mil milhões de dólares os futuros
pagamentos da sua dívida e 28 países receberam ajuda adicional, no valor de 25
mil milhões de dólares, no âmbito da Iniciativa Multilateral de Redução da
Dívida. Mas as principais iniciativas a favor da redução da dívida estão a
terminar e diversos países de baixo e e médio-baixo rendimento estão
sobreendividados ou correm o risco de sobreendividamento.
O acesso às tecnologias da
comunicação e informação (TIC) está a aumentar. Estima-se que, no final de 2009, a nível mundial, 4,6 mil
milhões de pessoas tivessem acesso a serviços de telemóveis, o equivalente a uma assinatura de telemóvel para 67
pessoas em 100. O crescimento da telefonia móvel continua a ser mais acentuado
no mundo em desenvolvimento, onde, no final de 2009, a penetração dos
telemóveis ultrapassara os 50%. Na África Subsariana, onde a penetração da rede
fixa de telefonia continua a ser de 1%, o acesso a telemóveis já excedeu os
30%.
O acesso à Internet continua a
aumentar, mas está ainda vedado à maioria da população do mundo. No final de 2008, 1,6 milhões de pessoas, ou seja,
23% da população mundial, utilizavam a Internet. Nas regiões desenvolvidas, a
percentagem continua a ser muito superior à do mundo em desenvolvimento, onde
apenas 1 em cada 6 pessoas está ligada à Internet. No Sul da Ásia, na Oceânia e na África Subsariana, apenas 6%
da população tem acesso à Internet.
O QUE RESULTOU
- Aumentar a participação dos países em desenvolvimento no
comércio mundial. A proporção do comércio mundial correspondente às
economias em desenvolvimento e em transição aumentou para mais de 40%, em
comparação com 35%, em 2000, não obstante a incapacidade de levar a bom termo o
ciclo de negociações de Doha sobre o comércio. Além disso, as economias em
desenvolvimento e de transição atraem agora metade do investimento directo
estrangeiro (IDE) mundial e são a fonte de um quarto das saídas de IDE. O
volume dos fluxos de IDE provenientes desses países é mais de cinquenta vezes
superior ao de 1990.
- Reforçar a cooperação Sul-Sul: Segundo o Relatório do Secretário-Geral da ONU
sobre o Estado da Cooperação Sul-Sul (2009), 40% do IDE proveniente do Sul vai
para os países menos avançados muito vulneráveis, muitos dos quais acabam de
sair de um conflito. O IDE procedente de África, por exemplo, representa mais
de metade dos fluxos destinados ao Botsuana, República Democrática do Congo,
Lesoto e Malávi, contribuindo para uma maior estabilidade, para a redução da
pobreza e para uma maior coerência regional na África Subsariana.
- Transformar
a dívida em fundos públicos: Vários
países recorreram a iniciativas como
Conversão da Dívida em Projectos de Desenvolvimento e Fundos Virtuais de
Pobreza para converter a dívida em fundos públicos utilizados para combater a
pobreza. No Egipto, no quadro de um acordo Troca de Dívidas por Programas de
Desenvolvimento??, estabelecido com a Itália, foram executados 53 projectos de
desenvolvimento com um orçamento de 149 milhões de dólares, entre 2001 e 2006.
No Chade, Gana, Honduras, Nigéria, Tanzânia e Zâmbia, os Virtual Poverty Funds tiveram um
impacto positivo nos indicadores de desenvolvimento e na despesa pública.
O QUE ESTÁ A FAZER A ONU?
- A terceiraConferência das Nações Unidas sobre os
Países Menos Avançados (2001, Bruxelas) ajudou a galvanizar o apoio
internacional às 50 economias nacionais mais vulneráveis e definiu as condições
para aumentar a Ajuda Pública ao Desenvolvimento e o acesso ao comércio e
melhorar a governação nacional. Terá lugar em Istambul (Turquia), em 2011, uma
conferência de seguimento que avaliará os resultados do plano de acção decenal
e adoptará novas medidas relativas aos países menos avançados, na próxima
década.
- Na Conferência Internacional sobre Financiamento do
Desenvolvimento (2002,
Monterrey, México) ganhou forma um novo consenso Norte-Sul, que superou as
fracturas anteriores. Entre os
avanços conseguidos figuraram um acordo sobre os princípios de um crescimento
económico sustentável e promessas, por parte dos países doadores, que puderam
termo a uma década de estagnação ou de declínio da Ajuda Pública ao
Desenvolvimento. Numa conferência de seguimento, em Doha (Catar), em 2008,
foram aprovadas medidas fortes para conter a crise económica, restabelecer um
crescimento económico sustentado e reformar a arquitectura financeira
internacional.
- A Conferência de Alto Nível das Nações Unidas
sobre Cooperação Sul-Sul (2009, Nairobi) demonstrou que a cooperação entre
os países em desenvolvimento – através da ajuda, do comércio, da assistência
técnica e do investimento – está a ter um papel destacado nos avanços em
matéria de realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e incentivou
os países do Sul a promoverem essa inestimável parceria.
- Em Maio de
2009, perto do início da pandemia do
H1N1, o Secretário-Geral Ban Ki-moon e a Directora-Geral da Organização
Mundial de Saúde (OMS) conseguiram que as empresas farmacêuticas doassem pelo
menos 10% da sua produção de vacinas aos países pobres.
- A GAVI Alliance (Aliança Mundial para as
Vacinas e a Vacinação) – uma parceria público-privada mundial para a saúde, de
que fazem parte a OMS, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o
Banco Mundial – está a trabalhar no sentido de acelerar o acesso a vacinas,
reforçar os sistemas de vacinação e introduzir novas tecnologias de vacinação.
Desde o seu lançamento, em 2000, a GAVI Alliance ajudou a evitar mais de 1,7
milhões de mortes.
- No início
da revolução da Internet, a ONU e o seu Conselho Económico e Social (ECOSOC)
tiveram um papel destacado na promoção das vantagens da nova ordem digital para
os países em desenvolvimento e, juntamente com a União Internacional das
Telecomunicações (UIT), na melhoria do seu papel na governação da Internet. A Aliança Mundial para as TIC e o
Desenvolvimento (GAID), um órgão da ONU, está a ajudar a reduzir o fosso
digital, facilitando parcerias público-privadas.
Fontes: Relatório sobre os Objectivos de
Desenvolvimento do Milénio 2010, Nações Unidas; UN MDG
Database (http://mdgs.un.org); MDG Monitor Website (www.mdgmonitor.org); What Will it
Take to Achieve the Millennium Development Goals? --
An International Assessment 2010, Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD); MDG Good
Practices 2010, Grupo das Nações Unidas para o Desenvolvimento; World
Investment Report 2010, Conferência das Nações Unidas
sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED); World Situation and Prospects 2008, Departamento de Assuntos
Económicos e Sociais da ONU (UN DESA).
Para mais informações, é favor contactar
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ou visitar www.un.org/millenniumgoals.
Publicado pelo Departamento de Informação Pública da ONU
– DPI/2517 H – Setembro de 2010