As Nações Unidas lançaram, hoje, um apelo para intensificar os esforços para melhorar a saúde materna e intensificar a luta contra a mortalidade infantil, pois os progressos têm sido muito lentos nestes domínios que fazem parte dos Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento (ODM).
“Em cada minuto que passa, uma mulher morre durante a gravidez ou o parto, o que significa que morrem mais de 500 000 por cada ano. E, anualmente, mais de um milhão de recém-nascidos morre durante as primeiras 24 horas de vida por falta de cuidados médicos”, lembrou a UNICEF, hoje, durante uma Reunião de Alto Nível sobre os ODM na Assembleia-Geral.
No plano sanitário a mortalidade materna é a desigualdade mais marcante no mundo, lamenta a UNICEF, que precisa que 99 % das mortes maternas se registam nos países em desenvolvimento, sendo que metade ocorre em África. No Níger, uma mulher em cada sete morre por causas relacionadas com a gravidez, enquanto na Suécia a proporção é de uma em 17 400. No entanto, a grande maioria das mortes maternas e infantis pode ser prevenida.
Durante uma conferência de imprensa na Sede das Nações Unidas, os Primeiros- Ministros da Noruega e do Reino Unido, Jens Stoltenberg e Gordon Brown, o Presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, a Directora-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, e Bill Gates, presidente da Fundação Bill e Melinda Gates, sublinharam a necessidade de encontrar novos meios de financiamento para consolidar os sistemas de saúde nos países mais pobres.
Jens Stoltenber, considerou que, no domínio da saúde materna, não fora alcançado qualquer progresso significativo, até à data. Referindo-se aos resultados do primeiro relatório da campanha mundial para os OMD no domínio da saúde, salientou que, para salvar 3 milhões de mães e 7 milhões de recém-nascidos, até 2015, seriam necessários disponibilizar 2,5 mil milhões de dólares para 2009.
Considerou que as causas destas mortes são evitáveis e que se devem apenas à falta de vontade política. Jens Stolberg expressou o desejo de que a comunidade internacional “não só faça mais como faça melhor”. Citou, neste contexto, as actuais iniciativas encorajadoras na Índia e no Ruanda, onde o apoio do pessoal de saúde das comunidades locais permitiu a redução substancial das taxas de mortalidade infantil nestes países.
Margaret Chan chamou a atenção para a urgência de colmatar as lacunas que estão na origem “de milhões de mortes inúteis” todos os anos. “Por que razão tantas jovens morrem de hemorragia durante o parto? Porque não existem meios de transporte fiáveis que liguem as zonas remotas e os dispensários”, afirmou. “E por que morrem nesses dispensários? Porque estes serviços não possuem bancos de sangue dignos desse nome”, acrescentou a Margaret Chan.
(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 25/09/2008)