O Secretário-Geral Ban Ki-moon disse aos dirigentes mundiais que é tempo de injectar uma nova dose de energia na parceria mundial, a fim de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), se os países pretendem reduzir drasticamente a pobreza, o analfabetismo e outros males socioeconómicos até 2015, data-limite do prazo fixado para esse efeito.
"Embora estejamos a avançar na direcção certa, não o estamos a fazer suficientemente depressa", declarou Ban Ki-moon, ao abrir a reunião de alto nível realizada na Sede da ONU em Nova Iorque para identificar lacunas e novas medidas destinadas a acelerar o avanço em direcção à consecução dos ODM.
Convocada conjuntamente por Ban Ki-moon e o Presidente da Assembleia Geral, Miguel D'Escoto, a reunião de hoje surge poucos dias depois de um novo relatório das Nações Unidas constatar que o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis e o abrandamento económico mundial estão a impedir a realização de progressos no que se refere a metas como a erradicação da pobreza extrema e da fome, o ensino primário universal e a redução da mortalidade infantil, pondo em risco a probabilidade de se virem a realizar alguns destes objectivos.
"A actual crise financeira representa uma ameaça para milhares de milhões de pessoas, sobretudo para os mais pobres dentre os pobres", disse Ban Ki-moon, acrescentando que esta situação só vem agravar os danos que os preços muito mais elevados dos alimentos e dos combustíveis estão a causar.
O Secretário-Geral frisou que tem havido muitos êxitos, referindo nomeadamente os 7,5 milhões de vidas que foram salvas graças à vacinação contra o sarampo, os avanços na luta contra a SIDA e o aumento da escolarização em vários países africanos.
Por outro lado, o número de pessoas pobres na África Subsariana aumentou efectivamente entre 1990 e 2005. Além disso, existem disparidades "preocupantes" entre os sexos nos domínios da saúde, educação, emprego e empoderamento.
"Temos de enfrentar estes desafios imediatamente", afirmou o Secretário-Geral. "Temos de injectar uma nova dose de energia na parceria mundial para o desenvolvimento".
Miguel D'Escoto disse que os avanços realizados até à data em direcção à consecução dos Objectivos têm sido "limitados", salvo raras excepções; muitos países estão a ficar para trás e não deverão atingir os Objectivos dentro do prazo fixado.
"Oito anos após termos adoptado a Declaração do Milénio, a desigualdade mundial mantém-se exactamente igual e, desde 2000, poderá até ter-se acentuado, e o planeta corre o grave risco de não conseguir satisfazer as necessidades básicas dos pobres", disse o Presidente da Assembleia Geral aos participantes.
(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 25/09/2008)