Quinta, 02 Outubro 2014
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Participação das mulheres no desenvolvimento e na tomada de decisões, temas da sessão da Comissão da Condição da Mulher

Como reforçar a participação das mulheres no desenvolvimento e criar um ambiente propício à igualdade de género, nomeadamente na educação, na saúde e no trabalho e como garantir que acedam, também em condições de igualdade, à tomada de decisões a todos os níveis? É a estas perguntas que as delegações e grupos de peritos que participam nos trabalhos da Comissão da Condição da Mulher tentarão responder.

A Comissão realizará a sua sessão, que será a 50a, de 27 de Fevereiro a 10 de Março (1), no quadro do seguimento da 4a Conferência Mundial sobre a Mulher e da 23a sessão extraordinária da Assembleia Geral intitulada “As mulheres no ano 2000: igualdade de género, desenvolvimento e paz para o século XXI”.

No relatório sobre o reforço da participação da mulher no desenvolvimento (2), o Secretário-Geral considera que é importante adoptar uma abordagem mais coerente e integrada para favorecer um ambiente propício à igualdade. Explica que devido, nomeadamente, a um desfasamento entre as políticas mundiais de desenvolvimento nacional e as políticas e estratégias a favor da igualdade de género; as mulheres sofrem de sub-representação persistente. A isto acrescenta-se a promoção insuficiente dos seus direitos fundamentais, a persistência de práticas e comportamentos sócio-culturais discriminatórios e a violência contra elas. Outros factores como a globalização e os conflitos armados têm igualmente entravado a criação de um quadro propício à igualdade de género e ao empoderamento das mulheres, nomeadamente no domínio da educação, da saúde e do emprego.

Além disso, explica o Secretário-Geral, o empoderamento das mulheres não é integrado nos quadros e programas nacionais de desenvolvimento. A análise por sexo não é utilizada de forma sistemática e efectiva no planeamento, como preconiza o Programa de Acção de Beijing. O reforço do quadro propício à participação das mulheres continua a esbarrar em obstáculos institucionais como a ausência de mecanismos de seguimento e de controlo da inclusão das mulheres. A ausência de dados desagregados por sexo sobre a participação das mulheres noutros domínios de decisão como a economia, a universidade, a justiça e os meios de comunicação social, impede que se acompanhem sistematicamente os progressos realizados.

No domínio do mercado laboral, a segregação horizontal e vertical baseada no sexo persiste no mundo inteiro, afirma outro relatório do Secretário-Geral . Tal discriminação concentra as mulheres em certas profissões ou impede-as de se tornarem quadros. A gravidade do problema varia de um país para o outro. A segregação profissional dos sexos tem, muitas vezes, origem na concepção cultural e social daquilo que constitui um emprego “masculino” ou “feminino” assim como na desigualdade do acesso dos homens e das mulheres à educação e à formação. As disparidades entre os salários de mulheres e homens subsistem e, se as estatísticas mundiais recentes mostram que as mulheres continuam a ocupar cada vez mais postos de direcção, a verdade é que os progressos ainda são lentos e desiguais.

No que se refere à participação das mulheres na tomada de decisões , registaram-se progressos constantes, mas muito lentos. Segundo os dados recolhidos pela União Interparlamentar, a representação das mulheres nos parlamentos nacionais tem aumentado constantemente nos últimos 10 anos. Quando a primeira Conferência Mundial sobre a Mulher teve lugar no México, em 1975, as mulheres representavam 10,9% dos deputados nos parlamentos do mundo. A percentagem de mulheres nas câmaras baixas dos parlamentos atingiu 13,4% em 2000.

A União Interparlamentar considera porém que, se o ritmo actual se mantiver, só se atingirá a média mundial de 30% de mulheres nos parlamentos em 2025 e a igualdade de género neste domínio só será alcançada em 2040.
A Comissão discutirá igualmente se será aconselhável designar uma relatora especial encarregada de examinar as leis discriminatórias em relação às mulheres.




(1)  A ordem do dia provisória anotada e o projecto de organização dos trabalhos constam do documento E/CN.6/2006/1
(2)  Relatório E/CN.6/2006/12


(Fonte: Comunicado de imprensa WOM/1538 de 24/02/2006)


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