Segunda, 21 Abril 2014
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E depois do Occupy…

E depois do Occupy…

A estudante norueguesa Ragnhild Freng Dale foi apanhada pelos ventos democráticos que atravessaram o ano passado a cidade de Londres, onde estudava. Se quisermos usar as assembleias animadas do movimento...

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E depois do Occupy…

occupy ragnhild webA estudante norueguesa Ragnhild Freng Dale foi apanhada pelos ventos democráticos que atravessaram o ano passado a cidade de Londres, onde estudava. Se quisermos usar as assembleias animadas do movimento Occupy com participação directa como um exemplo, é fácil de ver como esta estudante foi apanhada. Com o “microfone do povo,” em vez de um sistema electrónico, a multidão repete o que é dito de forma a que todos consigam ouvir o orador. De uma forma menos repetitiva e ruidosa, a activista e co-editora do Occupied Times dá-nos a sua opinião nesta entrevista sobre o movimento Occupy e a participação.

Como é que surgiu o Occupy?
Sempre foi dito às pessoas no Reino Unido, e em todo o mundo, que os bancos eram “too big to fail” (demasiado grandes para falhar) e que cortar no Estado de providência e nos serviços públicos era a única alternativa.  As primeiras ocupações foram uma resposta a um sistema que valorizava mais os lucros do que as pessoas, e as pessoas que fizeram a ocupação estavam cansadas de serem ignoradas, estruturalmente silenciadas e humilhadas. Queriam ser vistas, ouvidas e levadas a sério.

O maior bem do Occupy era a sua capacidade de envolver pessoas de todo o espectro político. Quer se gostasse ou não do movimento, os acampamentos eram difíceis de ser ignorados, e a abertura radical do espaço público significava que qualquer pessoa que se dirigisse à ocupação inevitavelmente se tornava parte daquilo que se passava.

O que é hoje o Occupy?
O Occupy não é um grupo de pessoas, nem nunca foi. Diria que o Occupy London, como conceito, despareceu, apesar de algumas pessoas se manterem ligadas àquilo que, na melhor das hipóteses, pode ser chamado de “campanha de RP”. O mundo real dos indivíduos que estavam envolvidos no Occupy pode ser visto em todo o lado, onde deram início a novas iniciativas sem o nome “original”. Alguns apoiam comunidades locais para evitar que as bibliotecas encerrem, outros ocupam edifícios vazios para gerirem centros comunitários, envolvem-se no activismo ambiental contra o fracking, ou gerem iniciativas de media independente, para mencionar alguns.

Nos EUA, os grupos do Occupy transformaram-se em iniciativas de assistência de emergência a desastres com o nome de Occupy Sandy, tendo fornecido as maiores acções de coordenação depois do furacão Sandy tem atingido Nova Iorque. O Estado e as organizações voluntárias foram ambos lentos a dar respostas, enquanto que as redes do Occupy conseguiram mobilizar um grande número de voluntários em muito pouco tempo. Um mês após o furacão, são os activistas do Occupy que percorrem as casas, cozinham refeições e fornecem apoio às famílias.

Outra iniciativa nos EUA depois do Occupy Wall Street é a StrikeDebt, que acabou de iniciar um Rolling Jubilee. Estão a angariar verbas para pagar os empréstimos das pessoas. Não para beneficiar dos mesmos (como é normal), mas para amortizá-los e eliminá-los por completo. Isto está ainda numa fase inicial, mas já angariaram 450 000 dólares, que podem acabar com 9 000 000 de dólares de dívidas de americanos comuns que foram forçados a pedir empréstimos para pagar contas médicas, alojamento, educação e outros bens básicos para viverem. Está prestes a surgir uma iniciativa no Reino Unido com origem em algumas das redes mais radicais mencionadas acima. 

Acham que estão a ser ouvidos?  
O governo e a comunicação social nunca estiveram interessados em ouvir. Se olhar para a violência com que o governo e a polícia reagiram contra manifestantes pacíficos em quase todos os países com uma ocupação, consegue ver-se claramente que isto é algo que a elite política não gosta, muito pelo contrário.

A comunicação social é outra história:  no início, todos estavam a cobrir o Occupy, mas essencialmente descrevendo-o como um movimento “confuso” que não tinha líderes e que não sabia o que queria. É difícil explicar em duas frases como um movimento não hierárquico funciona, e as mensagens foram muitas vezes destorcidas. Falamos de liberdade de imprensa, mas a comunicação social predominante é largamente financiada por pessoas e corporações que têm interesses amplamente opostos aos do movimento Occupy. Isto não quer dizer que os jornalistas individuais e as publicações não sejam simpatizantes ou apoiem o movimento mas, no geral, a tendência é diferente. 

Diria que estamos a ser ouvidos por aqueles que estão dispostos a ouvir. O meu principal envolvimento desde Janeiro tem sido participar na equipa editorial do Occupied Times of London, um jornal radical que publica artigos sobre assuntos como economia, ambiente, sociedade e activismo. Para dar um exemplo, possuímos um conjunto de leitores sólido e fiel, e somos encorajados pelas pessoas que vêm até nós e nos mostram o seu apoio ou nos escrevem.

Especialmente depois dos acampamentos terem desaparecido, é cada vez menos sobre sermos ouvidos e mais sobre desenvolvermo-nos para sermos a mudança que queremos ver.

De que forma o Occupy é uma reacção às possibilidades de participação das pessoas?
Chomsky disse numa entrevista ao Democracy Now! que o Occupy tinha trazido solidariedade aos EUA de uma forma que nunca tinha sido vista antes. Acrescentaria que também mostrou a impossibilidade de representação: nenhum indivíduo poderia representar as opiniões colectivas ou de outros indivíduos que participaram.

Apesar de muita da actual “cultura de auditoria” falar sobre partes interessadas e consultas públicas antes do desenvolvimento de planos, notamos que em grande parte as pessoas são “ouvidas”, mas depois ignoradas no que toca às decisões concretas. Nos acampamentos do Occupy, um bloqueio era um bloqueio real; uma decisão não poderia ser implementada sem ter sido alcançado um consenso pleno. Apesar disto ser difícil de reproduzir a grande escala, aponta, no entanto, para um factor crucial que parece termos esquecido na política contemporânea: nunca demos consentimento para os nossos serviços públicos serem eliminados. Nunca demos o nosso consentimento para as indústrias de exploração operarem – simplesmente é-nos dito que é assim que o sistema funciona, que isso é o senso comum.

Por que razão o Occupy é importante?
O que para mim é mais importante no Occupy é que mostra que a lógica do capitalismo simplesmente não funciona. As pessoas podem mostrar solidariedade, abertura e cooperação com estranhos, e podem fazer coisas fantásticas se concordarem em desenvolver juntos as estruturas certas. O acampamento foi como uma trégua do mundo exterior, um espaço onde o debate político real poderia ter lugar e onde podiam ser testadas alternativas.

“O sistema” só é muito grande para falhar porque é-nos retirada a possibilidade de imaginar uma alternativa. O Occupy nos acampamentos, assim como as fénixes a renascer das cinzas, mostram que as pessoas são capazes de se organizar de formas diferentes, onde existe participação directa e organização democrática sem uma autoridade global. Dá-me esperança de que podemos verdadeiramente trabalhar em algo melhor.


 Dia em Memória das Vítimas do Genocídio do Ruanda

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