Com o aprofundar da crise económica e o debate público cada vez mais aceso sobre possíveis soluções, as paredes das cidades de
Os tipos de “trabalhos de parede” podem ser simples frases com uma mensagem política ou filosófica, a trabalhos mais elaborados que podem até ser considerados arte. Segundo Ricardo Campos, aquilo que se encontra com mais frequência nas ruas das nossas cidades são os graffiti, geralmente associados à cultura hip-hop, que surgiu nos anos setenta nos EUA e que chegou à Europa Ocidental alguns anos mais tarde. “Mais recentemente, assistimos em Portugal à emergência das chamadas paredes políticas, que estavam esquecidas desde o período pós-revolução”, diz Ricardo Campos, referindo-se ao fenómeno específico das pinturas nas paredes com mensagens de contestação social, “apesar de no período pós-revolução a maioria das paredes pintadas terem sido parte de estratégias de comunicação política lideradas pelos partidos existentes (nomeadamente os partidos de esquerda), notamos que hoje as pessoas responsáveis por essas pinturas na parede são normalmente cidadãos isolados, associações e grupos de cidadãos não formais ”, acrescenta.
Segundo este especialista em arte
Serem acessíveis, baratas e isentas de processos burocráticos são as principais razões para os cidadãos escolherem este meio de expressão. “Podemos dizer que são o recurso mais democrático por estar acessível a todos os cidadãos. Se o cidadão comum não possuir uma voz nos meios de comunicação social, pode fazer-se ouvir através das pinturas nas paredes”, explica Ricardo Campos. Relativamente ao potencial impacto destas expressões, diz que “o impacto transcende largamente o âmbito local”, em particular através da disseminação de fotografias destas pinturas na Internet. Este aspecto evidencia a relação entre as pinturas de parede e os meios de comunicação digitais, que, segundo Ricardo Campos, é bastante complementar. “Por definição, as pinturas de parede são efémeras. Não duram muito tempo, uma vez que não estão oficialmente protegidas. Mas agora, as plataformas digitais são uma forma de as perpetuar, funcionam