Quinta, 24 Abril 2014
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OMS: é possível reduzir impacto das doenças tropicais negligenciadas

“O sofrimento e as incapacidades causados por um grupo de doenças infecciosas crónicas, que encontramos quase exclusivamente entre as populações muito pobres, poderiam ser, hoje em dia, reduzidos substancialmente”, sublinha um relatório publicado na quinta-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O estudo, intitulado Working to overcome the global impact of neglected tropical diseases, debruça-se sobre 17 doenças tropicais negligenciadas que prosperam nos meios sociais pobres, onde as habitações são amiúde de qualidade inferior, o ambiente insalubre, com a presença de insectos e animais vectores de propagação dessas doenças.

“Trata-se de doenças debilitantes e, frequentemente, terríveis, que, todavia, são aceites como se fizessem parte da miséria e da pobreza”, sublinhou a Directora da OMS, Margaret Chan. “As estratégias enunciadas no presente relatório são um avanço. Se forem postas em prática, podem reduzir consideravelmente o peso dessas doenças, provocando uma ruptura dos ciclos de infecção e de invalidez e permitindo a eliminação de alguns dos motivos que mantêm as pessoas na pobreza”.

As consequências a longo prazo das infecções variam, mas as mais graves provocam cegueira, cicatrizes desagradáveis, úlceras, dores crónicas, deformações dos membros, alterações do desenvolvimento mental e físico ou danos nos órgãos internos. Em 149 países do mundo, essas doenças são endémicas e ameaçam a vida de pelo menos mil milhões de pessoas.

“Doravante, as provas são esmagadoras. As intervenções existentes, que incluem tratamentos simples e eficazes, têm um impacto real. Alargando a cobertura desses tratamentos, podemos, evitar o aparecimento de muitas dessas doenças. É uma ocasião única de erradicar determinadas doenças muito antigas”, insistiu ainda Margaret Chan.

Tal como mostra o relatório da OMS, foi a falta de recursos que, durante muito tempo, constituiu um problema para lançar campanhas que tivessem como objectivo grandes populações muito pobres. No entanto, esse obstáculo tende cada vez mais a ser ultrapassado pelas dádivas de medicamentos da indústria farmacêutica. Na quinta-feira, quando do lançamento do relatório da OMS, vários laboratórios internacionais anunciaram novos compromissos para tratamentos contra a lepra, a helmintíase, que atinge as crianças em África, a leishmaniose, a úlcera de Buruli, a doença de Chagas ou a filariose linfática.

Segundo o relatório da OMS, as acções levadas a cabo nestes últimos anos para atenuar o impacto das doenças tropicais negligenciadas têm dado resultados sem precedentes. Em 2008, foram oferecidos tratamentos de quimioterapia preventiva a 670 milhões de pessoas, em 2008. Graças à educação sanitária e à prevenção, a dracunculose, também chamada “doença do verme da Guiné”, está prestes a ser erradicada. O número de casos declarados de doença do sono diminuiu drasticamente, tendo atingido o seu nível mais baixo em 50 anos. Ao ritmo actual, a filariose linfática poderia ser eliminada na próxima década.

No seu relatório, a OMS refere todavia um determinado número de desafios que existem ainda para atenuar o sofrimento das populações atingidas por propagações endémicas dessas doenças tropicais negligenciadas. A organização mundial sublinha nomeadamente que os sistemas de distribuição e administração dos tratamentos devem ser reforçados.

“A utilização das escolas primárias como plataforma de tratamento de milhões de crianças contra a schistosomíase e as helmintíases, em África, é um exemplo perfeito de eficácia. Permite proporcionar possibilidades de alargar a administração de medicamentos à educação sanitária, e de garantir assim a boa saúde das gerações futuras”, referiu o Director do Departamento de Controlo das Doenças Tropicais Negligenciadas, no seio da OMS, Lorenzo Savioli.

“O relatório mostra-nos como fazer melhor coisas correctas e a uma escala ainda maior. É um rude golpe para determinadas doenças antigas, um duro golpe para o aparente ciclo sem fim da pobreza e uma grande vitória”, afirmou, pelo seu lado, a Directora da OMS, Margaret Chan.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 14/10/2010)

 


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