Mais de quatro meses após as piores inundações da história do Paquistão, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou para a ameaça que a chegada do Inverno representa para centenas de milhares de crianças, que sofrem já, numa proporção elevada, de infecções respiratórias agudas e malnutrição.
“Esta crise está longe do seu termo. Tem evoluído de maneiras muito diferentes de uma ponta à outra do Paquistão e as operações humanitárias têm vindo a adaptar-se rapidamente à evolução das necessidades das crianças,” afirmou o Director Regional da UNICEF para o Sul da Ásia, Daniel Toole.
Os novos casos de poliomielite estão a propagar-se rapidamente, tendo-se já registados até à data 126 casos, em comparação com os 89 casos no ano passado. Este número é preocupante, especialmente porque o governo paquistanês conseguiu progressos significativos no sentido da erradicação dessa doença, actualmente comprometidos pela sobrelotação nos campos de deslocados e as fracas condições de higiene que predominam nas zonas a afectadas.
“Embora a maior parte das pessoas tenha regressado à sua região de origem, muitos voltaram a zonas de destruição quase total – sem casa, nem colheitas, alimentos ou dinheiro”, prosseguiu Daniel Toole.
“No Norte, já nevou; estamos a entregar vestuário de Inverno e artigos que ajudem as famílias a prepararem-se. No Sul, por seu lado, o recuo das águas é muito lento e mais de um milhão de pessoas continuam deslocadas. Nos próximos meses, o frio vai fazer aumentar consideravelmente o número de infecções respiratórias e a malnutrição, duas das principais causas de mortalidade das crianças paquistanesas”, acrescentou.
As chuvas diluvianas que se abateram sobre o país no fim de Julho e início de Agosto provocaram inundações dramáticas num quinto da superfície do Paquistão, afectando mais de 20 milhões de pessoas. Cerca de 10 000 escolas e centros de saúde rurais foram total ou parcialmente destruídos, bem como os sistemas de distribuição de água e saneamento, as pontes e estradas.
Desde o início das operações de ajuda humanitária, a UNICEF forneceu água potável a 2,8 milhões de pessoas. Esta agência das Nações Unidas construiu igualmente instalações sanitárias para um milhão e meio de pessoas e participou, em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o governo do Paquistão, na vacinação de mais de nove milhões de crianças contra o sarampo e a poliomielite.
Na perspectiva do Inverno, a UNICEF começou também a distribuir roupas quentes para crianças e cobertores. Porém, milhões de famílias continuam a precisar de assistência, em particular aquelas que vivem no Norte do país, onde o Inverno é extremamente difícil: fornecimento de água, medicamentos e suplementos nutricionais.
Para prosseguir as suas operações em 2011, a UNICEF precisa de 82 milhões de dólares, nomeadamente para lutar contra a malnutrição e interromper a propagação da poliomielite.
“A amplitude da catástrofe e da ajuda por prestar continua a ser enorme. O impacto das cheias far-se-á sentir durante vários anos, pelo que, quanto mais depressa agirmos para ajudar as crianças, mais depressa as famílias se restabelecerão. Assim, existe uma necessidade urgente de fundos, para que possamos realizar melhor o nosso trabalho”, concluiu o Director Regional da UNICEF para o Sul da Ásia.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 7/12/2010)