O apelo a fundos revisto, no montante de 2 mil milhões de dólares, para ajudar as vítimas das cheias do Paquistão, o mais importante lançado alguma vez pela ONU e os seus parceiros para uma catástrofe natural, está coberto apenas até 34%, referiu, na sexta-feira, o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), enquanto o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, apelava a um apoio internacional mais generoso e mais rápido.
Um mês após o primeiro apelo a fundos, no valor de 460 milhões, lançado em Agosto, a ONU pedira, em Setembro, à comunidade internacional quatro vezes mais fundos perante a amplitude das cheias e o número de vítimas: 2000 mortos, cerca de 20 milhões de deslocados, a destruição total ou parcial de 1,9 milhões de lares, numa superfície de 160 000 quilómetros quadrados.
“Continuo a exortar a comunidade internacional a responder generosa e rapidamente ao apelo a fundos, bem como aos esforços de reconstrução e recuperação”, afirmou Ban Ki-moon, numa mensagem dirigida ao “Fórum dos Amigos do Paquistão Democrático”, um encontro anual criado em 2008 e que decorre neste momento em Bruxelas.
“Congratulo-me com a apresentação, pelo Governo paquistanês, de um plano de reconstrução nacional e de um plano de desenvolvimento”, acrescentou, na sua mensagem, lida pelo Secretário-Geral Adjunto para os Assuntos Políticos, B. Lynn Pascoe, presente em Bruxelas.
Pelo seu lado, em Genebra, o OCHA precisou que, dos dois mil milhões de dólares do apelo de fundos, os Estados-membros haviam doado apenas 690 milhões.
“A crise está longe de ter terminado”, alertou a porta-voz do OCHA, Elisabeth Byrs, durante uma conferência de imprensa na sede da organização, antes de fazer o ponto da situação.
“No Sul, na província de Sindh, uma das mais duramente atingidas, 386 000 pessoas regressaram a suas casas, dentre os cerca de 1,4 milhões de deslocados que viviam nos campos ou estabelecimentos informais”, afirmou, precisando todavia que inúmeros sobreviventes estavam rodeados por águas estagnadas e precisavam de ajuda de emergência.
“Os relatórios referem também que pessoas que regressam a suas casas são obrigadas a partir de novo, em virtude da falta de fontes de água potável e de acesso aos serviços básicos. A situação em Sindh continua a ser muito preocupante, com necessidade urgente de alimentos, abrigos, água potável, medicamentos e kits de higiene”, acrescentou.
Em seguida, pôs a tónica na situação no Norte do Paquistão, primeira região atingida pelas inundações do Verão, antes de se terem propagado ao resto do país.
“Na província de Kyber Pakhtunkhwa, está a ser elaborado um plano de emergência para o Inverno, sob a direcção das autoridades provinciais e com o apoio do OCHA”, referiu, precisando que estava a ser realizado um levantamento das necessidades no Waziristão Meridional, para apurar se estão reunidas as condições para um regresso eventual das populações deslocadas.
No plano médico, o porta-voz da Organização Mundial de Saúde (OMS), Paul Garwood, comunicou que “se regista um número crescente de infecções respiratórias no Norte do Paquistão, em especial na província de Kyber Pakhtunkhwa, e no Norte do Penjabe, enquanto persistem as preocupações quanto à propagação da malária no Baluchistão”.
“As autoridades locais, os organismos especializados da ONU e as organizações não governamentais (ONG) parceiras fazem todos os esforços para evitar essas ameaças, mediante campanhas de sensibilização do público e de distribuição de medicamentos nos hospitais”, afirmou. “Desde 29 de Julho, a OMS, os organismos que prestam assistência médica e o Governo paquistanês trataram mais de 7 milhões de pacientes de uma série de doenças diarreicas, malária, infecções respiratórias e cutâneas agudas”, acrescentou.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 14/10/2010)