Registaram-se cerca de 300 000 pretensos casos de malária, incluindo alguns casos confirmados de uma forma grave da doença, nas zonas do Paquistão afectadas pelas cheias, desde o final de Julho, com uma taxa de incidência global ligeiramente acima da média dos surtos sazonais, afirmou, hoje, a Organização Mundial de Saúde (OMS).
A OMS está a apoiar o programa de controlo da malária lançado pelo Ministério da Saúde paquistanês, bem como pelos organismos de ajuda que trabalham no sector da saúde, a fim de controlar a epidemia. A OMS está a coordenar a execução no terreno de medidas preventivas e curativas.
A malária é endémica nas zonas rurais do Paquistão, onde ocorrem dois picos sazonais – em Agosto, quando se vê sobretudo a malária-vivax, mais benigna, e Outubro, quando é comum a malária-falciparum, potencialmente fatal.
Há mais de um milhão de casos de malária por ano, mas 12% das pessoas que vivem em zonas rurais são infectadas pelo parasita da malária sem apresentarem sintomas da doença.
A província do Baluchistão registou o maior número de consultas por suspeita de malária, e foi comunicado também um número crescente de casos nas províncias do Penjabe e Sindh, segundo o Sistema de Alerta Precoce de Doenças da OMS e o Ministério da Saúde.
O número crescente de casos é uma consequência das cheias que deslocaram milhões de pessoas, obrigando algumas a recorrer a abrigos precários onde estão expostas às picadas dos mosquitos. As poças de água estagnada são os locais de criação ideais para os mosquitos Anopheles, o vector da malária.
“O número total de supostos casos de malária comunicados nos distritos afectados pelas cheias é apenas ligeiramente superior ao do mesmo período em anos anteriores. No entanto, a malária-falciparum merece uma atenção especial, uma vez que é responsável por casos graves e pode ser fatal”, afirmou Guido Sabatinelli, o Representante da OMS no Paquistão.
A vigilância das doenças transmissíveis, no que se refere às doenças com tendência para se tornarem numa epidemia, foi reforçada e os especialistas em malária estão a visitar actualmente as províncias de Sindh, do Penjabe e do Baluchistão para ajudar o Ministério da Saúde a realizar a investigação do surto, formação e outras actividades de controlo da malária.
A Agency for International Development (USAID) doou 5 milhões de dólares, através da OMS, para actividades de prevenção e controlo da malária nos distritos do Paquistão afectados pelas cheias.
No âmbito da sua resposta, a OMS forneceu 320 700 kits de testes de diagnóstico rápido e adquiriu 145 000 mosquiteiros tratados com insecticida. Na semana passada, aquele organismo enviou 55 000 tratamentos à base de artemisina para a malária-falciparum e 30 000 comprimidos de primaquina, para tratamento da malária-vivax.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 12/10/2010)