Sexta, 25 Maio 2012
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Paquistão: Alto-Comissário para os Refugiados pede mais apoio às vítimas das cheias

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, apelou à comunidade internacional, para que preste mais apoio às vítimas das cheias no Paquistão, invocando a necessidade de fazer mais para “responder às necessidades dramáticas” de milhões de deslocados.

António Guterres, que chegou ao país na quarta-feira, 15 de Setembro, lançou este apelo, depois de se ter encontrado com aldeões afegãos e paquistaneses refugiados na província de Khyber Pakhtunkwa (KPK), duramente afectada pelas cheias que destruíram ou danificaram seriamente mais de 200 000 casas.

“É uma situação sem precedente. Ninguém estava preparado para um tal grau de destruição e para condições tão difíceis para as pessoas afectadas. Todos fazem o melhor que podem, mas isso não chega, dadas as necessidades dramáticas com que somos confrontados”, lamentou António Guterres. Depois de ter comprovado em primeira mão a dimensão da devastação, pediu à comunidade internacional “um empenhamento e um apoio acrescidos, para que todos nós possamos fazer mais e melhor”.

O Alto-Comissário encontrou-se com antigos refugiados afegãos do campo de Azakheil, no distrito de Nowshera (KPK), onde viviam mais de 23 000 refugiados, antes de ter sido completamente destruído. Outros quinze campos de refugiados afegãos no Paquistão foram também destruídos ou seriamente danificados, devido à subida das águas.

Depois do fim das cheias, há umas semanas, os refugiados afegãos regressaram aos campos para tentar recuperar o que ainda pode ser recuperado, como os caixilhos das janelas em madeira e os tijolos e outros bens que não foram completamente destruídos, como os livros escolares.

António Guterres tranquilizou os refugiados em relação ao seu futuro, informando-os de que que altos funcionários paquistaneses lhe haviam comunicado que  os refugiados afegãos deslocados pelas cheias não seriam obrigados a regressar ao seu país.

“Sob os escombros, encontram-se milhões de bens e objectos de valor que nos pertencem”, declarou um porta-voz dos deslocados do campo de refugiados de Azakheil. “Queremos voltar. Os nossos filhos cresceram aqui, estamos particularmente ligados a este lugar, onde vivemos desde há vinte anos”, acrescentou.

António Guterres explicou que as autoridades provinciais pensavam que, na medida em que é inundável, o local não é apropriado para se proceder a uma reconstrução, acrescentando que seria criado um comité, do qual fariam parte representantes federais, autoridades locais, o ACNUR e os refugiados, para discutir alternativas possíveis.

O Alto-Comissário visitou igualmente a aldeia de Khat Karoona Saidabad, situada perto do rio Swat. Uma comunidade de 56 famílias perdeu tudo o que possuía, logo nas primeiras horas das cheias, em finais de Julho. Nenhuma casa ficou intacta; na sua maioria, foram destruídas, o mesmo tendo acontecido às colheitas e às plantações de cana-de-açúcar que rodeavam a aldeia.

O ACNUR já distribuiu abrigos e kits compostos por telas de plástico, mosquiteiros, utensílios de cozinha e cobertores, entre outros artigos, por mais de 920 000 pessoas.

Na província de Khyber Pakhtunkwa, foram destruídas ou danificadas 192 000 casas. Sete semanas após as inundações, 786 escolas continuam a ser utilizadas para abrigar a população.

A visita de António Guterres ao Paquistão ocorre no momento em que a ONU deverá rever o seu apelo inicial a fundos, destinado a cobrir as operações de emergência. O ACNUR, que, em Agosto, pediu 120 milhões de dólares, só recebeu dos países doadores, até à data, metade dessa verba.

“A minha esperança é que a comunidade internacional compreenda a dimensão das necessidades e que a sua resposta esteja plenamente à altura da situação dramática”, disse, sublinhando que todos os organismos implicados precisam de um apoio muito mais vigoroso da parte da comunidade internacional.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 16/09/2010)

 

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