A reunião anual de alto nível do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) terminou hoje, tendo os Estados-membros realçado a necessidade de investir mais nas mulheres e nas raparigas e apresentado medidas concretas destinadas a promover a igualdade de género e a autonomizar as mulheres.
Numa declaração ministerial adoptada no fim da sua reunião, que se prolongou por uma semana, o Conselho salientou a necessidade de se investir mais nas mulheres e nas raparigas, pois isso é essencial para se alcançarem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) – o conjunto de oito metas destinadas a erradicar a pobreza e a promover o desenvolvimento humano, cujo prazo termina em 2015.
A declaração do Conselho surge no mesmo dia em que a Assembleia Geral votou por unanimidade a favor da criação de um organismo da ONU encarregado de acelerar o avanço em direcção à igualdade de género e ao empoderamento das mulheres.
A nova Entidade para a Igualdade de Género e o Empoderamento das Mulheres – ou ONU Mulheres – resulta da fusão de quatro organismos e gabinetes da organização mundial: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), a Divisão para a Promoção da Mulher (DAW), o Gabinete da Assessora Especial para Questões de Género e o Instituto Internacional de Investigação e Formação para a Promoção da Mulher (INSTRAW).
O Presidente do ECOSOC, Hamidon Ali, saudou a criação da ONU Mulheres, observando que a igualdade de género e o empoderamento das mulheres continuam a estar no cerne da realização dos ODM.
"Neste contexto, a ONU Mulheres reforçará as prioridades de desenvolvimento e ajudar-nos-á a alcançar os ODM até 2015", disse Hamidon Ali, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, depois de terminar o segmento de alto nível do Conselho.
Na declaração de hoje, o Conselho reafirmou "o papel vital das mulheres como agentes do desenvolvimento" e sublinhou que a realização do ODM 3, que tem a ver com a promoção da igualdade de género e o empoderamento das mulheres, é essencial para a consecução de todos os Objectivos.
Os Estados-Membros também salientaram, entre outras coisas, a necessidade de reforçar a plena integração das mulheres na economia formal, aumentar os esforços nacionais e internacionais para impedir e eliminar todas as formas de violência contra as mulheres e as raparigas, e melhorar o acesso aos sistemas de saúde por parte das mulheres e raparigas.
Como parte da sessão em curso, o ECOSOC realizou, hoje, uma mesa-redonda de alto nível sobre "Género e Biodiversidade", em que a Vice-Secretária-Geral Asha-Rose Migiro salientou que, no mundo inteiro, as mulheres são fundamentais para preservar a inacreditável variedade da vida na Terra.
No entanto, a componente género do desenvolvimento é descurada com demasiada frequência, observou Asha-Rose Migiro.
"Necessitamos de metas concretas e de uma nova visão para conservar a diversidade biológica do planeta para benefício de todas as pessoas", declarou. "E essa visão tem de incluir o género".
O segmento de alto nível do ECOSOC, que se prolongou por toda a semana, incluiu o Fórum sobre Cooperação para o Desenvolvimento, que se debruçou sobre a igualdade de género e o empoderamento das mulheres, bem como um diálogo político sobre o estado da economia mundial.
O Conselho vai prosseguir a sua sessão de fundo de 2010, que deverá terminar a 23 de Julho, com um segmento sobre a coordenação, a que se seguirão um segmento sobre actividades operacionais, um segmento sobre assuntos humanitários e um segmento de carácter geral.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 2/07/2010)