Sexta, 25 Maio 2012
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Ano Internacional da Juventude
FICHA INFORMATIVA: CONFLITOS ARMADOS
  • Nos conflitos armados, as raparigas e mulheres são escolhidas como alvo de uma forma desproporcionada, mas os rapazes e homens também são violados sexualmente.
  • Durante as duas últimas décadas, as Nações Unidas lideraram os esforços para proteger as crianças e os jovens em conflitos armados.
  • A Representante Especial do Secretário-Geral para as Crianças e os Conflitos Armados coordena as actividades da família das Nações Unidas.
  • O Conselho de Segurança das Nações Unidas está activamente empenhado nos esforços para proteger as crianças em conflitos armados, incluindo a questão na ordem de trabalhos sobre paz e segurança internacionais.
  • No início de 2010, a assinatura de um plano de acção com o Partido Comunista Unificado do Nepal-Maoísta teve como consequência a desmobilização de cerca de 2000 menores.
  • Em Junho de 2010, o Conselho de Segurança emitiu uma declaração em que se diz disposto a adoptar medidas com alvos específicos contra infractores contumazes que recrutem crianças e jovens, abusem sexualmente deles, os estropiem e matem, na guerra.

Hoje em dia, ocorrem violações graves dos direitos das crianças e jovens em mais de vinte países afectados pela guerra. Como vítimas primordiais de conflitos armados, os jovens conhecem muitas formas de sofrimento. São mortos, estropiados, ficam órfãos, são raptados, privados de educação e cuidados de saúde e deixados com profundas cicatrizes emocionais e físicas. Embora as raparigas e mulheres sejam escolhidas como alvo de uma forma desproporcionada, os rapazes e homens também são violados sexualmente em situações de conflito.

As crianças e os jovens são extremamente vulneráveis ao recrutamento militar não voluntário. Centenas de milhares deles estão ligados a forças armadas, nomeadamente às dos actores não estatais. A participação dos jovens nos conflitos tem implicações graves no seu bem-estar físico e emocional. Ademais, a mudança da natureza dos conflitos tem um impacto directo nas crianças, uma vez que entre as tácticas de guerra figuram a sua utilização como bombistas suicidas e são lançados ataques sistemáticos a escolas. As estratégias de contraterrorismo podem ter como consequência danos colaterais, nomeadamente baixas entre os jovens.

As crianças e os jovens sofrem outras consequências dos conflitos como a pobreza, o desemprego, um nível de instrução baixo, uma governação deficiente e a desintegração de famílias e comunidades. A recuperação e reintegração são particularmente críticas para as crianças e os jovens que estiveram associados a grupos armados, pois permitem quebrar  ciclos de violência e ter uma nova existência, após uma vida marcada pelo conflito e o sofrimento. Os programas de desarmamento, desmobilização e reintegração deveriam ter como base os pontos fortes dos indivíduos, em especial a sua resiliência. As crianças e os jovens deveriam ser consultados nesse processo e deveriam tentar resolver-se problemas específicos, incluindo responder às necessidades das raparigas.

As Nações Unidas, os Jovens e os Conflitos Armados

Desde a Cimeira Mundial sobre as Crianças, em 1990, as Nações Unidas têm procurado cada vez mais chamar a atenção internacional para o sofrimento das crianças afectadas por conflitos armados. Em 1996, uma perita nomeada pelo Secretário-Geral, Graça Machel, apresentou um relatório à Assembleia Geral em que descrevia a terrível realidade das crianças na guerra. Esse relatório pioneiro despertou a atenção do mundo e levou à adopção da resolução 51/77, que recomendava ao Secretário-Geral que nomeasse um Representante Especial para as Crianças e os Conflitos Armados.

Hoje em dia, Radhika Coomaraswamy desempenha as funções de Representante Especial para as Crianças e os Conflitos Armados. Nessa qualidade, representa um princípio moral e actua como defensora independente, a fim de mobilizar e dar destaque aos direitos e à protecção de rapazes e raparigas afectados por conflitos armados.

O envolvimento sistemático com os Estados-membros é um aspecto essencial do seu trabalho. Utiliza diversas estruturas, como a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, organizações regionais, contactos bilaterais e visitas ao terreno para conseguir a vontade política da comunidade internacional a fim de proteger eficazmente as crianças e jovens afectados pela guerra.

Uma vez que a questão das crianças e conflitos armados se insere em diversos mandatos das Nações Unidas, a Representante Especial trabalha em estreita cooperação com outros organismos especializados e programas da Organização, a fim de estabelecer e implementar as prioridades em matéria de crianças e conflitos armados. A UNICEF continua a ser um parceiro operacional fundamental, concebendo projectos que prestam assistência à libertação, reabilitação e reintegração de crianças- soldado. O Departamento de Operações de Paz das Nações Unidas também alargou significativamente a incorporação das questões das crianças no seu trabalho.

Durante o Ano Internacional da Juventude, a Representante Especial do Secretário-Geral irá mobilizar os jovens como uma prioridade para sensibilizar para o sofrimento das crianças - soldado. Continuará também a tentar obter apoios para a sua campanha Zero under Eighteen, que tem como objectivo conseguir, até 2012, a ratificação universal do Protocolo Facultativoà Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à Participação de Crianças em Conflitos Armados.

Através de acções de mobilização realizadas pelo Gabinete da Representante Especial e o seus parceiros, o Conselho de Segurança foi-se empenhando sistematicamente na questão das crianças e conflitos armados, que foi sendo incluída progressivamente na ordem de trabalhos sobre paz e segurança internacionais.

Progressos

Os esforços de colaboração da comunidade internacional ao longo dos últimos dez anos tiveram resultados tangíveis na agenda sobre crianças e conflitos armados, nomeadamente uma sensibilização crescente, a nível mundial, para a questão; o reforço das normas e padrões internacionais; e a colocação de Assessores para a Protecção das Crianças em missões de manutenção da paz e em missões políticas.

As vítimas da guerra são defensores convincentes e fortes dos direitos das crianças. A Network for Young People Affected by War (Rede de Jovens Afectados pela Guerra), uma organização não governamental formada por antigas crianças-soldado e testemunhas de guerra, é um mecanismo fundamental para a promoção da agenda sobre as crianças e conflitos armados. Antigas crianças-soldado narraram a sua dolorosa história ao Conselho de Segurança, dando rostos e nomes ao problema.

Em 2005, o Conselho de Segurança adoptou a resolução 1612, um dos maiores avanços na protecção das crianças. A resolução formalizou a prática de monitorização e comunicação existente, criou um mecanismo de recolha de informações atempadas e fiáveis sobre violações dos direitos das crianças e conduziu à inclusão sistemática, no relatório anual do Secretário-Geral ao Conselho de Segurança, da lista das partes em conflitos que recrutam ou usam crianças-soldado.

Em 2009, o Conselho de Segurança adoptou a resolução 1882, que alargou os critérios de listagem de modo a abrangerem a mutilação e morte de crianças bem como a utilização de violência sexual contra elas. A elaboração da lista é uma medida forte que conduziu à assinatura de planos de acção com várias partes em conflito e à libertação de crianças- soldado. Por exemplo, no início de 2010, a assinatura de um plano de acção com o Partido Comunista Unificado do Nepal-Maoísta teve como consequência a desmobilização de cerca de 2000 menores.

  • Outro avanço importante ocorreu em Junho de 2010, quando o Conselho de Segurança emitiu uma declaração em que se mostra disposto a impor medidas com alvos específicos contra infractores contumazes que que recrutem crianças e jovens, abusem sexualmente deles, os estropiem e matem, na guerra. Entre essas medidas contam-se a imposição do congelamento de bens, embargos a armamento e restrições em matéria de viagens.

Estão a ser criados precedentes importantes na luta para pôr fim à impunidade de crimes cometidos contra crianças e jovens. Os acontecimentos mais importantes incluem o julgamento, pelo Tribunal Penal Internacional, de Thomas Lubanga Dyllo, da República Democrática do Congo. O arguido é o pretenso fundador e líder da Union des Patriotes Congolais e das Forces patriotiques pour la libération du Congo. Entre os factos de que é acusado contam-se o recrutamento e mobilização de crianças com menos de 15 anos e utilização de crianças para participação activa em hostilidades.

O caminho a seguir

As seguintes recomendações fundamentais, contidas na Revisão Estratégica dos 10 Anos do Estudo Machel, funcionam como directrizes futuras para a protecção de crianças e jovens em situações de guerra:

Garantir o cumprimento universal das normas e padrões internacionais – A comunidade internacional deverá esforçar-se para garantir uma adesão universal a padrões internacionais que protejam as crianças dos efeitos adversos da guerra.

Pôr termo à impunidade dos autores de delitos contra crianças – Os Estados-membros têm de garantir a investigação e o procedimento judicial sistemáticos e atempados dos crimes contra crianças e jovens no contexto de conflitos armados e de prestar ajuda às vítimas.

Reforçar o mecanismo de monitorização e comunicação – Os Estados-membros, entidades das Nações Unidas e organizações não governamentais devem continuar a melhorar a estrutura comum existente para a recolha atempada de informações sobre delitos contra crianças e jovens.

Promover a justiça para as crianças – Os Estados-membros precisam de manter padrões internacionais de justiça juvenil em que a detenção seja utilizada apenas como último recurso e em que seja garantido que os jovens detidos estarão separados dos reclusos adultos.

Apoiar estratégias de reintegração inclusiva – As partes interessadas deverão garantir que as estratégias de libertação e reintegração estejam em conformidade com os Compromissos e Princípios de Paris. As estratégias deverão garantir a sustentabilidade a longo prazo e abordagens ao nível das comunidades, dando particular importância à educação e ao emprego.

Integrar os direitos das crianças nas acções de estabelecimento e consolidação da paz e nas acções preventivas – Todos os processos de estabelecimento e consolidação de paz deveriam ter em atenção as crianças, nomeadamente através de cláusulas específicas nos acordos de paz.

Aumentar a participação de crianças e jovens e o apoio que lhes é dado – A participação de crianças e jovens na definição de prioridades no domínio dos direitos da criança é uma das recomendações fundamentais da Revisão Estratégica Decenal do Estudo Machel.

Para mais informações


Esta Ficha de Informação foi preparada pelo Gabinete da Representante Especial do Secretário-Geral para as Crianças e os Conflitos Armados e o Programa das Nações Unidas para a Juventude. Insere-se numa colaboração da Rede Interorganismos da ONU para o Desenvolvimento da Juventude, coordenada pelo Programa das Nações Unidas para a Juventude.

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