O número de pessoas da América Latina e Caraíbas afectadas por eventos meteorológicos extremos, nomeadamente temperaturas elevadas, incêndios florestais, secas, tempestades e cheias, aumentou de 5 milhões, na década de 1970, para mais de 40 milhões, entre 2000 e 2009, diz a ONU, hoje, num relatório que ilustra em pormenor os efeitos das alterações climáticas naquela região.
Servindo-se de mapas e gráficos, o relatório, intitulado Vital Climate Change Graphics for Latin America and the Caribbean e produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), descreve os principais sinais das alterações climáticas na região e os seus impactos físicos e calcula os actuais níveis de emissões de gases com efeito de estufa e as possibilidades de atenuação.
As condições meteorológicas adversas já custaram à região mais de 40 mil milhões de dólares, na última década, diz o relatório, que foi apresentado na conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas em Cancun, no México.
Produzido em colaboração com a Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Povoamentos Humanos da Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas (CEPAL) e o Centro de Investigação Polar do PNUA, o relatório prevê também futuros cenários climáticos para a região.
Os gráficos mostram que, em 2050, os aumentos da temperatura da superfície dos oceanos estarão a causar um lixiviamento mais frequente dos recifes de corais, o que terá consequências negativas para o turismo e a pesca. Em 1970, o número de países da América Latina e Caraíbas onde havia mosquitos transmissores da febre amarela, febre de dengue e malária era reduzido. No entanto, em 2002, a grande maioria da região já estava a ser afectada por estas doenças tropicais, diz o relatório.
O relatório revela ainda que, embora o contributo da América Latina e Caraíbas para as emissões de gases com efeito de estufa apenas represente 8% das emissões mundiais – excluindo as geradas pela alteração da utilização dos solos –, as alterações climáticas que se prevêem para o século em curso terão um impacto significativo na região.
Baseando os factos que apresenta na análise histórica de variáveis como a temperatura, a precipitação e os níveis do mar, o relatório explica aos decisores políticos, académicos e ao público em geral os efeitos e as causas do fenómeno das alterações climáticas. Mostra que os países da região necessitarão de recursos e assistência para reduzir a sua vulnerabilidade e reforçar a sua resiliência aos impactos prejudiciais das alterações climáticas.
O relatório salienta também a necessidade cada vez maior de coordenação e partilha de boas práticas a nível a regional, tendo em vista a formulação de políticas sustentáveis e a concepção de tecnologias e opções de investimento destinadas a reduzir as emissões de gases prejudiciais, através da expansão das fontes de energias limpas e renováveis, reforço da eficiência energética e adopção de medidas de poupança de energia.
Os gráficos evidenciam a necessidade de se realizarem progressos rápidos no que respeita à redução das emissões resultantes da desflorestação e da degradação das florestas, a fim de inverter as tendências negativas.
Segundo o relatório, muitos países da região já introduziram políticas, estratégias de investimento e soluções destinadas a combater as alterações climáticas, mas os programas em causa necessitam de ser reforçados tanto a nível nacional como regional.
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