A afectação de fundos a estratégias de atenuação e adaptação às alterações climáticas nos países em desenvolvimento conduzirá a um mundo mais seguro, mais saudável e mais próspero para todas as pessoas, disse hoje o Secretário-Geral Ban Ki-moon aos delegados presentes na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, instando-os a encontrar formas de obter os recursos necessários.
"O financiamento da luta contra as alterações climáticas é um dos aspectos mais importantes dos nossos esforços para superar o desafio das alterações climáticas", afirmou Ban Ki-moon num evento paralelo envolvendo o seu Grupo Consultivo de Alto Nível sobre o Financiamento da Luta contra as Alterações Climáticas.
"Não se trata de uma panaceia para o problema do clima, mas é fundamental haver um apoio financeiro adequado para os países em desenvolvimento e para aumentar a confiança entre os países", disse.
O Grupo Consultivo, constituído pelo Secretário-Geral e co-presidido pelos primeiros-ministros Meles Zenawi da Etiópia e Jens Stoltenberg da Noruega, foi encarregado de examinar formas de mobilizar fundos para ajudar os países em desenvolvimento a fazer face às alterações climáticas.
Num relatório apresentado no mês passado, o Grupo Consultivo dizia que, embora difícil, o objectivo de obter 100 mil milhões de dólares por ano até 2020 é viável.
"Não existe uma solução mágica – uma solução única para obter os fundos necessários", disse Ban Ki-moon. "Necessitamos de várias fontes dos sectores público e privado. Mas com vontade política, liderança, os sinais apropriados para os mercados em termos de políticas públicas e criatividade financeira será possível fazê-lo".
O Secretário-Geral instou os delegados presentes na conferência a terem em conta as conclusões e recomendações do Grupo Consultivo nas suas negociações sobre as alterações climáticas.
Na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas realizada em Copenhaga, na Dinamarca, em Dezembro passado, os países desenvolvidos prometeram 30 mil milhões de dólares de financiamentos acelerados para os países em desenvolvimento ao longo de 2012 e comprometeram-se a obter, em conjunto, 100 mil milhões de dólares por ano até 2020.
O financiamento é apenas uma das várias questões que, juntamente com a partilha de tecnologias, a redução da desflorestação e a adaptação aos efeitos inevitáveis das alterações climáticas, os delegados reunidos em Cancun na 16.ª Conferência das Partes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (CQNUAC) estão a discutir.
Ao dirigir-se aos participantes num evento paralelo sobre a desflorestação, Ban Ki-moon salientou a necessidade de se apoiar a iniciativa REDD+ – Redução das Emissões causadas pela Desflorestação e pela Degradação das Florestas. O programa REDD visa estabelecer um valor financeiro para o carvão armazenado nas florestas, oferecendo aos países em desenvolvimento incentivos para reduzirem as emissões provenientes das florestas e investirem em vias de desenvolvimento sustentável com baixos níveis de emissões de carbono.
A iniciativa REDD+ vai além da desflorestação que, segundo algumas estimativas, contribui com cerca de um quinto das emissões mundiais de carbono – mais do que o sector dos transportes do mundo inteiro –, e inclui a conservação, a gestão sustentável das florestas e um maior armazenamento de carbono nas florestas.
"Proteger as florestas é vital para manter os ecossistemas e assegurar o sustento e os rendimentos de mais de mil milhões de pessoas", declarou Ban Ki-moon, que pediu que se prestasse aos países em desenvolvimento o apoio técnico e financeiro necessário para realizarem programas no âmbito da iniciativa REDD+.
Um outro ponto da ordem dos trabalhos da conferência de duas semanas, que deverá terminar na sexta-feira, é o futuro do Protocolo de Quioto, um complemento da CQNUAC que contém medidas juridicamente vinculativas destinadas a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, e cujo primeiro período de cumprimento termina em 2012.
Falando aos jornalistas ontem, em Cancun, Ban Ki-moon disse que não existe "uma solução mágica única" para as alterações climáticas.
"Temos de fazer progressos onde isso for possível e temos de continuar a avançar na direcção certa. Não espero que os governos cheguem a um acordo mundial abrangendo todas as questões aqui em Cancun", disse. "Mas é necessário que haja progressos em todas as frentes das negociações".
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 8/12/2010)
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