A redução das emissões das empresas de gestão de resíduos do mundo poderia ter um grande impacto na luta contra as alterações climáticas, afirma um relatório das Nações Unidas divulgado hoje.
Intitulado Waste and Climate Change: Global Trends and Strategy Framework e preparado pelo Centro Internacional de Tecnologia Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), o relatório diz que o sector dos resíduos está em boa posição de reduzir o seu contributo para as emissões mundiais antropogénicas de gases com efeito de estufa e mesmo de conseguir poupanças de emissões.
O relatório recomenda que se reduza a quantidade de materiais primários utilizada na indústria transformadora, que se armazene o carbono nos aterros e no composto, e que se aproveite o metano das lixeiras como combustível e para a produção de electricidade.
"O sector dos resíduos já está a tomar medidas para minimizar o impacto de gases com efeito de estufa com um potencial significativo, como o metano, mas em muitos casos isso ocorre ao nível de cada país. Chegou o momento de intensificar esforços e de produzir uma resposta coordenada e mundial, especialmente no que respeita às economias em desenvolvimento", disse Achim Steiner, Director Executivo do PNUA.
O relatório foi lançado no momento em que delegados do mundo inteiro estão reunidos na cidade mexicana de Cancun para participar na 16.ª Conferência das Partes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC).
Segundo estimativas efectuadas, as emissões produzidas pelo sector dos resíduos representam aproximadamente 3% a 5% dos gases com efeito de estufa, o que equivale aproximadamente às emissões da aviação e navegação internacionais. No entanto, o estudo observa que a fiabilidade dos métodos de cálculo e dos dados variam de um país para outro e que o grau de incerteza varia entre 10% a 30% no países desenvolvidos e 60% nos países em desenvolvimento que não produzem dados anuais.
Os aterros de resíduos que emitem metano são considerados as maiores fontes de emissões do sector dos resíduos, em parte porque se pensa que o metano é 25 vezes mais prejudicial ao longo de um período de 100 anos do que o dióxido de carbono. Os aterros que possuem sistemas de recuperação de gás têm conseguido capturar 50% a 80% das emissões de metano.
Embora os países em desenvolvimento apenas gerem, em média, 10% a 20% dos resíduos dos países desenvolvidos, esta proporção está a aumentar à medida que as suas economias vão crescendo. As tentativas de desligar a produção de resíduos do crescimento económico através de projectos relacionados com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) poderiam concentrar-se mais nos gases emitidos pelos aterros. Na China, apenas 2,5% dos projectos ligados ao MDL envolvem aterros, enquanto na Índia essa percentagem é apenas de 2%.
A Secretária Executiva do Convenção de Basileia sobre o Controlo de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e Sua Eliminação, Katharina Kummer Peiry, saudou o relatório que, a seu ver, contraria a tendência para subestimar as formas como a gestão de resíduos pode ajudar a combater as alterações climáticas.
"O Secretariado espera unir esforços com outros parceiros com vista a reforçar esta ligação através de uma gestão de resíduos eficaz em termos ambientais", declarou.
Concentrar as acções na obtenção de vitórias rápidas na luta contra as alterações climáticas, como aquelas que é possível alcançar adoptando novas abordagens em relação à gestão de resíduos, pode ajudar a atingir os níveis de emissões que os cientistas dizem ser essenciais para restringir o aumento da temperatura, no século XXI, para menos de 2º Celsius.
"Há que recorrer a todas as abordagens, oportunidades e opções para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa a fim de combater as alterações climáticas perigosas a nível mundial e criar as condições necessárias à transição para a economia verde com baixos níveis de emissões e eficiente, em termos de utilização de recursos, que é urgentemente necessária no século XXI", afirmou Achim Steiner.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 3/12/2010)
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