Sexta, 25 Maio 2012
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Acidificação crescente dos oceanos ameaça a vida marinha, diz relatório apoiado pela ONU

Um novo relatório elaborado com o apoio da ONU adverte que a acidificação dos oceanos prosseguirá, com todas as repercussões que isso implica para a saúde dos mares e dos peixes que neles vivem, a não ser que os governos reduzam as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Intitulado The Environmental Consequences of Ocean Acidification, o relatório foi lançado, hoje, pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), na conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas em Cancun, no México.

 

 

O estudo realizado confirma as preocupações com os efeitos do aumento da acidez dos oceanos no ambiente marinho, advertindo que o futuro impacto das emissões crescentes na saúde dos mares e oceanos poderá ser muito maior e muito mais complexo do que se supunha anteriormente.

"A acidificação dos oceanos é mais um alerta, um aviso à saúde planetária, sobre o crescimento descontrolado das emissões de gases com efeito de estufa. Trata-se de uma peça nova e emergente do puzzle científico, uma peça que está a suscitar uma preocupação crescente", disse Achim Steiner, Director Executivo do PNUA, instando os governos a tomarem medidas para responder à situação.

"O fenómeno surge num contexto em que os mares e oceanos já estão sujeitos a grandes pressões, devido à sobrepesca e a outras formas de degradação ambiental. Por conseguinte, o público poderá justificadamente perguntar quantas bandeiras vermelhas os governos necessitam de ver até compreenderem que têm de agir", declarou.

A acidificação dos oceanos é uma consequência das concentrações crescentes de dióxido de carbono dissolvido na água, que faz baixar o seu pH. Estas alterações ameaçam a sobrevivência de muitos organismos marinhos, nomeadamente peixes e corais, e, juntamente com outros efeitos ambientais, tais como a sobrepesca e o aquecimento dos oceanos, podem ter repercussões em grande escala na cadeia alimentar marinha, que é a principal fonte de proteínas e de rendimentos para milhares de milhões de pessoas.

Para produzir o relatório, o PNUA trabalhou com a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, bem como o Laboratório Marinho de Plymouth e o Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido.

A Dra. Carol Turley, principal autora do relatório, falou do impacto negativo da acidificação crescente dos oceanos.

"Estamos a observar o impacto negativo geral da acidificação dos oceanos, que está a afectar directamente os organismos e alguns ecossistemas fundamentais que fornecem alimentos a milhares de milhões de pessoas. Temos de começar a pensar no risco que isto representa para a segurança alimentar", disse.

Embora o relatório diga que talvez haja alguns "vencedores" entre os ecossistemas marinhos, por exemplo, que organismos fotossintéticos como as fanerogâmicas marinhas poderão beneficiar com a acidificação, Carol Turley salientou as vulnerabilidades de muitos outros organismos marinhos.

"Não basta considerar uma espécie. Os cientistas terão de estudar todas as partes do ciclo de vida, para ver se certas formas são mais vulneráveis ou menos", disse.

Apelando aos decisores políticos para que reduzam as emissões de CO2 e atenuem as pressões sobre os oceanos mediante o ordenamento do espaço marinho e a aquicultura, o relatório recomenda que os governos tenham em conta a acidificação dos oceanos na forma como gerem as pescas.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 2/12/2010)

 

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