O ano de 2010 será muito provavelmente um dos três anos mais quentes desde 1850, ano em que se iniciaram os registos meteorológicos, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), num relatório publicado, hoje, e que compila os dados recolhidos nos últimos dez meses.
Para os meses de Janeiro a Outubro do ano em curso, o desvio da temperatura global da superfície do mar e da temperatura do ar, à superfície, é estimado em mais 0,55ºC acima da média de 14ºC calculada para o período 1961-1990, diz a OMM, que conclui que o ano de 2010 é “de momento, o mais quente desde 1850, depois de 1998 (+0,53ºC) e 2005 (+0,52ºC)”.
Segundo a OMM, nos últimos dez anos, a temperatura mundial excedeu em 0,46ºC a média de 1961-1990 e é a mais elevada relativa a uma década, desde 1850. A organização sublinha que os picos de calor foram particularmente fortes na África Oriental, no Sara árabe, na Ásia Central, na Gronelândia e na sub-região árctica do Canadá, com temperaturas superiores entre 1,2ºC e 1,7ºC, em relação à média de 1961-1990, e entre 0,7ºc e 0,9ºC, em relação a todas as outras décadas.
O relatório revela que as temperaturas à superfície da terra foram superiores à normal, em todo o planeta, sendo que duas grandes regiões enfrentaram “vagas de calor anormais”.
A primeira engloba o Canadá e a Gronelândia, com temperaturas médias anuais superiores em 3ºC ou mais à normal. A segunda engloba a metade norte de África e do Sul da Ásia, estendendo-se para leste, até à metade ocidental da China. Nesta vasta zona, as temperaturas anuais excederam a normal em 1ºC a 3ºC.
Em muitos países destas duas regiões, as temperaturas registadas foram as mais quentes da história, desde 1850. Foi o caso, nomeadamente, da Turquia, da Tunísia e do Canadá.
Quanto às temperaturas à superfície do mar, a OMM refere que se situaram abaixo da temperatura normal na parte oriental do Oceano Pacífico, devido ao fenómeno climático “La Niña”; em todos os outros lugares, foram muito superiores à temperatura normal, em especial na parte norte do Oceano Atlântico que bateu todos os recordes de calor.
No seu relatório, a OMM passa em revista os principais acontecimentos climáticos do ano 2010. Destaca a violência das monções na Ásia, entre Julho e Setembro, que esteve na origem de chuvas diluvianas e de cheias catastróficas no Paquistão, no Norte da Índia e na zona ocidental da China.
No mesmo período, o Norte da Eurásia atravessava uma vaga de calor canicular, em particular a Rússia. Países como a Finlândia, a Ucrânia ou o Belarus conheceram também episódios anormais de calor.
O relatório da OMM menciona também o inverno “anormal” no hemisfério norte, onde se registaram temperaturas especialmente baixas na Europa Ocidental – as mais baixas desde 1961 na Escócia e na Irlanda –, na Rússia, na China e na Mongólia. Refere que os ventos foram fracos, durante a maior parte do inverno 2009-2010.
Enquanto o frio atingia a Europa Ocidental e o Norte da Eurásia, os países do Norte de África conheceram os seus invernos mais quentes, com, por exemplo, 36ºC na Argélia. Esta vaga de calor invernal estendeu-se à América do Norte, à Gronelândia e ao Canadá, onde a queda de neve foi a mais fraca das últimas décadas.
Segundo a OMM, a entrada no outono trouxe chuvas diluvianas ao Sahel, após um longo período de seca, provocando, nomeadamente, cheias que causaram inúmeras mortes no Níger e no Benim.
O relatório revela que o Pólo Norte conheceu um dos verões mais quentes, o que contribuiu para fazer fundir a calote glaciar, cuja superfície atingiu os 4,6 milhões de quilómetros quadrados, ou seja, foi inferior em 2 milhões à média.
Os dados foram divulgados numa altura em que decorre a conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas em Cancun, no México.
(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 2/12/2010)
Alterações Climáticas