A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas teve início, hoje, em Cancun, no México, com um apelo da mais alta responsável da ONU pela questão no sentido de o encontro produzir um resultado concreto, equilibrado, para responder a um dos maiores desafios do nosso tempo.
"Estais reunidos em Cancun para entretecer os elementos de uma resposta sólida às alterações climáticas, utilizando como ferramentas a razão e a criatividade", disse Christiana Figueres, Directora Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC), aos participantes na conferência.
A CQNUAC é um tratado internacional que examina o que se pode fazer para reduzir o aquecimento global e fazer face a eventuais aumentos inevitáveis da temperatura. Alguns países aprovaram um complemento do tratado, o Protocolo de Quioto, que contém medidas mais vigorosas e juridicamente vinculativas.
A conferência está a ter lugar poucos dias depois de a Organização Meteorológica Mundial (OMM) ter informado que as actuais concentrações de gases com efeito de estufa na atmosfera atingiram o nível mais elevado, desde a era pré-industrial.
Christiana Figueres disse que é urgente alcançar-se um resultado sólido em Cancun, não só devido às conclusões do estudo da OMM, mas também porque os países mais pobres e mais vulneráveis necessitam de ajuda suficiente e previsível para os ajudar a enfrentarem um problema grave que não causaram.
"Não se trata de uma tarefa fácil, mas é viável", disse aos delegados presentes na reunião de duas semanas, a 16.ª Conferência das Partes (COP 16) na Convenção. Os participantes deverão concluir acordos relacionados com questões como a transferência de tecnologias, a atenuação e adaptação, e o financiamento.
"Peço-vos para resolverem estas questões com carácter de prioridade, de modo a poder-se alcançar um resultado equilibrado em Cancun", disse Christiana Figueres.
"Considerando o que haveis conseguido nos últimos meses, estou convencida de que conseguireis alcançar um consenso de modo a chegar-se a um resultado concreto em Cancun", acrescentou. "É necessário que o documento final seja firme e fiável, e que seja objecto de um acompanhamento específico tendo em vista o trabalho a realizar no futuro".
Christiana Figueres também realçou uma série de questões com uma "grande carga política" que é importante abordar, nomeadamente a necessidade de evitar um hiato depois de o primeiro período de cumprimento do Protocolo de Quioto terminar em 2012 e a importância de se definir claramente a forma de dar continuidade ao Protocolo.
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