Sexta, 31 Outubro 2014
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A ONU na sua língua

Um copo pelo menos meio cheio* Kofi A. Annan, Secretário-Geral das Nações Unidas

O documento final adoptado na passada sexta-feira, no fim da Cimeira Mundial das Nações Unidas, foi classificado de “decepcionante” ou “diluído”. Em parte, isso é verdade e eu próprio o disse, no discurso que proferi perante os líderes dos países do mundo, na quarta-feira. Mas, no conjunto, o documento não deixa de ser uma manifestação notável de unidade mundial em relação a um grande número de questões.


Trata-se de uma excelente notícia, após semanas de tensas negociações. Na terça-feira, já os dirigentes mundiais estavam chegar a Nova Iorque e ainda se encontravam por resolver 27 questões e havia 140 pontos de divergência. Uma última tentativa de diplomacia do tipo “é pegar ou largar” permitiu que o documento fosse concluído, mas a uma hora tão adiantada que os jornalistas e comentadores não tiveram tempo de analisar o texto completo, antes de se pronunciar sobre ele. Agora, estão a rever ou pelo menos matizar muitas das suas avaliações e, quando digo isto, não pretendo criticá-los.


De facto, não pretendo criticá-los, porque a maioria demonstrou bastante consideração por mim. Atribuíram o suposto fracasso da Cimeira aos Estados-membros, que não teriam aderido às ambiciosas propostas de reforma apresentadas por mim. É. por isso, justo que ponha agora as coisas no seu lugar.


Em Março, quando apresentei um programa de trabalho para a Cimeira, coloquei deliberadamente a fasquia muito alto, uma vez que, nas negociações internacionais, nunca se obtém tudo o que se pede. Apresentei também as reformas como um conjunto, não porque esperasse que fossem aprovadas sem alterações, mas sim porque havia mais possibilidades de alcançar progressos no conjunto do que em relação a cada uma das partes, dado que, a meu ver, os Estados estariam, mais dispostos a superar as suas eventuais reservas acerca de certas questões, se vissem que outras, que consideravam prioritárias, estavam a receber a atenção que mereciam.


Acabou por ser precisamente isso que aconteceu.


O documento final contém compromissos firmes e inequívocos, tanto da parte dos países doadores como da dos países em desenvolvimento, sobre as medidas concretas que é preciso tomar para realizar, até 2015, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, acordados há cinco anos, na Cimeira do Milénio, e que o Presidente Bush, selou, por assim dizer, subscrevendo-os pessoalmente, no discurso que proferiu na quarta-feira passada.


O documento enuncia decisões que visam reforçar a capacidade das Nações Unidas no domínio da manutenção, do estabelecimento e da consolidação da paz, contendo também um esboço minucioso de uma nova Comissão de Consolidação da Paz que velará por que os esforços da comunidade internacional para instaurar uma paz duradoura nos países assolados pela guerra sejam mais coerentes e continuados.


Inclui decisões que permitirão reforçar o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e duplicar o seu orçamento; criar um sistema de alerta precoce de catástrofes naturais; mobilizar novos recursos para a luta contra o VIH/SIDA, a tuberculose e a malária; e melhorar o Fundo Central Renovável das Nações Unidas para emergência, a fim de que, de futuro, o auxílio de emergência chegue com maior rapidez e segurança.


Ao contrário do que eu recomendara, no documento não figura a definição clara de terrorismo. Contém, no entanto, pela primeira vez na história das Nações Unidas, uma condenação categórica, por todos os Estados-membros, do terrorismo “em todas as suas formas e manifestações, independentemente do lugar onde os actos de terrorismo sejam cometidos, dos motivos que os determinem e de quem sejam os seus autores!”, bem como um apelo firme à conclusão, no prazo de 12 meses, de uma convenção global sobre terrorismo e a um acordo sobre a elaboração de uma estratégia mundial contra o terrorismo que enfraqueça os terroristas e reforce a comunidade internacional.


O mais valioso para mim talvez seja o facto de todos os Membros das Nações Unidas terem aceitado claramente que há uma responsabilidade de proteger as populações civis do genocídio, dos crimes de guerra, da limpeza étnica e dos crimes contra a humanidade, e de se terem comprometido a fazê-los por intermédio do Conselho de Segurança, quando as autoridades locais mostrarem manifestamente que não estão à altura das suas responsabilidades. Foi em 1998 que defendi pela primeira vez esta posição, como lição inelutável dos nossos fracassos na Bósnia e no Ruanda.


Apraz-me comprovar que a ideia mereceu a aceitação geral e confio em que seja posta em prática, quando as circunstâncias o exigirem.


A minha proposta de criação de um novo Conselho de Direitos Humanos também foi aceite, embora sem os pormenores que, no meu entender, fariam dele um órgão bem mais eficaz do que a actual Comissão. Competirá à Assembleia Geral definir esses pormenores, durante o próximo ano. Os Estados que acreditam firmemente nos direitos humanos devem trabalhar com empenho para que o novo órgão represente uma verdadeira mudança.


Os Estados-membros aceitaram a maioria das propostas minuciosas que formulei sobre a reforma da gestão. Num futuro próximo. Deveríamos dispor de mecanismos de supervisão e auditoria do nosso trabalho  mais independentes e mais rigoroso, eliminar as actividades obsoletas e alguns funcionários deveriam deixar a organização, no quadro de um programa de rescisão negociada de contractos, de modo a podermos concentrar as nossas energias nas prioridades actuais e contratar pessoas adequadas de desempenhar as funções correspondentes; e reformar profundamente as normas que regem a utilização dos nossos recursos orçamentais e humanos.


Contudo, os Estados-membros abstiveram-se de dar ao Secretário-Geral os poderes executivos alargados que nos serão necessários – a mim e aos meus sucessores – para levar a cabo as operações cada vez mais variadas que são atribuídas às Nações Unidas.


Propusera ainda uma reforma do conselho de segurança, que o teria tornado mais representativo das realidades actuais. Também em relação a este ponto existe um acordo de princípio, mas o problema reside nos pormenores. O documento refere que as nações se comprometem a continuar a procurar uma solução e insta a que se analisem os progressos alcançados, no final de 2005.


A lacuna mais grave é a ausência de uma decisão sobre a proliferação de armas nucleares, sem dúvida a ameaça mais alarmante que teremos de enfrentar num futuro imediato, dado o perigo de virem a cair nas mãos de terroristas. Certos Estados queriam dar prioridade absoluta à não-proliferação, enquanto que outros insistiam em que as acções destinadas a reforçar o Tratado sobre a Não-proliferação das armas Nucleares deviam incluir novas medidas de desarmamento. Assim, repetiu-se o fracasso da conferência de exame do Tratado, realizada em Maio.


Trata-se, evidentemente, de um assunto demasiado importante para nos permitirmos falhar, devido à indecisão. Exorto todos os dirigentes, independentemente do campo a que pertencem, a darem provas de bom senso político e a esforçarem-se por encontrar uma posição comum. Se isso não acontecer, esta cimeira pode vir a ser recordada apenas por não ter conseguido impedir o desmantelamento do regime de não-proliferação e tudo o que agora se conseguiu realmente útil parecerá, então, efectivamente, muito pouco.


* Publicado em Portugal pelo Jornal Público a 21/09/2005 


MENSAGEM DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU, KOFI ANNAN, POR OCASIÃO DO DIA INTERNACIONAL DA PAZ (21 de Setembro de 2005)

Queridos amigos de todo o mundo:


A paz é a missão primordial das Nações Unidas.


É a base da nossa existência. A essência da nossa identidade. A causa que motiva todas as nossas acções.


Vinte e um de Setembro, Dia Internacional da Paz, é o dia em que reafirmamos o nosso empenhamento em procurá-la.


Oferece-nos também a possibilidade de analisar a força do nosso sistema de segurança colectiva.


Este deveria ser um dia de cessar-fogo a nível mundial. Exorto todos os países e todos os povos a cessarem as hostilidades neste dia. Insto também todas as pessoas do mundo inteiro a respeitarem um minuto de silêncio ao meio-dia.


Vinte e quatro horas não são muito tempo.


Mas é o tempo suficiente para que os combatentes e os dirigentes políticos reflictam sobre a destruição que estão a causar aos seus cidadãos e nas suas terras.


É suficiente para se olhar por cima das barricadas ou mais além do arame farpado e procurar uma outra via.


Neste Dia Internacional da Paz, prestemos homenagem a quem sofreu com a violência e com conflitos armados.


E prometamos fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para pôr em prática as decisões importantes no domínio da paz tomadas na Cimeira Mundial 2005, que se realizou na semana passada.


Muito obrigado.


Discursos na Assembleia Geral a favor de uma melhor representação de África no seio das Nações Unidas

Vários países, entre os quais o Níger e a Argélia, reclamaram ontem e hoje, no âmbito do debate geral da Assembleia Geral, uma maior e mais justa representação da África no seio das Nações Unidas, assim como um apoio mais importante ao desenvolvimento do continente.


“A tão esperada reforma do Conselho de Segurança, deve prosseguir de uma forma transparente, de modo a que as Nações Unidas renovadas sejam mais democráticas e mais representativas do mundo contemporâneo”, declarou hoje o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Níger, Aïchatou Mindaoudou, num discurso pronunciado no quarto dia do debate geral da 60ª sessão da Assembleia Geral.


Por outro lado, o Ministro do Níger apelou a que se reconsidere a “solidariedade internacional”, para que o seu país, actualmente vítima de uma crise alimentar, possa aplicar “soluções sustêntáveis” que permitam garantir à sua população “uma segurança alimentar definitiva”.


“A atenção particular dada ao alargamento do Conselho de Segurança justifica-se provavelmente pelo facto de este órgão ter um papel determinante na perservação da paz e da segurança internacionais”, declarou hoje o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Argélia, Muhammed Bedjaoui.


“Mas não deve fazer com que se percam de vista as reivindicações legítimas de África, nem a preocupação de preservar equilíbrios sensíveis entre os diferentes organismos”, realçou o Ministro algeriano.


“É tempo de a África ser melhor representada no seio das Nações Unidas, em particular no Conselho de Segurança”, afirmou ontem o Presidente do Madagáscar, Marc Ravalomanana, defendendo que se tratava de uma questão de justiça e era uma condição necessária para o desenvolvimento do continente.


Na sua alocução, o Presidente do Madagáscar também apelou a que seja criado um Plano Marshall a favor do continente africano, que vá mais além da redução da dívida e do aumento da ajuda ao desenvolvimento.


“A necessidade de aumentar a representação africana no seio do Conselho de Segurança é tanto mais necessária, realçou ontem o Presidente do Malavi, Bingu Wa Mutharika, quanto a manutenção da paz em África constitui a maior parte dos trabalhos deste órgão”.


Ontem, o Ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Li Zhaoxing, apoiou as aspirações dos Chefes de Estado e de Governo africanos, apelando a uma reforma do Conselho de Segurança e à execução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).


“A China declara-se a favor de uma reforma do Conselho de Segurança que reforce a sua autoridade e eficácia, melhorando os seus métodos de trabalho e dando prioridade ao aumento da representação dos países em desenvolvimento, nomeadamende a dos países africanos, permitindo assim que os países de pequena e média dimensão participem no processo decisório”.
O Documento Final da Cimeira Mundial 2005, aprovado na passada sexta-feira pelos Chefes de Estado e de Governo, apenas evocou a necessidade de uma reforma do Conselho de Segurança.


No passado dia 4 de Agosto, os países africanos decidiram não aderir ao projecto de resolução do G-4 - Japão, Alemanha, Brasil e Índia – que sugeria o alargamento do Conselho de Segurança para 25 membros, acrescentando 6 membros permanentes e 4 não permanentes.


Os Estados Unidos e a China opuseram-se também à proposta, embora os Estados Unidos tenham apoiado a candidatura do Japão.


No dia 11 de Julho passado, o representante da Argélia na ONU, Abdallah Baali, apresentou na Assembleia Geral o projecto da União Africana, que defendia a ideia de um alargamento do Conselho de Segurança para 26 membros, e não 25 como propunha o G-4, com 6 membros permanentes e 5 não permamentes.


Segundo este projecto, os membros teriam tido as mesmas prerrogativas e privilégios que os membros permanentes actuais, incluindo o direito de veto.


A África, afirmou Abdallah Baali, considera que, se os membros permanentes actuais continuam a dispor do direito de veto, seria injusto, insensato e inaceitável que os novos membros permanentes não obtenham esse privilégio. “Membros permamentes sem direito de veto não poderiam ter peso algum no curso dos eventos, na modificação das relações de força e não seriam capazes de agir com a eficácia desejada no seio do Conselho de Segurança”.


(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 20/09/2005)


99 nações participam na Cerimónia de Tratados da ONU durante a Cimeira Mundial 2005

Durante a Cimeira Mundial das Nações Unidas, que teve lugar de 14 a 16 de Setembro, 99 Estados e a União Europeia realizaram um total de 265 acções destinadas a adoptar tratados internacionais sobre questões que vão desde o terrorismo nuclear aos peixes migradores, diz-se num resumo divulgado ontem pela ONU.


52 Chefes de Estado ou de Governo de entre os cerca de 150 que estiveram presentes na Cimeira participaram nessas acções, respondendo ao convite que o Secretário-Geral Kofi Annan vem fazendo anualmente, desde 2000, por ocasião da abertura da Assembleia Geral, no sentido de os Estados assinarem, ratificarem ou aderirem aos tratados internacionais de que é depositário.


A Libéria, só por si, foi responsável por um terço das acções deste ano, tendo o chefe do seu governo de transição, Charles Gyude Bryant, apresentado um número recorde de 103 acções relativas a tratados, 83 das quais entraram imediatamente em vigor.


Outros instrumentos a destacar foram a Convenção sobre Terrorismo Nuclear, que foi aberta à assinatura na Cerimónia de Tratados e foi assinada por 82 países, e a Convenção contra a Corrupção, que foi ratificada por um número suficiente de países para permitir a sua entrada em vigor em 14 de Dezembro.



(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU, 20/09/2005)


Discurso do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Professor Diogo Freitas do Amaral, na 60ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas 19 de Setembro de 2005

Senhor Presidente, Senhor Secretário-Geral, Senhores Delegados:


Dez anos depois estou de regresso a esta sala. Em Setembro de 1995 tive a honra de ser eleito Presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Sei bem que a tarefa não é fácil. Por isso felicito V.Exª, Emb. Ian Eliasson, pela sua recente eleição, e desejo-lhe as maiores felicidades no desempenho de tão alto cargo.


Ao nosso Secretário-Geral, Sr. Kofi Annan, quero apresentar os meus melhores cumprimentos. O meu País aprecia muito o excelente trabalho que tem feito até aqui e o Governo português manifesta-lhe toda a sua solidariedade nos momentos difíceis que tem vivido e todo o apoio para as grandes tarefas e desafios que o esperam.


Compartilhamos uma certa decepção sentida pelo Secretário-Geral, em relação à não-aprovação de grande parte das suas propostas de reforma das Nações Unidas, contidas no excelente relatório “In larger Freedom”.


Todo este processo começou há dez anos, em 1995-96, sob a minha presidência; e posso garantir-vos que um ano depois, quando deixei o cargo, já havia muitas soluções consensuais que podiam ter sido entretanto aprovadas. Foram dez anos decerto insuficientemente aproveitados.


Resta-nos a certeza de que, se algum progresso no sentido de uma boa reforma for feito, ele só será viável se mantiver como referência os objectivos contidos nas propostas do Secretário-Geral, Kofi Annan.


E o que é uma boa reforma das Nações Unidas?


É, a meu ver, uma reforma que preencha, pelo menos, os seguintes cinco requisitos:
1. Respeitar e reafirmar os princípios e valores fundamentais da Carta;
2. Criar melhores condições para manter e restabelecer a paz, garantir a segurança, e combater aqueles que ofendem uma ou outra;
3. Fazer um grande esforço de ajuda ao Desenvolvimento, que promova a melhoria das condições de vida dos países mais pobres do planeta e reduza o fosso excessivamente grande entre os países do Norte e os do Sul;
4. Promover a Democracia, os Direitos Humanos e o Primado do Direito e da Justiça, tanto na vida internacional como na vida interna dos Estados;
5. Estabelecer as bases e condições que levem ao bom entendimento entre os Povos, ao diálogo das civilizações, à compreensão das diversidades culturais e religiosas, e ao espírito de tolerância, cooperação e amizade entre nações, governos e indivíduos.


Além destes cinco objectivos, há ainda a considerar a reorganização do Secretariado. Contudo, penso que essa é uma questão instrumental para a consecução dos objectivos das Nações Unidas, mas que não se confunde com estes. Tenho experiência pessoal suficiente para poder afirmar que o pessoal que trabalha para esta organização é, em regra, um “staff” de elevada competência, dedicação e profissionalismo. Todos devemos compreender, no entanto, que sendo esta uma grande organização está sempre carecida, como qualquer outra, de constante modernização.


Começou na semana passada a Reforma das Nações Unidas. É preciso agora continuar, ano após ano, fase após fase, com muito trabalho e energia, e com aquele espírito de compromisso que é próprio da diplomacia, e por isso não pode faltar neste templo da diplomacia que é a ONU.


O trabalho a realizar nos próximos meses incluirá, primordialmente, com o apoio de Portugal, fazer o necessário para pôr em funcionamento a Comissão para a Consolidação da Paz, aplicar o conceito já aprovado de “responsabilidade de Proteger”, e estabelecer o novo “Conselho de Direitos Humanos”.


Senhor Presidente:


O Desenvolvimento é uma tarefa urgente e inadiável. Os países mais pobres clamam por justiça e têm direito a ela; os países mais ricos afirmam uma ética e têm deveres que dela decorrem.


Assim, Portugal subscreve inteiramente a visão – afirmada e reafirmada pelas Nações Unidas – da prioridade ao Desenvolvimento, entendido como um Desenvolvimento integral, expresso nos “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”, intimamente ligado ao Estado de Direito e à Segurança. Com efeito, Democracia e Segurança constituem-se como condições sine qua non para que o Desenvolvimento possa ter lugar de uma forma efectiva, sustentada e justa.


Em termos de Ajuda Pública ao Desenvolvimento, Portugal espera poder atingir em 2010 o valor acordado de 0,51% do Produto Interno Bruto, de forma a preparar o caminho para a ambiciosa meta de 0,7 em 2015.


O esforço português tem sido sobretudo canalizado - mas não exclusivamente - para os chamados Least Developed Countries, e, entre estes, particularmente, para a África sub-sahariana.


Reiteramos assim a necessidade de atender de forma activa e empenhada às necessidades especiais da África, dando efectivo cumprimento aos compromissos assumidos em matéria de reforço da cooperação com o NEPAD e com as organizações regionais e sub-regionais.


O relatório do Secretário-Geral lembra-nos justamente que cada país é, em primeira linha, responsável pelo seu próprio desenvolvimento, no respeito dos procedimentos da boa governação que naturalmente assumem neste contexto a importância e a natureza de um pré-requisito.


Trata-se no fundo de implementar o 8º dos Objectivos do Milénio: criar uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento, cuja importância para a promoção de um Mundo mais justo e equilibrado quero aqui sublinhar.


Não tenho pois quaisquer dúvidas em afirmar que devemos continuar activamente empenhados na implementação dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, incluindo o reforço das acções nas áreas consideradas prioritárias. É o nosso futuro comum que está em jogo.


Aproveito a oportunidade para anunciar que Portugal acaba de decidir contribuir para o Fundo para a Democracia (UN Democracy Fund).


Por outro lado, para o meu País, o ambiente é uma clara prioridade, que deve melhorar e não prejudicar o Desenvolvimento. Neste domínio, participaremos activamente nos esforços internacionais de combate às alterações climáticas, respeitando os compromissos assumidos de limitar as emissões de Gases com Efeito de Estufa para que possamos alcançar as metas definidas no âmbito do protocolo de Quioto. Esperamos que a próxima Conferência de Montreal possa marcar o lançamento do processo de negociações sobre o regime climático após 2012.


Senhor Presidente:


Uma das mais sérias ameaças que hoje se colocam à Paz, à Segurança e aos próprios Direitos Humanos, é o terrorismo, que deve ser combatido energicamente, dentro do quadro do Estado de Direito e no respeito pelos Direitos Humanos.


Não tenhamos quaisquer dúvidas de que um dos objectivos dos terroristas é, precisamente, provocar a destruição dos mais elementares valores universais adoptados pelos Governos e perfilhados pelas próprias populações. Porque nos defendemos, querem considerar-nos – a nós e a eles, os terroristas - moralmente equivalentes. Portugal rejeita total e frontalmente esta visão.


No combate ao terrorismo não pode haver lugar para ambiguidades: há que ser claro e dizer frontalmente que as acções destinadas a causar a morte ou ferimentos graves a civis ou a não combatentes constituem actos terroristas.


A nosso ver, as Nações Unidas fornecem o quadro de referência para o combate ao terrorismo e, nesse sentido, apelamos à conclusão da Convenção Global sobre Terrorismo. Da mesma forma, saudamos a Estratégia de Contra-Terrorismo oportunamente delineada pelo Secretário-Geral e apelamos à sua efectiva implementação.


Neste contexto, Portugal vai assinar, ainda durante esta Assembleia-Geral, a Convenção Internacional sobre Repressão do Terrorismo Nuclear.


Senhor Presidente:


Devemos reconhecer que, hoje, o maior foco de ameaças à paz e à segurança internacionais se situa no Médio-Oriente alargado. Independentemente das posições que cada um tenha tomado sobre a guerra do Iraque, é indispensável agora, com base nos claros mandatos existentes da ONU, tudo fazer para que a paz, a democracia e os direitos humanos saiam ali vitoriosos. Isso implicará ainda alguns anos de esforços, tal como no Afeganistão.


Quanto ao conflito israelo-palestiniano, importa agora aproveitar o momento positivo alcançado para retomar seriamente o caminho negocial. O “Road Map” não pode ser esquecido ou indefinidamente adiado. Da mesma forma que é inquestionável o direito de Israel a viver em paz dentro de fronteiras seguras, é também indiscutível o direito à existência de um Estado palestiniano. Só com a chamada “política dos dois Estados” haverá paz no Médio-Oriente.


Relativamente ao Irão, sublinho e apoio os esforços da União Europeia no sentido de procurar evitar, por forma negociada, mais um perigoso caso de proliferação nuclear. A Comunidade Internacional como um todo, e o próprio povo do Irão, devem muito à actuação inteligente da UE neste assunto. Estamos e continuaremos unidos e solidários. Há que continuar a negociar.


Com o objectivo de promover a paz e a estabilidade internacionais, Portugal está empenhado em aprofundar a cooperação regional e civilizacional. Neste sentido, há que reforçar o diálogo político de alto-nível entre a Europa e a África, incluindo através da realização, logo que possível, da Cimeira Europa-África, pela qual Portugal tem vindo a insistir.


Reitero aqui o apelo do meu País a todas as partes interessadas para que a conjugação dos nossos esforços permita o relançamento do processo do Cairo, que entendemos ser essencial para o estabelecimento daquela importante parceria estratégica.


Quero também transmitir publicamente o apoio do meu país ao projecto de Aliança de Civilizações. Aliás, o diálogo Europa – África é também um diálogo de civilizações, tal como o é o processo ibero-americano, em que Portugal, Espanha, Andorra e os países da América Latina estão empenhados, e que será formalmente consagrado na Cimeira de Salamanca no próximo mês de Outubro.


Sublinho que nos últimos nove anos, através da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem sido aprofundado com sucesso o diálogo entre os oito Estados-membros, que representam 200 milhões de pessoas vivendo em quatro continentes. Portugal pratica, assim, pela parte que lhe toca, a orientação, que deseja ver alargada, do diálogo entre a Europa, a África, a América Latina e a Ásia, instrumento indispensável para que as civilizações vivam em paz e não em guerra.


Senhor Presidente:


Gostaria de terminar reafirmando a confiança de Portugal na centralidade, legitimidade e indispensabilidade das Nações Unidas.
Sem esquecer os casos de insucesso, dos quais se devem retirar os devidos ensinamentos para que não se repitam, há que ter também presentes os sucessos e, esses, são bastante numerosos. Timor-leste, hoje aqui presente como membro de pleno direito, constitui um exemplo, entre outros, de uma história de sucesso das Nações Unidas.


Termino, relembrando as sábias palavras do nosso segundo Secretário-Geral, Dag Hammarskjold: “The pursuit of peace and progress cannot end in a few years in either victory or defeat. The pursuit of peace and progress, with its trials and its errors, its successes and its setbacks, can never be relaxed and can never be abandoned.”



69º Aniversário da Organização das Nações Unidas assinalado em Lisboa e Porto

UNDAY-PT

Façamos um mundo melhor

Vamos fazer do mundo um lugar melhor 

Vídeo apresentado no contexto da Cúpula do #Clima das Nações Unidas.

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O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), sedeado em Bruxelas, presta informação sobre as actividades da ONU nos países da região, incluindo Portugal. Põe à disposição do público os principais relatórios da ONU, documentos, publicações, fichas informativas, comunicados de imprensa e notícias, em várias línguas, nomeadamente o português.