Quinta, 30 Outubro 2014
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Info-exclusão prejudica desenvolvimento, segundo relatório da ONU

A África e outras regiões não industrializadas -- que já enfrentam numerosos obstáculos no domínio do comércio -- estão em desvantagem, numa altura em que as empresas de todo o mundo utilizam cada vez mais a Internet, afirma um novo relatório lançado hoje pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (CNUCED).


O Information Economy Report 2005 (IER 2005), produzido pela CNUCED, mostra que, embora em algumas regiões pobres o número de utilizadores da Internet tenha aumentado substancialmente, subsistem, em geral, grandes disparidades em matéria de acesso entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Por exemplo, enquanto 89% das empresas dos países da União Europeia estão ligados à Internet, só 5% das empresas da Maurícia e 9% das da Tailândia se encontram nessa situação.


O relatório sublinha a necessidade urgente de definir políticas e boas práticas para ajudar as empresas dos países desenvolvidos a utilizarem as tecnologias da informação e comunicação (TIC) para melhorarem a sua competitividade.


Os países em desenvolvimento devem, por exemplo, encontrar maneiras de aumentar muito significativamente o seu acesso à Internet, reduzir os custos das comunicações em linha e modernizar os sistemas bancários, de crédito e de contabilidade, para que as empresas nacionais possam efectuar as transferências financeiras e negócios em linha.


O turismo é um exemplo de como os países em desenvolvimento poderiam retirar benefícios económicos da Internet. Estes países atraem hoje cerca de 35% dos turistas internacionais, mas a maioria deles não tem conseguido aumentar os lucros do turismo, em virtude de a maioria das viagens ser planeada, reservada e financiada através de firmas sedeadas em países ricos. A Internet oferece uma oportunidade de alterar essa situação, pois muitos turistas compram agora as suas férias em linha.


Publicado anualmente, o Information Economy Report analisa factos recentes, tendências e processos no domínio das tecnologias da informação e comunicação e aponta as suas principais repercussões nas perspectivas económicas e sociais dos países em desenvolvimento.



(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 10/11/2005)


Segundo as Nações Unidas, um maior acesso ao microfinanciamento é um elemento-chave da luta contra a pobreza e da realização dos OMD

Ano Internacional do Microcrédito 2005 termina com o encerramento de
Fórum Internacional para a Criação de Sectores Financeiros Inclusivos


Comunicado de imprensa



 O Fórum Internacional das Nações Unidas para a Criação de Sectores Financeiros Inclusivos, organizado conjuntamente pela Comissão Económica e Financeira (Segunda Comissão) e a Comissão Social, Humanitária e Cultural (Terceira Comissão), terminou hoje. Este evento, que foi organizado no quadro da celebração do Ano Internacional do Microcrédito 2005, juntou 700 representantes de alto nível e peritos de governos, do sector privado, do meio universitário, da sociedade civil, dos organismos multilaterais e da comunidade ligada ao microfinanciamento, disse o Presidente da Terceira Comissão, Francis Butagira, do Uganda. "Isso demonstra a importância do microfinanciamento como instrumento crucial a utilizar nos esforços colectivos para a erradicação da pobreza", afirmou.


Lembrando que, durante as mesas redondas organizadas nos últimos dias, os participantes tinham abordado um grande número de assuntos, tendo em vista encontrar meios para melhorar o acesso dos pobres ao microfinanciamento, o Sr. Butagira declarou que o desafio consistia agora em tomar medidas concretas para pôr em prática as ideias que saíram do Fórum e para garantir que os sectores financeiros sejam realmente inclusivos. "Ficou provado que o microfinanciamento pode ser um contributo decisivo para melhorar a vida dos 2,8 mil milhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia, dando-lhes meios de se ajudarem a si próprias e permitindo-lhes criar fontes de emprego e de receitas, a fim de que possam investir no futuro dos filhos", sublinhou.


No encerramento do Fórum, o Sr. Stanley Fisher, Governador do Banco de Israel e Presidente do Grupo de Conselheiros do Ano Internacional do Microcrédito, disse que este Ano Internacional ultrapassara as expectativas do Grupo de Conselheiros. Permitiu aumentar o interesse dedicado ao microcrédito em geral e fazer com que os decisores políticos compreendessem melhor o papel crucial do acesso aos serviços financeiros para os pobres, nos esforços em prol da redução da pobreza, insistiu. Segundo o Grupo de Conselheiros, a promoção de um maior acesso a esses serviços é um elemento-chave da agenda luta contra a pobreza, nomeadamente da realização dos ODM.


Comprovando, no entanto, que o microfinanciamento continuava a ficar aquém das suas potencialidades, o Sr. Fisher comunicou uma série de recomendações apresentadas pelo Grupo de Conselheiros. Assim, sublinhou a importância de obter dados adequados relativos ao acesso dos pobres aos serviços financeiros. "Exortamos o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) a incluírem análises suplementares dos serviços financeiros a favor dos pobres nas diversas estatísticas que recolhem", disse. Também salientou o papel que os governos podem ter na promoção do microfinanciamento. Em nome do Grupo de Conselheiros, formulou votos de que se encontre um equilíbrio entre a protecção dos consumidores e as regras financeiras, afirmando que estas últimas restringiam com demasiada frequência a acção das instituições de microfinanciamento.


Entre outras recomendações formuladas pelo Grupo de Conselheiros, o Sr. Fisher sugeriu que se encontrassem maneiras de fornecer os capitais, muitas vezes provenientes do estrangeiros, em divisas locais, a fim de reduzir os riscos ligados às taxas de câmbio. Preocupado com a possibilidade de o microfinanciamento continuar a ser apenas uma actividade subsidiada, propôs que as instituições multilaterais e os outros doadores reflectissem seriamente sobre o modo de desenvolver um microfinanciamento comercialmente viável. Congratulou-se com as diversas tentativas que visavam utilizar as tecnologias para reduzir os custos dos serviços financeiros destinados aos pobres e recomendou que os doadores incentivassem esse impulso de inovação tecnológica que está a dar os seus primeiros passos. O Sr. Fisher lembrou que os clientes das instituições de microfinanciamento constituíam o motor do crescimento dessa actividade e que deveriam ser consultados, para que os serviços de microfinanciamento oferecidos respondam realmente às suas necessidades.


Recordando que várias actividades iniciadas no âmbito do Ano Internacional do Microcrédito ainda não foram concluídas, o Sr. Fisher recomendou que a ONU nomeasse um grupo de peritos, por um período não superior a dois anos, a fim de que o trabalho iniciado pudesse ser levado a bom termo.



(Baseado no Comunicado de imprensa ref. DEV/2554 de 8 de Novembro de 2005)


Resumo do Ano do Microcrédito 2005 - Ficha informativa

O interesse, a nível mundial, pelo Ano Internacional do Microcrédito 2005 foi amplo. Muitas iniciativas bem sucedidas promoveram a tomada de consciência em relação ao microfinanciamento e aos sectores financeiros inclusivos. Todas as iniciativas empreendidas pelo Ano foram concebidas para estimular a inovação e as parcerias estratégicas.


Comissões Nacionais
Um esforço global sem precedentes para criar sectores financeiros inclusivos está actualmente em curso em mais de 100 países que se comprometeram a apoiar o Ano Internacional do Microcrédito. Muitos países comprometeram-se formalmente para com o Ano através da criação de Comissões Nacionais. Em 61 países, estabeleceram-se Comissões Nacionais (ou Pontos Focais), compostos por representantes de alto nível de 215 instituições governamentais, 43 escritórios locais das Nações Unidas, 59 organizações multinacionais, 265 redes de microfinanciamento, 33 bancos centrais, bem como membros importantes do sector privado e da sociedade civil. Durante o ano, realizaram-se centenas de conferências e seminários e mais de 71 países lançaram campanhas formais de sensibilização do público destinadas a chegar até às zonas mais remotas.


Programa Prémio Mundial para as Microempresas
O segundo Programa Anual Prémio Mundial para as Microempresas (PMM) destaca as realizações de empresários de baixos rendimentos, em trinta países. O PMM reúne milhares de clientes de microfinanciamento, estudantes, profissionais dos sectores público e privado, figuras públicas reconhecidas, funcionários governamentais de alto nível e pessoal dos organismos especializados da ONU. Os critérios utilizados para a concessão dos prémios incluem a inovação, o impacte social conseguido pelo microempresário, a utilização de tecnologia, a melhoria da qualidade de vida e a criação de novas oportunidades de emprego. Os candidatos vencedores serão convidados a tocar as campainhas de abertura nas bolsas de valores dos seus respectivos países. O PMM começou em 2004 e conduziu a uma colaboração formal entre o Citigroup, as Nações Unidas e grupos de estudantes de universidades de todo o mundo.


O Projecto Livro Azul
Iniciado pelo Ano Internacional do Microcrédito e dirigido pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para os Bens de Capital, o Livro Azul sobre a Criação de Sectores Financeiros Inclusivos recorreu a um diálogo internacional para responder à pergunta “porque é que tantas pessoas que poderiam gozar de serviços bancários estão excluídas dos mesmos?” As consultas foram organizadas na Jordânia, Mali, Filipinas e Chile e terminaram numa Reunião Mundial, em Maio, cujo anfitrião foi a Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, e que foi presidida pelo Secretário-Geral Adjunto da ONU para os Assuntos Económicos e Sociais, José Antonio Ocampo. Mais de cento e trinta peritos em finanças reuniram-se para analisar os desafios que a criação de sistemas financeiros inclusivos representa. A base destas consultas foi a preparação do “Livro Azul sobre a Criação de Sectores Financeiros Inclusivos para o Desenvolvimento”. O Livro Azul é uma análise convincente, que identifica os factores que condicionam o desenvolvimento e o funcionamento eficaz das instituições financeiras e aponta vias possíveis para enfrentar esses condicionamentos. A 7 de Novembro, no Fórum Internacional para a Criação de Sectores Financeiros Inclusivos, será apresentado um documento de síntese do Livro Azul.


O Projecto de Dados
Apesar de existir um amplo consenso quanto ao facto de o microfinanciamento ser utilizado de uma forma ampla e crescente, existem poucos dados sobre quem o fornece, como o fornece, quem o recebe e com que custos. No Outono de 2004, o Ano do Microcrédito, sob a liderança de Stanley Fischer, Director do Banco de Israel, reuniu um pequeno grupo de investigadores e especialistas em estatística bem como governos e sector privado para tentar preencher as lacunas existentes em matéria de dados, prever necessidades futuras e chegar a acordo quanto à melhor forma de avançar. Em consequência deste projecto pioneiro, um grupo de trabalho conjunto, formado por participantes do Banco Mundial, do Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido e do FinMark Trust, conseguiu avançar em direcção à criação de indicadores sobre a qualidade do acesso financeiro. O Banco Central dos Estados da África Ocidental também está a trabalhar nesta questão.


Produtos “Fabricados por Microempresários”
Na “loja on-line”, a que se pode aceder através de www.shopmicro.org, é comercializado um conjunto de artigos que inclui produtos fabricados por microempresários, produtos com o logótipo do Ano do Microcrédito e livros relacionados com o microfinanciamento. Este conjunto mostra a importância dos microempresários e serve de fonte de informação sobre o microfinanciamento. Os produtos vêm de países tão diferentes como a Macedónia, a Colômbia, o Ruanda e o Bangladeche.


Boletim
Microfinances Matter é uma publicação electrónica mensal do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para os Bens de Capital. O boletim é recebido actualmente por mais de 7000 assinantes directos. Para além da nossa lista de assinantes, o boletim é distribuído também por meio de vários canais de microfinanciamento, chegando a um público estimado de 50 000 pessoas em todo o mundo. Microfinances Matter promove parcerias inovadoras, eleva o nível de sensibilização do público para estas questões e partilha práticas eficazes e conhecimentos especializados sobre a criação de sectores financeiros inclusivos.


Projectos de Filmes e Anúncios de Serviço Público
Figuras públicas conhecidas têm prestado o seu apoio ao Ano por meio da gravação de anúncios de serviço público para distribuição mundial. O actor norte-americano Michael Douglas filmou um anúncio, em Agosto do corrente ano, juntando-se à actriz Aishwarya Ray e aos artistas Anggun, Souad Maasi e Karina. O músico brasileiro e Ministro da Cultura Gilberto Gil irá seguir-se-lhes, dentro em breve. Os anúncios foram produzidos pelo Citigroup e estão disponíveis em inglês, francês, espanhol e indonésio no sítio Web do Ano do Microcrédito, www.yearofmicrocredit.org. O Citigroup distribuirá os anúncios internacionalmente com o seu pacote publicitário. A curta-metragem Microfinance: In their own voices, uma colecção de histórias de clientes produzida por Sterling Van Wagenen para o Ano Internacional do Microcrédito, também foi distribuída pelos Centros de Informação da ONU de todo o mundo e disponibilizada a estações de rádio e televisão mundiais.


Grupo de Patrocinadores
Os Grupos de Emissários e Porta-vozes sensbilizam o público para o Ano do Microcrédito e dos seus objectivos, participando em inúmeros eventos. A Rainha Rania, da Jordânia, participou num fórum, em Washington D.C., sobre o microfinanciamento no Médio Oriente. Tanto a Princesa Matilde da Bélgica como a Princesa Máxima dos Países Baixos participaram numa ampla série de actividades e eventos. Anggun realizou viagens promocionais à Indonésia, actuou em recitais de beneficência e promoveu o logótipo do Ano no seu álbum mais recente.


Sítio Web do Ano do Microcrédito
O sítio Web oficial do Ano (www.yearofmicrocredit.org) apresenta uma ampla informação sobre o mesmo, os seus objectivos e actividades, Comités Nacionais, um calendário de eventos nacionais, regionais e internacionais e muito mais. O sítio é útil para aqueles que acabam de se iniciar no microfinanciamento, para os profissionais da indústria, para os organismos especializados e equipas da ONU em cada país e para os doadores e recebe mais de 20 000 visitas mensais, de 140 países..


Para mais informações, é favor visitar o sítio: www.yearofmicrocredit.org.


O Microfinanciamento e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio - Ficha informativa

Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) são objectivos globais que os dirigentes de todo o mundo fixaram para reduzir a pobreza extrema até 2015. Propõem-se enfrentar as questões da pobreza, da fome, da doença, da educação, da habitação, de género e da degradação do ambiente. Embora os ODM não fixem formalmente objectivos para o sector financeiro, os países de baixo rendimento precisam do microfinanciamento para alcançarem os ODM. Com efeito, o microfinanciamento produz riqueza e gera uma autonomia financeira das pessoas com rendimentos baixos. A Assembleia Geral das Nações Unidas designou o ano de 2005 Ano Internacional do Microcrédito, a fim de salientar a importância da criação de sectores financeiros inclusivos, e já não exclusivos, que poderão funcionar como catalisadores da consecução dos ODM.


O Papel do Microfinanciamento na Redução da Pobreza
O Microfinanciamento proporciona directamente, às pessoas pobres, os instrumentos para protegerem, diversificarem e aumentarem as suas fontes de rendimento. Está ligado a diversas estratégias recomendadas para a realização dos ODM e é um dos principais meios para reduzir a pobreza para metade até 2015. Dá especial destaque ao papel da poupança, ao crédito, às remessas, às pensões, aos seguros, bem como à necessidade de desenvolver os sectores privado e financeiro. Os sectores financeiros inclusivos que facilitam o acesso ao microfinanciamento atenuam a pobreza. Com efeito, segundo o Banco Mundial, o desenvolvimento dos sectores financeiros é um dos elementos cruciais para a consecução dos ODM: a pobreza é reduzida quando o crédito privados representa uma percentagem importante do PIB. Por exemplo, no Chile, o crédito privado representa 54% do PIB e a percentagem de pessoas que sobrevivem com menos de um dólar por dia diminuiu 14% por ano, entre 1987 e 2000. Em contrapartida, no Peru, onde o crédito privado representa apenas 13% do PIB, a proporção da população que vive abaixo do limiar da extrema pobreza aumentou 19%, entre 1985 e 2000. No entanto, em países como a Tanzânia, 6% da população têm uma conta de poupança e apenas 0,6% pediram alguma vez um empréstimo; a Etiópia e as Honduras têm menos de uma sucursal bancária por 100 000 pessoas. Em comparação, a Áustria, a Bélgica e a Espanha têm mais de 50. Um sector financeiro eficaz gere os activos e cria riqueza económica para os que a ele têm acesso. Para que as pessoas de baixos rendimentos possam gerir ou aumentar os seus activos, é necessário que tenham acesso aos serviços financeiros. O microfinanciamento só se chama “micro” porque os bens dos que vivem na pobreza são “micro”.


Utilizar o Microfinanciamento para Realizar os ODM


Envolver a Economia Informal
Nos países em desenvolvimento, a proporção de pessoas que obtêm o seus rendimentos no sector informal chega a atingir os 80%. O acesso ao microfinanciamento que facilite a entrada das empresas informais na economia formal é, portanto, crucial. Para facilitar uma integração no sector formal, as autoridades locais têm de adaptar a sua regulamentação e as suas exigências a fim de reduzir os custos e aumentar os benefícios obtidos quando da regularização das empresas das pessoas com baixos rendimentos. Devem também apoiar as pequenas empresas por meio de formação e de um acesso mais fácil aos recursos produtivos e às oportunidades do mercado.


Mobilizar as Micropoupanças para Incentivar o Crescimento Económico
Os serviços de micropoupança seguros, acessíveis e com custos razoáveis alimentam as economias pobres, com falta de liquidez, e melhoram as condições de vida dos que vivem na pobreza. Ao contrário do que se julga, as pessoas pobres e de baixos rendimentos são poupadas. Os pobres podem acumular riqueza, se tiverem acesso a oportunidades de poupança seguras. Essas pequenas quantias, muitas vezes insignificantes, podem dar um impulso ao crescimento económico de um país, se forem investidas correctamente. Uma taxa de poupança baixa é um dos problemas mais importantes dos países em desenvolvimento, dado que limita as possibilidades de investimento privado local.


Investir nas Mulheres
A igualdade de género é essencial para os ODM e o microfinanciamento melhora activamente a igualdade económica. O microfinanciamento proporciona à mulher instrumentos financeiros que lhe permitem aumentar os seus rendimentos e manter a sua família por meio de pequenas empresas. Os direitos das mulheres a serem proprietárias e a acumularem recursos financeiros para as obras de renovação ou desenvolvimento são reforçados pelo acesso ao microfinanciamento. Além disso, os direitos de propriedade podem ter um impacte positivo na capacidade das mulheres no que se refere a aumentarem os seus recursos por meio do crédito e investirem em oportunidades para aumentar a sua riqueza.


Facilitar as Remessas dos Migrantes aos Níveis Nacional e Internacional
As remessas nacionais e internacionais de migrantes e os sistemas de pagamento dos que vivem na pobreza são essenciais para a consecução dos ODM. Em muitos países, as remessas dos migrantes ultrapassam o total da ajuda internacional ao desenvolvimento, constituindo assim uma fonte vital de rendimentos das famílias, sobretudo quando as remessas são canalizadas através do sistema financeiro formal. As instituições de microfinanciamento podem proporcionar serviços de remessas seguros e com custos menores.


Desenvolver os Sectores Privados Locais e Investir na Inovação
O microfinanciamento desenvolve os sectores privados locais e favorece o desenvolvimento das pequenas e médias empresas. Contribui para o crescimento das microempresas e para a expansão dos fornecedores, bem como para a infra-estrutura vertical de que as empresas maiores necessitam. Ao criar riqueza para os indivíduos de baixos rendimentos, o microfinanciamento cria novos consumidores e novos mercados para as empresas de todas as dimensões.


Desenvolver as Zonas Urbanas e Rurais
Nas zonas urbanas, o microfinanciamento apoia, cada vez mais, a compra de espaços para viver, a melhoria da habitação e a construção de casas em zonas degradadas, por meio de poupanças e empréstimos especiais. Os serviços financeiros, os serviços destinados a promover o desenvolvimento das empresas, a educação e a formação são elementos vitais para a criação de um ambiente que permita a criação adequada de emprego e a melhoria dos níveis de rendimento.
O acesso aos sectores financeiros e ao microfinanciamento é igualmente essencial para o crescimento nas zonas rurais pobres. As intervenções recomendadas para fomentar o desenvolvimento rural sublinham a importância do acesso ao microfinanciamento como uma condição fundamental para o aumento do investimento no desenvolvimento rural e para um crescimento sustentável.


Melhorar os Serviços de Saúde
A grande maioria das pessoas das zonas rurais tem de pagar do seu bolso todos os serviços de saúde, o que se pode tornar uma catástrofe financeira para os que estão gravemente doentes. Este fenómeno foi identificado como uma causa importante de pobreza. O microfinanciamento é decisivo na melhoria dos serviço de saúde através da poupança, dos empréstimos e de seguros para os pobres, bem como para o investimento em empresas criadas por profissionais de medicina.


Enfrentar os Desafios do Sector Formal
O microfinanciamento constitui uma ponte importante para as populações que não são abrangidas pelo sector financeiro formal. Os microempresários têm, muitas vezes, pouco interesse em se tornar “formais”. Embora as empresas formais, nos países desenvolvidos, possam ter acesso a fundos por meio de hipotecas dos seus bens, isso não é amiúde possível em países onde a legislação sobre hipotecas é fraca e os bancos têm relutância em financiar os pequenos empresários. Os bancos suportam também custos muito elevados ou não podem obter informações fiáveis, mesmo quando as pequenas e médias empresas merecem que lhes concedam crédito. Estes factores fazem aumentar as taxas de juro e reduzem o volume dos empréstimos, criando assim barreiras, em termos de preços e quantidade, ao crescimento das pequenas e médias empresas.


Atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio através do Microfinanciamento
É evidente que a consecução dos ODM é possível com um empenhamento global em criar sectores financeiros inclusivos, a infra-estrutura necessária para manter a capacidade dos diferentes tipos de transacções financeiras e as estruturas reguladoras essenciais para que haja um sector financeiro sólido e transparente. O microfinanciamento é um instrumento poderoso que pode ajudar à consecução destes objectivos.


Para mais informações, é favor visitar o sítio: www.yearofmicrocredit.org.


 


Fórum planeia aumentar o acesso ao financiamento, numa altura em que microempresários são premiados pela ONU

Como passar do microcrédito para o microfinanciamento


Comunicado de imprensa



3 de Novembro de 2005 – Representantes de mais de cem países irão reunir-se no Fórum Internacional para a Criação de Sectores Financeiros Inclusivos, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, entre 7 e 9 de Novembro. Entre os participantes e oradores contam-se Bill Clinton, ex-Presidente dos Estados Unidos; Sua Alteza Real a Princesa Máxima dos Países Baixos; Paul Wolfowitz, Presidente do Banco Mundial; Kemal Dervis, Administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; José Antonio Ocampo, Secretário-Geral Adjunto do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas; Stanley Fischer, Governador do Banco de Israel; Sir Nicholas Stern, Chefe do Serviço de Economia do Governo do Reino Unido; Sir Ronald Cohen, Presidente do Grupo de Trabalho sobre Investimento Social; e Diana Taylor, Supervisora Bancária de Nova Iorque.


Este acontecimento, que encerra o Ano Internacional do Microcrédito 2005 (AIM), irá centrar-se em como fazer a transição do Ano do Microcrédito para um futuro em que todas as pessoas possam ter acesso ao serviço financeiros de que necessitam. O debate irá centrar-se na nova visão do microfinanciamento como uma oportunidade empresarial rendível que irá beneficiar tanto os pobres como os governos e os investidores e não como caridade. Graças a grupos de peritos, que irão envolver instituições financeiras nacionais e multinacionais, o Banco Mundial, o FMI, Bancos Centrais, representantes do sector privado, organismos especializados da ONU e microempresários, os participantes irão tomar decisões quanto às próximas medidas concretas para aumentar o acesso ao serviços financeiros por parte de uma população de cerca de quatro mil milhões de pessoas cujas necessidades não são satisfeitas actualmente.


Um dos pontos altos do fórum de três dias será a homenagem a nove microempresários que se deslocarão a Nova Iorque, para esse acontecimento, vindos do Afeganistão, África do Sul, Bangladeche, China, Índia, Libéria, Malawi, Peru e Serra Leoa. Os galardoados participaram no Prémio Mundial para as Microempresas – uma iniciativa extremamente bem sucedida do Ano que foi levada a cabo pelas Nações Unidas em 30 países, em colaboração com o Citigroup – e serão homenageados pelas Nações Unidas em virtude das suas empresas inovadoras e do impacte social na comunidade. Receberão os prémios das mãos das celebridades convidadas Jennifer Lopez, Marc Anthony, Chelsea Clinton, Walter Cronkite, Rory Kennedy e Rebecca De Mornay, num jantar de gala da ONU, cujo anfitrião será o célebre actor Tim Robbins, a 8 de Novembro.


O Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para os Bens de Capital (UN Capital Development Fund – UNCDF) e o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas dirigiram os esforços relacionados com o AIM, com o apoio de um grupo de alto nível de consultores externos. A Assembleia Geral das Nações Unidas designou 2005 Ano Internacional do Microcrédito para realçar a importância da criação de sectores financeiros inclusivos que catalisem a consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.


Para mais informações sobre o Ano Internacional do Microcrédito 2005 ou para marcar entrevistas com funcionários da ONU e microempresários, é favor contactar:


Departamento de Informação da ONU
Oisika Chakrabarti, Tel. +1-212-963-8264, Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para os Bens de Capital
Maggie Neilson, Tel. +1-206-979-7872, e-mail: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
Pode também visitar o sítio Web: www.yearofmicrocredit.org.


69º Aniversário da Organização das Nações Unidas assinalado em Lisboa e Porto

UNDAY-PT

Façamos um mundo melhor

Vamos fazer do mundo um lugar melhor 

Vídeo apresentado no contexto da Cúpula do #Clima das Nações Unidas.

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O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), sedeado em Bruxelas, presta informação sobre as actividades da ONU nos países da região, incluindo Portugal. Põe à disposição do público os principais relatórios da ONU, documentos, publicações, fichas informativas, comunicados de imprensa e notícias, em várias línguas, nomeadamente o português.