Sábado, 25 Outubro 2014
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O Microfinanciamento e os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio - Ficha informativa

Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) são objectivos globais que os dirigentes de todo o mundo fixaram para reduzir a pobreza extrema até 2015. Propõem-se enfrentar as questões da pobreza, da fome, da doença, da educação, da habitação, de género e da degradação do ambiente. Embora os ODM não fixem formalmente objectivos para o sector financeiro, os países de baixo rendimento precisam do microfinanciamento para alcançarem os ODM. Com efeito, o microfinanciamento produz riqueza e gera uma autonomia financeira das pessoas com rendimentos baixos. A Assembleia Geral das Nações Unidas designou o ano de 2005 Ano Internacional do Microcrédito, a fim de salientar a importância da criação de sectores financeiros inclusivos, e já não exclusivos, que poderão funcionar como catalisadores da consecução dos ODM.


O Papel do Microfinanciamento na Redução da Pobreza
O Microfinanciamento proporciona directamente, às pessoas pobres, os instrumentos para protegerem, diversificarem e aumentarem as suas fontes de rendimento. Está ligado a diversas estratégias recomendadas para a realização dos ODM e é um dos principais meios para reduzir a pobreza para metade até 2015. Dá especial destaque ao papel da poupança, ao crédito, às remessas, às pensões, aos seguros, bem como à necessidade de desenvolver os sectores privado e financeiro. Os sectores financeiros inclusivos que facilitam o acesso ao microfinanciamento atenuam a pobreza. Com efeito, segundo o Banco Mundial, o desenvolvimento dos sectores financeiros é um dos elementos cruciais para a consecução dos ODM: a pobreza é reduzida quando o crédito privados representa uma percentagem importante do PIB. Por exemplo, no Chile, o crédito privado representa 54% do PIB e a percentagem de pessoas que sobrevivem com menos de um dólar por dia diminuiu 14% por ano, entre 1987 e 2000. Em contrapartida, no Peru, onde o crédito privado representa apenas 13% do PIB, a proporção da população que vive abaixo do limiar da extrema pobreza aumentou 19%, entre 1985 e 2000. No entanto, em países como a Tanzânia, 6% da população têm uma conta de poupança e apenas 0,6% pediram alguma vez um empréstimo; a Etiópia e as Honduras têm menos de uma sucursal bancária por 100 000 pessoas. Em comparação, a Áustria, a Bélgica e a Espanha têm mais de 50. Um sector financeiro eficaz gere os activos e cria riqueza económica para os que a ele têm acesso. Para que as pessoas de baixos rendimentos possam gerir ou aumentar os seus activos, é necessário que tenham acesso aos serviços financeiros. O microfinanciamento só se chama “micro” porque os bens dos que vivem na pobreza são “micro”.


Utilizar o Microfinanciamento para Realizar os ODM


Envolver a Economia Informal
Nos países em desenvolvimento, a proporção de pessoas que obtêm o seus rendimentos no sector informal chega a atingir os 80%. O acesso ao microfinanciamento que facilite a entrada das empresas informais na economia formal é, portanto, crucial. Para facilitar uma integração no sector formal, as autoridades locais têm de adaptar a sua regulamentação e as suas exigências a fim de reduzir os custos e aumentar os benefícios obtidos quando da regularização das empresas das pessoas com baixos rendimentos. Devem também apoiar as pequenas empresas por meio de formação e de um acesso mais fácil aos recursos produtivos e às oportunidades do mercado.


Mobilizar as Micropoupanças para Incentivar o Crescimento Económico
Os serviços de micropoupança seguros, acessíveis e com custos razoáveis alimentam as economias pobres, com falta de liquidez, e melhoram as condições de vida dos que vivem na pobreza. Ao contrário do que se julga, as pessoas pobres e de baixos rendimentos são poupadas. Os pobres podem acumular riqueza, se tiverem acesso a oportunidades de poupança seguras. Essas pequenas quantias, muitas vezes insignificantes, podem dar um impulso ao crescimento económico de um país, se forem investidas correctamente. Uma taxa de poupança baixa é um dos problemas mais importantes dos países em desenvolvimento, dado que limita as possibilidades de investimento privado local.


Investir nas Mulheres
A igualdade de género é essencial para os ODM e o microfinanciamento melhora activamente a igualdade económica. O microfinanciamento proporciona à mulher instrumentos financeiros que lhe permitem aumentar os seus rendimentos e manter a sua família por meio de pequenas empresas. Os direitos das mulheres a serem proprietárias e a acumularem recursos financeiros para as obras de renovação ou desenvolvimento são reforçados pelo acesso ao microfinanciamento. Além disso, os direitos de propriedade podem ter um impacte positivo na capacidade das mulheres no que se refere a aumentarem os seus recursos por meio do crédito e investirem em oportunidades para aumentar a sua riqueza.


Facilitar as Remessas dos Migrantes aos Níveis Nacional e Internacional
As remessas nacionais e internacionais de migrantes e os sistemas de pagamento dos que vivem na pobreza são essenciais para a consecução dos ODM. Em muitos países, as remessas dos migrantes ultrapassam o total da ajuda internacional ao desenvolvimento, constituindo assim uma fonte vital de rendimentos das famílias, sobretudo quando as remessas são canalizadas através do sistema financeiro formal. As instituições de microfinanciamento podem proporcionar serviços de remessas seguros e com custos menores.


Desenvolver os Sectores Privados Locais e Investir na Inovação
O microfinanciamento desenvolve os sectores privados locais e favorece o desenvolvimento das pequenas e médias empresas. Contribui para o crescimento das microempresas e para a expansão dos fornecedores, bem como para a infra-estrutura vertical de que as empresas maiores necessitam. Ao criar riqueza para os indivíduos de baixos rendimentos, o microfinanciamento cria novos consumidores e novos mercados para as empresas de todas as dimensões.


Desenvolver as Zonas Urbanas e Rurais
Nas zonas urbanas, o microfinanciamento apoia, cada vez mais, a compra de espaços para viver, a melhoria da habitação e a construção de casas em zonas degradadas, por meio de poupanças e empréstimos especiais. Os serviços financeiros, os serviços destinados a promover o desenvolvimento das empresas, a educação e a formação são elementos vitais para a criação de um ambiente que permita a criação adequada de emprego e a melhoria dos níveis de rendimento.
O acesso aos sectores financeiros e ao microfinanciamento é igualmente essencial para o crescimento nas zonas rurais pobres. As intervenções recomendadas para fomentar o desenvolvimento rural sublinham a importância do acesso ao microfinanciamento como uma condição fundamental para o aumento do investimento no desenvolvimento rural e para um crescimento sustentável.


Melhorar os Serviços de Saúde
A grande maioria das pessoas das zonas rurais tem de pagar do seu bolso todos os serviços de saúde, o que se pode tornar uma catástrofe financeira para os que estão gravemente doentes. Este fenómeno foi identificado como uma causa importante de pobreza. O microfinanciamento é decisivo na melhoria dos serviço de saúde através da poupança, dos empréstimos e de seguros para os pobres, bem como para o investimento em empresas criadas por profissionais de medicina.


Enfrentar os Desafios do Sector Formal
O microfinanciamento constitui uma ponte importante para as populações que não são abrangidas pelo sector financeiro formal. Os microempresários têm, muitas vezes, pouco interesse em se tornar “formais”. Embora as empresas formais, nos países desenvolvidos, possam ter acesso a fundos por meio de hipotecas dos seus bens, isso não é amiúde possível em países onde a legislação sobre hipotecas é fraca e os bancos têm relutância em financiar os pequenos empresários. Os bancos suportam também custos muito elevados ou não podem obter informações fiáveis, mesmo quando as pequenas e médias empresas merecem que lhes concedam crédito. Estes factores fazem aumentar as taxas de juro e reduzem o volume dos empréstimos, criando assim barreiras, em termos de preços e quantidade, ao crescimento das pequenas e médias empresas.


Atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio através do Microfinanciamento
É evidente que a consecução dos ODM é possível com um empenhamento global em criar sectores financeiros inclusivos, a infra-estrutura necessária para manter a capacidade dos diferentes tipos de transacções financeiras e as estruturas reguladoras essenciais para que haja um sector financeiro sólido e transparente. O microfinanciamento é um instrumento poderoso que pode ajudar à consecução destes objectivos.


Para mais informações, é favor visitar o sítio: www.yearofmicrocredit.org.


 


Fórum planeia aumentar o acesso ao financiamento, numa altura em que microempresários são premiados pela ONU

Como passar do microcrédito para o microfinanciamento


Comunicado de imprensa



3 de Novembro de 2005 – Representantes de mais de cem países irão reunir-se no Fórum Internacional para a Criação de Sectores Financeiros Inclusivos, na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, entre 7 e 9 de Novembro. Entre os participantes e oradores contam-se Bill Clinton, ex-Presidente dos Estados Unidos; Sua Alteza Real a Princesa Máxima dos Países Baixos; Paul Wolfowitz, Presidente do Banco Mundial; Kemal Dervis, Administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; José Antonio Ocampo, Secretário-Geral Adjunto do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas; Stanley Fischer, Governador do Banco de Israel; Sir Nicholas Stern, Chefe do Serviço de Economia do Governo do Reino Unido; Sir Ronald Cohen, Presidente do Grupo de Trabalho sobre Investimento Social; e Diana Taylor, Supervisora Bancária de Nova Iorque.


Este acontecimento, que encerra o Ano Internacional do Microcrédito 2005 (AIM), irá centrar-se em como fazer a transição do Ano do Microcrédito para um futuro em que todas as pessoas possam ter acesso ao serviço financeiros de que necessitam. O debate irá centrar-se na nova visão do microfinanciamento como uma oportunidade empresarial rendível que irá beneficiar tanto os pobres como os governos e os investidores e não como caridade. Graças a grupos de peritos, que irão envolver instituições financeiras nacionais e multinacionais, o Banco Mundial, o FMI, Bancos Centrais, representantes do sector privado, organismos especializados da ONU e microempresários, os participantes irão tomar decisões quanto às próximas medidas concretas para aumentar o acesso ao serviços financeiros por parte de uma população de cerca de quatro mil milhões de pessoas cujas necessidades não são satisfeitas actualmente.


Um dos pontos altos do fórum de três dias será a homenagem a nove microempresários que se deslocarão a Nova Iorque, para esse acontecimento, vindos do Afeganistão, África do Sul, Bangladeche, China, Índia, Libéria, Malawi, Peru e Serra Leoa. Os galardoados participaram no Prémio Mundial para as Microempresas – uma iniciativa extremamente bem sucedida do Ano que foi levada a cabo pelas Nações Unidas em 30 países, em colaboração com o Citigroup – e serão homenageados pelas Nações Unidas em virtude das suas empresas inovadoras e do impacte social na comunidade. Receberão os prémios das mãos das celebridades convidadas Jennifer Lopez, Marc Anthony, Chelsea Clinton, Walter Cronkite, Rory Kennedy e Rebecca De Mornay, num jantar de gala da ONU, cujo anfitrião será o célebre actor Tim Robbins, a 8 de Novembro.


O Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para os Bens de Capital (UN Capital Development Fund – UNCDF) e o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas dirigiram os esforços relacionados com o AIM, com o apoio de um grupo de alto nível de consultores externos. A Assembleia Geral das Nações Unidas designou 2005 Ano Internacional do Microcrédito para realçar a importância da criação de sectores financeiros inclusivos que catalisem a consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.


Para mais informações sobre o Ano Internacional do Microcrédito 2005 ou para marcar entrevistas com funcionários da ONU e microempresários, é favor contactar:


Departamento de Informação da ONU
Oisika Chakrabarti, Tel. +1-212-963-8264, Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para os Bens de Capital
Maggie Neilson, Tel. +1-206-979-7872, e-mail: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
Pode também visitar o sítio Web: www.yearofmicrocredit.org.


Mensagem do Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, por ocasião do Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Ambiente em Tempo de Guerra e de Conflito Armado (6 de Novembro de 2005)

A guerra tem, para além de enormes custos humanos e económicos, repercussões profundas no ambiente. Por vezes, a destruição deliberada dos recursos naturais insere-se numa táctica. Mas, na maior parte dos casos, o ambiente é apenas uma vítima inocente do fogo cruzado. Como sempre, os pobres são os mais gravemente lesados, dado que retiram do ambiente não só os seus alimentos mas também os seus medicamentos, meios de subsistência e materiais para construir abrigos e casas.
A luta contra a degradação do ambiente causada pela guerra, indissociável da recuperação e reconstrução depois de um conflito, ocupa um lugar cada vez mais importante nas actividades da ONU.


Depois da guerra na Ex-Jugoslávia, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) empreendeu a limpeza de quatro sítios quimicamente contaminados na Sérvia e no Montenegro.
No Afeganistão, o PNUE apoia actualmente a criação da Agência Nacional de Protecção do Ambiente e empreendeu estudos aprofundados sobre a situação do país na fase de pós-conflito, com vista a contribuir para o restabelecimento dos meios de subsistência.
Os terrenos pantanosos mesopotâmicos que se estendem entre o Iraque e o Irão foram quase totalmente destruídos, no final de 2002, o que obrigou centenas de milhar de árabes da zona a fugirem das suas terras e a abandonarem o seu modo de vida tradicional. Com a cooperação das comunidades locais, 40% dos terrenos pantanosos foram reinundados e 80 000 habitantes da região puderam regressar à zona.
Ao ajudarmos os que são afectados pelos conflitos a recuperarem as suas terras e os seus meios de subsistência e sobretudo ao sermos os guardiões do ambiente que os rodeia, damos-lhes meios para construírem os alicerces de uma paz duradoura, a melhor defesa que pode haver. Neste dia de celebração internacional, peço a todas as partes interessadas que redobrem os seus esforços para evitar a exploração e a degradação do ambiente em tempo de guerra.


 


É preciso ajudar imediatamente as vítimas do terramoto para impedir uma segunda vaga de mortes* Jan Egeland, Secretário-Geral Adjunto para os Assuntos Humanitários e Coordenador do Socorro de Emergência da ONU

Quatro semanas depois de um violento terramoto ter atingido o Sul da Ásia, o número de mortos, de pessoas sem abrigo, de feridos e de desamparados não pára de aumentar. A situação é tão urgente quanto desesperada. O número de vítimas, que se eleva actualmente a 73 000, poderia duplicar, se não se obtiverem imediatamente fundos para o socorro de emergência e se a ajuda não chegar rapidamente. O implacável inverno himalaio aproxima-se rapidamente e estamos a correr contra o tempo para salvar vidas no Paquistão. Juntos, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para ganharmos esta corrida.


É indispensável um aumento maciço imediato do socorro de emergência, nas próximas três semanas, para evitar uma segunda vaga de vítimas. Se não se verificar, desenha-se no horizonte uma catástrofe.


Tanto quanto sabemos hoje, o terramoto deixou três milhões de pessoas sem abrigo, numa região situada a uma altitude em que o clima é rigoroso. Pelo menos dois milhões de pessoas precisam de auxílio urgente. Há mais de 69 000 feridos. Todas as infra-estruturas essenciais foram destruídas, numa região que se estende por mais de 28 000 quilómetros quadrados. Partilhamos o sofrimento dos Paquistaneses, ao mesmo tempo que nos preparamos para a difícil tarefa de tentar chegar aos quase 30% das vítimas que ainda não receberam assistência.


As medidas de emergência internacionais têm sido entravadas por dois factores: a falta gritante de fundos destinados ao socorro de emergência e a extrema dificuldade em chegar a todos os sobreviventes do terramoto.


A acção do pessoal humanitário no Paquistão tem sido dificultada por um pesadelo logístico como nunca se vira, nem sequer quando da catástrofe do tsunami. Vários factores – a altitude, o terreno montanhoso, a destruição quase completa das infra-estruturas de um território imenso, os constantes aluimentos de terras, as réplicas e um inferno rigoroso iminente – criaram o mais difícil problema logístico que a comunidade internacional já conheceu. A dimensão do problema mostra até que ponto uma boa cooperação no terreno é indispensável, para que os escassos recursos sejam utilizados da melhor maneira.


Em segundo lugar, temos uma necessidade imediata de fundos para o socorro de urgência.  Na verdade, já precisávamos deles ontem. Cada dia de atraso implica um risco de condenação à morte para milhares de feridos, de pessoas com fome e sem abrigo, em particular crianças de tenra idade, que são os mais vulneráveis à doença e ao frio.


As necessidades imediatas no terreno continuam a ser enormes, o que levou a ONU a duplicar praticamente o montante do seu primeiro apelo à concessão de fundos, que passou a elevar-se a 550 milhões de dólares. Exorto todos os países doadores europeus, o sector privado e os cidadãos do mundo inteiro a abrirem o seu coração e as suas carteiras e a mostrarem-se tão generosos como foram quando da crise do tsunami.


Dez dias depois da catástrofe do tsunami, a ONU tinham reunido 80% dos fundos necessários. No Paquistão, pelo contrário, um mês depois, só se conseguiram 22% dos fundos pedidos para o socorro de emergência. Numa época em que o mundo nunca foi tão rico, em que nunca houve tantos países ricos na Europa, na Ásia e na América latina, não há desculpa para a inacção.


Exortamos todos os doadores – públicos e privados – a responderem com urgência ao apelo humanitário das Nações Unidas e a concretizarem imediatamente todas as contribuições anunciadas. O apelo da Organização a favor das vítimas do terramoto é geral, no seu alcance, e explicável, na sua aplicação. São garantidas aos doadores a máxima transparência e uma visibilidade mundial das suas doações, graças ao sítio web des Nações Unidas, acessível a todos, que acompanha do princípio ao fim o encaminhamento das contribuições financeiras para os apelos humanitários da ONU.


Não há desculpa para a nossa inacção colectiva. Sabemos o que acontecerá, se não agirmos imediatamente, disponbilizando recursos e demonstrando determinação: milhares de pessoas morrerão em breve no Paquistão e um número ainda maior sofrerá desnecessariamente. O mundo dispõe de meios e dinheiro para os salvar. Resta saber se temos vontade de o fazer.



* Publicado em Portugal pelo Diário de Notícias a 6/11/2005


Governos, sectror privado e sociedade civil reúnem-se em Tunis, entre 16 e 18 de Novembro, na Cimeira Mundial sobre as Tecnologias e a Sociedade da Informação

A segunda fase da Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação, que se realizará entre 16 e 18 de Novembro, irá reunir líderes políticos, empresariais e da sociedade civil para que sejam tomadas medidas para eliminar a info-exclusão, de modo que os benefícios da sociedade de informação possam ser partilhados por todos.


A Cimeira, que se realizará no Kram PalExpo, em Tunis, irá ponderar a aplicação do programa ambicioso acordado na primeira fase, que se realizou em Genebra, em 2003. Em Genebra, 175 países aprovaram uma Declaração de Princípios que delineava uma visão comum da sociedade da informação e um Plano de Acção que estabelece metas para a melhoria da conectividade e do acesso em termos de utilização da tecnologia da informação e comunicação (TIC).


As metas, que deverão ser atingidas até 2015, incluem a ligação de aldeias, pontos de acesso nas comunidades, escolas e universidades, centros de investigação, bibliotecas, centros de saúde e hospitais e departamentos da administração local e central.


O Plano de Acção procura também incentivar a criação de conteúdos e reunir as condições técnicas que facilitem a presença de todas as línguas do mundo na Internet. A Cimeira de Tunis analisará os primeiros dois anos de aplicação do Plano de Acção.


Espera-se que o evento acolha cerca de 12 000 participantes oriundos de governos, do sector privado, da sociedade civil e dos principais órgãos de comunicação social. Entre os participantes confirmados, contam-se o Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, Chefes de Estado e de Governo de mais de 45 países, os principais executivos de mais de 200 empresas – nomeadamente, a Alcatel, a Ericsson, a France Telecom, a Google, a Huawei, a Infosys, a Intel, a KDDI, a Microsoft, a Nokia, a NTT DoCoMo, a Skype, a Sun Microsystems, a Telefónica e a World Space – e algumas das principais organizações ligadas ao desenvolvimento, como a Grameen Foundation USA, a MS Swaminathan Foundation e a Telecoms sans Frontières.



Da info-exclusão à oportunidade digital
“A fase de Tunis é a Cimeira das soluções”, afirmou Yoshio Utsumi, Secretário-Geral da Cimeira e Secretário-Geral da União Internacional das Telecomunicações (UIT), o organismo especializado das Nações Unidas que tem a seu cargo o evento. “Tem como objectivo transformar a info-exclusão em oportunidades digitais para a promoção da paz, do desenvolvimento sustentável, da democracia, da transparência e da boa governação”.


Um dos principais objectivos será encontrar formas de os países em desenvolvimento terem mais acesso à Internet e a outras TIC. Segundo a UIT, os 942 milhões de pessoas que vivem nas economias desenvolvidas do mundo dispõem de um acesso cinco vezes melhor a serviços telefónicos fixos e móveis, de um acesso nove vezes melhor a serviços Internet e possuem 13 vezes mais computadores pessoais do que os 85% da população mundial que vivem em países de rendimentos baixos ou médios-baixos. A UIT estima também que 800 000 aldeias ainda não disponham de ligação por linha telefónica, Internet ou qualquer outra TIC moderna.


“Um maior acesso às tecnologias da informação pode melhorar as práticas agrícolas e ajudar os microempresários”, afirmou Sashi Taroor, Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas para a Comunicação e a Informação. “Pode ajudar a evitar a SIDA e outras doenças transmissíveis, pode promover a igualdade de género e favorecer a protecção ambiental. Em todo o mundo em desenvolvimento, o comércio electrónico, o ensino à distância, a telemedicina e a governação electrónica estão a melhorar a qualidade de vida de inúmeras pessoas”.


Espera-se que a conferência adopte um documento político que contenha os compromissos políticos dos Estados-membros e um documento operacional sobre o acompanhamento e medidas futuras.


Existe um acordo alargado entre os Estados-membros no que se refere à secção do documento final que trata dos mecanismos financeiros para promover a instalação de TIC no mundo em desenvolvimento. Falta aprovar apenas alguns parágrafos.


Reconhecendo o papel fundamental desempenhado pelo sector privado, os Estados-membros já subscreveram a concentração de recursos financeiros em diversas áreas. Entre estas, contam-se programas de reforço de capacidades em termos de TIC, infra-estrutura central regional e Pontos de Permuta Internet, assistência aos países menos desenvolvidos e aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento, integração da TIC nas estratégias de erradicação da pobreza, financiamento de pequenas, médias e microempresas, promoção do fabrico local de TIC nos países em desenvolvimento, reforma da regulamentação da TIC e iniciativas locais que prestem serviços de TIC às comunidades.


Outra questão pendente é a conclusão de mecanismos que garantam o acompanhamento e implementação das decisões da Cimeira. É considerado essencial que se estabeleçam responsabilidades claras em termos de garantir que as metas do Plano são controladas e atingidas.



Questões relacionadas com a Internet
Os Governos irão procurar também chegar a acordo quanto a questões relacionadas com a utilização da Internet. Ao longo dos anos, a Internet foi-se tornando cada vez mais valiosa, tanto para os utilizadores como para os governos, afirmou o embaixador Janis Karklins, Presidente do Comité Preparatório da Cimeira. “Para muitos governos, um sistema que, há dez anos, não tinha qualquer importância, tornou-se extremamente importante, hoje em dia”, disse o Sr. Karklins, acrescentando que esses governos têm pedido que sejam introduzidas alterações no modo como o sistema é gerido.


Até agora, a governação de questões relacionadas com a utilização da Internet, como o spam (correio não solicitado) e a cibercriminalidade, foram tratadas de uma forma dispersa e fragmentada, enquanto a infra-estrutura da Internet tem sido gerida por meio de uma colaboração informal mas eficaz entre diversas instituições, sendo a liderança assumida pelas empresas privadas, a sociedade civil e as comunidades académica e técnica. Mas os países em desenvolvimento disseram que têm dificuldade em acompanhar todos estes processos e se sentem excluídos das estruturas de governação da Internet.


Por razões históricas, os Estados Unidos têm a autoridade última sobre alguns dos recursos fundamentais da Internet. Há um amplo acordo quanto à necessidade de uma maior participação internacional em discussões sobre questões da governação da Internet, mas existem divergências sobre o modo como isso será conseguido.


No projecto de documento final, os países já chegaram a acordo sobre o reconhecimento da soberania nacional sobre os nomes dos Domínios de Nível Superior com código de país (como .uk para o Reino Unido) e sobre o princípio de que os governos não deveriam envolver-se na gestão quotidiana da Internet.



Uma feira comercial da informação
Paralelamente à Cimeira de governos, cerca de 250 mesas redondas, grupos de discussão, apresentações e acontecimentos mediáticos independentes foram planeados por organizações da sociedade civil, empresas e delegações nacionais. Os grupos de discussão de alto nível irão permitir que os Chefes de Estado e de Governo realizem debates públicos com proeminentes líderes empresariais e da sociedade civil.


Uma grande feira comercial de TIC, “ICT4All”, irá realizar-se entre 15 e 19 de Novembro, no Kram PalExpo. Empresas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento irão apresentar ideias inovadoras e soluções práticas, encontrar-se e criar novas parcerias. Espera-se a presença, na ICT4All, de cerca de 40 000 visitantes.


A Cimeira é organizada pela UIT, o organismo especializado das Nações Unidas para as telecomunicações, com o apoio do sistema das Nações Unidas como um todo.



Para acreditação dos meios de comunicação social, é favor consultar: http://www.itu.int/newsroom/accredit/wsis/2005/tunis/procedure.html
Para mais informações, é favor visitar www.itu.int/wsis ou contactar Edoardo Bellando, Departamento de Informação das Nações Unidas, (1 212) 963 8275, Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar , ou Francis Coutu, (1 212) 963 9495, Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar .


 


69º Aniversário da Organização das Nações Unidas assinalado em Lisboa e Porto

UNDAY-PT

Façamos um mundo melhor

Vamos fazer do mundo um lugar melhor 

Vídeo apresentado no contexto da Cúpula do #Clima das Nações Unidas.

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O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), sedeado em Bruxelas, presta informação sobre as actividades da ONU nos países da região, incluindo Portugal. Põe à disposição do público os principais relatórios da ONU, documentos, publicações, fichas informativas, comunicados de imprensa e notícias, em várias línguas, nomeadamente o português.