Dez anos depois da primeira Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Social, que decorreu em Copenhaga, “diversas tendências estão a ter um impacte negativo no desenvolvimento social, designadamente a carência e a desigualdade socioeconómicas”, afirma o Secretário-Geral num relatório publicado em Fevereiro de 2005, no qual sublinha que as ameaças às liberdades civis decorrentes das preocupações com a segurança se estão a intensificar.
Durante a sua 43. Sessão, que se realizará na Sede da ONU em Nova Iorque, de 9 a 18 de Fevereiro e na reunião plenária (10-11 de Fevereiro), a Comissão de Desenvolvimento Social analisará os compromissos assumidos pelos dirigentes mundiais em Copenhaga. A Comissão procederá à análise -- dez anos depois da Cimeira Social – da aplicação da Declaração de Copenhaga e do Programa de Acção sobre Desenvolvimento Social bem como da sessão extraordinária de seguimento da Assembleia Geral, celebrada em Genebra, em 2000.
A Vice-Secretária-Geral Louise Fréchette proferirá um discurso, na reunião de alto nível, a 10 de Fevereiro, pelas 10h da manhã, após a abertura formal da mesma pelo Presidente da Comissão, o Representante Permanente da África do Sul, Embaixador Dumisani Shadrack Kumalo. Três mesas-redondas simultâneas debruçar-se-ão sobre os dez compromissos da Cimeira Social e a sua ligação com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Cada uma das Mesas Redondas – sobre Promover o Pleno Emprego, Erradicar a Pobreza e Fomentar a Integração Social – será presidida por um ministro. A reunião de alto nível terminará com a adopção de uma declaração, a 11 de Fevereiro.
Entre os participantes esperados figuram ministros da África do Sul, Andorra, Brasil, Canadá, Egipto, França, Irlanda, Luxemburgo, Jamaica, Malavi, Marrocos, Senegal, Suriname, Trinidad e Tobato e Zimbabué.
A 8 de Fevereiro, realizar-se-á um Fórum da sociedade civil, co-patrocinado pelo Comité de ONG sobre Desenvolvimento Social e o Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU. O texto saído do Fórum – uma Declaração da Sociedade Civil -- será apresentado à Comissão, a 9 de Fevereiro. Os eventos paralelos contarão com a participação da Social Watch, HelpAge International, Conselho Internacional de Acção Social, o Comité de ONG sobre Desenvolvimento social, ATD Fourth World e outras organizações.
A sessão da manhã do dia 9 de Fevereiro incluirá uma mesa-redonda com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI). A sessão da tarde incluirá uma mesa redonda com os Secretários Executivos das Comissões Regionais da ONU. Os debates incidirão sobre a aplicação dos compromissos assumidos em Copenhaga e em Genebra.
Durante a segunda semana (14-18 de Fevereiro), a Comissão analisará o Programa de Acção de 1982 sobre as Pessoas com Deficiência, o relatório do Secretário-Geral acerca do Relatório Mundial sobre a Juventude 2005, o Plano de Acção Internacional de Madrid sobre o Envelhecimento e o décimo aniversário do Ano Internacional da Família. Na manhã do dia 14, uma mesa-redonda abordará o tema “Trabalhar com os jovens sobre projectos comuns”.
Antecedentes
Na Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Social, que teve lugar em Copenhaga, de 6 a 12 de Março de 1995, 117 Chefes de Estado e de Governo comprometeram-se a dar a máxima prioridade “à promoção do progresso social, da justiça e da melhoria da condição humana”, de modo a construir sociedades seguras, estáveis e justas. Ao adoptarem a Declaração e o Programa de Acção, os dirigentes mundiais prometeram converter a eliminação da pobreza, a consecução do pleno emprego e a promoção da integração social nos principais objectivos do desenvolvimento.
Através dos seus três temas básicos – pobreza, emprego e integração social – a Cimeira abordou o desenvolvimento social de uma forma global, tratando-o como um processo que implica a participação de todos. Sublinhou que o desenvolvimento social implica a promoção de uma distribuição mais equitativa das oportunidades, rendimento, bens e poder e pediu a participação dos governos, da sociedade civil e do sector privado, com vista a promover a inclusão e a participação.
Segundo foi afirmado na Cimeira, as políticas e investimentos mais produtivos são aqueles que “dão às pessoas a capacidade de agir necessária para maximizarem as suas capacidades, recursos e capacidades”. A Cimeira representou uma mudança ao nível do debate, uma vez que deixou de se basear na tradicional dependência do factor económico para incidir nas várias dimensões económicas do desenvolvimento social – como por exemplo o comércio ou a tecnologia – que são importantes para a sociedade, não tanto pelas suas vantagens económicas como pelo facto de poderem promover actividades produtivas a fim de satisfazer necessidades sociais.
Cinco anos depois, os governos reuniram-se de novo em Genebra, na 24. Sessão Extraordinária da Assembleia Geral (26 de Junho – 1 de Julho de 2000) para analisarem os progressos alcançados e assumirem compromissos em relação a novas iniciativas. A sessão extraordinária aprovou uma declaração política, uma avaliação da cimeira de 1995 e novas iniciativas destinadas a pôr em prática os compromissos de Copenhaga.
Relatório do Secretário-Geral
A Comissão irá analisar o relatório do Secretário-Geral Review of the further implementation of the World Summit for Social Development and the outcome of the Twenty-fourth special session of the General Assembly (documento E/CN.5/2005/6), no qual o Secretário-Geral faz a “penosa constatação” de que a criação de um clima propício ao desenvolvimento social constitui um problema de grande dimensão.
Se é um facto que a proporção da população mundial que vive na pobreza extrema passou de cerca de 30%, em 1990, para 21%, em 2001, a verdade é que as situações de desigualdade subsistem e são omnipresentes, impedindo que se ataquem as causas estruturais da pobreza e se melhorem as condições de vida dos jovens, das pessoas idosas, dos deficientes, das populações autóctones, dos migrantes e dos deslocados internos. A dimensão do desemprego no mundo é alarmante: em 2003, 186 milhões de pessoas – um nível sem precedentes – estavam desempregadas, ou seja, 6,2% da população activa, em comparação com 140 milhões há dez anos. Todos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) poderiam ser efectivamente alcançados até 2015, se o montante da ajuda pública ao desenvolvimento conhecesse um aumento de 50 mil milhões de dólares por ano e se mantivesse a esse nível, o que representa apenas 5% do que o mundo gasta anualmente em armas.
Afirmando que os resultados obtidos são desiguais e que muitas expectativas ficaram por se concretizar, o Secretário-Geral reconhece, no entanto, no seu relatório, que a Cimeira teve o mérito de despertar as consciências e de sublinhar a importância da solução de problemas de desenvolvimento social e da aplicação de políticas nesta área e conduziu à “inclusão de vários objectivos de desenvolvimento social nos ODM”.
Segundo o Secretário-Geral, o desfasamento entre o ritmo da globalização e a regulamentação actual em vigor causou numerosos desequilíbrios que é necessário corrigir. Impõe-se, pois, uma “distribuição equitativa dos benefícios numa economia mundial mais aberta”, que deverá ser acompanhada de “medidas favoráveis à participação democrática de todos os países e todos os povos nos processos de decisão que regem as relações internacionais”. “A realização de um desenvolvimento centrado no ser humano implica atribuir a máxima prioridade aos objectivos, a longo prazo, de desenvolvimento social”, diz ainda Kofi Annan.
Outros relatórios
Na sessão serão também analisados outros documentos, nomeadamente:
- World Youth Report (relatório do Secretário-Geral; documento A/60/61-E/2005/7);
- Review of the methods of work of the Commission for Social Development (relatório do Secretário-Geral; documento E/CN.5/2005/2);
- Uma nota do Secretário-Geral sobre Monitoring the implementation of the Standard Rules on the Equalization of Opportunities for Persons with Disabilities (E/CN.5/2005/5);
- Notas do Secretário-Geral sobre Nominations of members of the Board of the United Nations Research Institute for Social Development (E/CN.5/2005/4) e Nominations of members of the Board of the United Nations Research Institute for Social Development (E/CN.5/2005/4/ADD.1)
Sobre a Comissão
Eleitos pelo Conselho Económico e Social por um mandato de quatro anos, os 46 membros da Comissão de Desenvolvimento Social, que se reúnem uma vez por ano, estão assim distribuídos: 12 países do grupo de Estados africanos, 10 países do Grupo de Estados da Ásia, 5 países do Grupo de Estados da Europa Oriental, 9 países do Grupo de Estados da América Latina e Caraíbas, 10 países do Grupo de Estados da Europa Ocidental e de outros Estados.
Os membros actuais da Comissão são os seguintes (o ano em que o seu mandato termina figura entre parênteses): África do Sul (2005), Alemanha (2008), Argentina (2007), Áustria (2005), Bangladeche (2005), Bulgária (2005), Cazaquistão (2005), Chile (2008), China (2005), Comoros (2005), Costa do Marfim (2008), Dinamarca (2005), El Salvador (2005), Estados Unidos (2008), Etiópia (2008), Espanha (2007), Federação Russa (2008), França (2008), Gabão (2005), Haiti (2008), Índia (2007), Indonésia (2008), Irão (2007), Itália (2005), Jamahiriya Árábe Líbia (2007), Jamaica (2005), Japão (2008), Mali (2008), Malta (2007), México (2005), Paquistão (2007), Peru (2008), República Centro-Africana (2007), República Checa (2005), República da Coreia (2008), República da Moldávia (2008), República Dominicana (2007), República Unida da Tanzânia (2005), Roménia (2007), Senegal (2007), Suíça (2005), Suriname (2007), Tunísia (2008), Turquia (2007), Vietname (2005) e Zâmbia (2007).
Para mais informações, queira consultar o site da Comissão:
http://www.un.org/esa/socdev/csd/csocd2005.htm