Domingo, 24 Maio 2015
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É preciso ajudar o Darfur já*, Kofi A. Annan, Secretário-Geral das Nações Unidas

O acordo assinado a 5 de Maio entre o Governo do Sudão e o principal movimento rebelde do Darfur dá ao mundo uma nova oportunidade de restabelecer a paz nesta região mergulhada na infelicidade. Mas, para não a perdermos, temos de agir muito rapidamente.


As conversações que culminaram no acordo foram longas e muito difíceis. E cabe a muitos o mérito de as ter levado a bom termo, pelo menos em parte.
 
Mas não é o momento de nos regozijarmos ou de dormirmos sobre os louros. O Darfur ainda está muito longe da paz. Na semana passada, quando o principal enviado humanitário da ONU visitava um campo de deslocados, rebentou um motim e um intérprete da Missão da União Africana foi assassinado à machadada.


Resta ainda muito por fazer e não há tempo a perder.


Em primeiro lugar, alguns chefes rebeldes ainda não assinaram o acordo. Devemos fazer tudo o que pudermos para os convencer a seguir a senda da paz e abandonar a via do conflito, a bem do seu povo. Se a tragédia continuar, devido ao que eles fizeram ou não fizeram, a história julgá-los-á severamente,


A seguir, devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para assegurar que aqueles que assinaram o acordo o apliquem efectivamente no terreno e para que a população do Darfur possa sobreviver nos próximos meses. Para isso, precisam tanto de protecção como de sustento, pois, como foram escorraçados das suas casas e das suas terras, não podem prover às suas próprias necessidades. Isso significa que há que proteger também aqueles que lhes prestam socorro.


Neste momento, há no terreno uma única força que pode começar a assegurar essa protecção: a Missão da União Africana (AMIS). Assim, a nossa prioridade imediata deve ser consolidar essa força, para que possa velar pela aplicação do Acordo e garantir às populações deslocadas uma verdadeira segurança.


Mas esta é apenas uma solução a curto prazo. Logo que seja possível, a AMIS deverá transformar-se numa operação das Nações Unidas de maior dimensão, com maior mobilidade, melhor equipada e com um mandato mais enérgico.


Desejamos acordar o mais rapidamente possível com os nossos parceiros da União Africana quais os recursos suplementares de que a AMIS precisará para aplicar os principais pontos do Acordo de Abuja, e organizar uma conferência de promessas de contribuições, possivelmente em Bruxelas, nos começos de Junho. Mas lanço um apelo aos doadores, para que não esperem por essa conferência. Para que se mostrem generosos e o façam já. Não podemos perder um único dia.


Apelo também a todos os que se encontram no Darfur para que ajudem a AMIS a fazer o seu trabalho. Nenhuma das partes deve encorajar, desculpar ou tolerar agressões como a da semana passada.


A necessidade de mobilizar fundos suplementares para financiar o socorro de emergência é igualmente urgente. A região enfrenta actualmente a pior crise humanitária do mundo. Sem apoio maciço e imediato, os organismos de socorro não poderão prosseguir o seu trabalho e a fome, a malnutrição e a doença farão centenas de milhares de vítimas.


Entretanto, devemos continuar a preparar a transição para uma operação das Nações Unidas, como foi pedido pelo Conselho de Paz e Segurança da União Africana e autorizado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, a 24 de Março.


Isto constitui um desafio importante para as Nações Unidas. Mas é um desafio que não podemos eludir. E, depois de o ter aceitado, a ONU deve assumir as responsabilidades correspondentes sem demora.


O trabalho que já realizámos mostra que a força da ONU que sucederá à actual Missão da União Africana deve ser muito maior do que esta e precisará do apoio logístico dos países que estejam em condições de o prestar.


A fase seguinte é a visita de uma missão de avaliação técnica ao próprio Darfur. Graças a ela, a ONU e a União Africana procederão a uma avaliação directa no terreno e consultarão todas as partes, a fim de determinar as necessidades a satisfazer.


Nenhuma missão de manutenção da paz pode ter êxito sem o apoio e cooperação das partes, ao mais alto nível. Por esse motivo, escrevi ao Presidente Bashir a pedir que apoiasse a missão de avaliação. Espero que muito em breve possamos falar directamente sobre o assunto.


Entretanto, exorto uma vez mais todas as partes, em especial o Governo sudanês, a respeitarem o cessar-fogo e a demonstrarem com os seus actos que tencionam cumprir a sua palavra. E apelo aos vizinhos árabes e africanos do Sudão, para que prestem todo o apoio possível, no plano financeiro, no político ou em ambos.


Pela sua parte, o Secretariado das Nações Unidas fará tudo o que estiver nas suas mãos para ajudar o povo sudanês a encerrar um capítulo trágico da sua história. Conto com o apoio de todos os Estados-membros, especialmente os membros do Conselho de Segurança.


* Publicado em Portugal pelo Diário de Notícias a 23/05/2006


Kofi Annan lamenta morte de Lee Jong-Wook

22 de Maio de 2006 – “Estou consternado e profundamente triste devido à morte súbita de Lee Jong-Wook. Esta perda inesperada de um líder, colega e amigo é verdadeiramente devastadora”, afirmou hoje o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, depois da notícia do falecimento do Director-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Lembrou que, há apenas uns dias, quando se encontrava em Seul, falaram ao telefone. O Secretário-Geral referiu que, nessa ocasião, conversaram sobre as estratégias a longo prazo para deter a epidemia do VIH-SIDA, “um assunto em que Lee estava particularmente empenhado”, sublinhou.

Referiu que o médico coreano assumiu a direcção da OMS quando surgiu a síndrome respiratória aguda (SARS), em 2003, e salientou que trabalhou sempre para fortalecer a OMS na sua qualidade de responsável pela saúde pública mundial.
“O doutor Lee estava na vanguarda da luta mundial para evitar uma pandemia da gripe das aves e também estava na frente de batalha contra muitas outras ameaças à saúde pública”, precisou Annan.

“Foi não só um líder valioso para a OMS em todo o mundo, mas também um colega muito apreciado e meu amigo”, concluiu o Secretário-Geral, que apresentou condolências aos familiares e amigos do médico.



(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 22/05/2006)


Seria insensato tomar medidas militares contra o Irão, afirma Kofi Annan



22 de Maio de 2006 – “Penso que seria insensato empreender uma acção militar contra o Irão”, afirmou hoje o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, falando na televisão chinesa sobre o impasse das negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Inquirido sobre a possibilidade de um conflito militar no Irão, Annan afirmou que espera, realmente, que o caso não siga esse caminho. “Temos problemas suficientes no mundo de hoje para criarmos novos”, respondeu.

Explicou que uma medida tão extrema teria consequências imprevisíveis. “Parece-me que devemos ser muito, muito responsáveis e nem sequer nos devemos permitir pensar nesses termos, mas sim canalizarmos a nossa energia para encontrarmos uma solução pacífica e criativa”, sublinhou.

Insistiu em que devem intensificar-se os esforços diplomáticos para encontrar a referida solução e exortou as partes negociadoras a dirigirem-se para as negociações sem preconceitos e com uma mentalidade aberta.

Sublinhou que ninguém nega ao Irão o direito ao uso pacífico da energia nuclear, mas lembrou que o governo deste país deve cumprir os seus deveres de Estado parte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

O Secretário-Geral – que se encontra na China, o terceiro país visitado durante o seu périplo pela Ásia – reuniu-se hoje com o Primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que elogiou o trabalho de Kofi Annan à frente das Nações Unidas, afirmando que reforçou o papel central da Organização na cena mundial.

O Secretário-Geral, pelo seu lado, reconheceu o poderio económico da China e o impacte que este teve na região.
Neste sentido, afirmou que o gigante asiático não só é um grande contribuinte para as operações de paz da ONU, mas também tem a capacidade de ajudar outros países, pelo que destacou a importância de desempenhar um papel de líder no combate à pobreza.



(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 22/05/2006)




Darfur: Governo do Sudão congratula-se com a visita dos negociadores da força de paz da ONU

22 de Maio de 2006 – A Missão das Nações Unidas no Sudão (UNMIS) informou hoje que o Governo daquele país se congratulou com o anúncio da visita dos enviados da Organização que negociarão a transição da força de paz da União Africana para uma operação da ONU, após o acordo de paz para a região alcançado no início deste mês.

Stephan Dujarric, porta-voz da ONU em Nova Iorque, esclareceu, todavia, que o Governo sudanês ainda não autorizou o envio de uma equipa de avaliação para o Darfur.

O Enviado Especial do Secretário-Geral, Lakhdar Brahimi, e o Secretário-Geral Adjunto para as Operações de Paz, Hédi Annabi, viajam para Cartum para conversar sobre esta possível transferência, depois de o Conselho de Segurança ter aprovado por unanimidade, na passada terça-feira, a resolução que decide o envio dessa equipa, num prazo de duas semanas a contar da data de aprovação do documento.

“Este diálogo continuará e irá intensificar-se no final da semana, com a presença em Cartum de Brahimi e Annabi”, disse Dujarric.

Entretanto, o Representante Especial da ONU para o Sudão, Jan Pronk, pressionou o governo local e os líderes comunitários para que cerrem fileiras e apoiem a implementação da resolução.



(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 22/05/2006)


Mensagem do Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, por ocasião do Dia Internacional da Diversidade Biológica (22 de Maio de 2006)

A biodiversidade está relacionada com todo a gama de actividades humanas e todos os lugares que servem de habitat ao homem e intervém directamente no bem-estar do nosso planeta e no progresso humano a longo prazo.

No entanto, este pilar fundamental da vida está constantemente a ser alvo de ataques. A Avaliação do Milénio relativa aos Ecossistemas, um projecto de quatro anos levado a cabo por mais de 1300 cientistas, fornece provas claras dos danos que estão a ser infligidos ao nosso mundo: o ambiente terrestre sofreu enormes alterações, no último meio século. Estas conclusões apontam para a necessidade de uma acção decisiva para proteger o planeta.

O tema deste ano, Proteger a Biodiversidade nas Zonas Áridas, chama a atenção para um domínio que requer uma atenção urgente. A degradação das zonas áridas – que constituem 40% da superfície terrestre – está a ter efeitos dramáticos: cerca de 2300 espécies em perigo de extinção, perdas significativas da produção agrícola e um custo económico estimado em 42 mil milhões de dólares anuais.

Estas consequências são especialmente preocupantes porque afectam, de uma forma desproporcionada, as populações mais pobres e mais vulneráveis do mundo. As zonas áridas abrigam oito dos 10 países menos avançados do mundo e, nas nações em desenvolvimento, vive a esmagadora maioria dos 2 mil milhões de pessoas que dependem de ecossistemas de zonas áridas. Consequentemente, a degradação desses ecossistemas prejudica seriamente a nossa luta contra a pobreza, a fome e a doenças. Com efeito, a realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio dependerá da importância das medidas tomadas para preservar as zonas áridas.

Uma dessas medidas é a inversão do processo de desertificação, que não só agrava a pobreza como é em parte causado por ela. A comemoração do Dia Internacional da Diversidade Biológica tem lugar em pleno Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação. Estas duas comemorações complementares fazem ressaltar as fortes ligações entre as questões ambientais e sublinham a necessidade de adoptar uma abordagem integrada e mundial, para resolver estas questões.

Neste Dia Internacional da Diversidade Biológica, tomemos a decisão de redobrar os esforços para proteger a biodiversidade de que depende o nosso planeta. Comprometamo-nos a proteger as nossas zonas áridas e trabalhemos em conjunto para atingir o objectivo de uma redução significativa da taxa de perda de biodiversidade, até ao ano de 2010.


(Fonte: comunicado de imprensa SG/SM/10468 – ENV/899 de 19/05/2006).


70º Aniversário da Organização das Nações Unidas

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O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), sedeado em Bruxelas, presta informação sobre as actividades da ONU nos países da região, incluindo Portugal. Põe à disposição do público os principais relatórios da ONU, documentos, publicações, fichas informativas, comunicados de imprensa e notícias, em várias línguas, nomeadamente o português.