Domingo, 19 Maio 2013
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A ONU na sua língua

Sair do Impasse Nuclear* Kofi A. Annan, Secretário-Geral da ONU

Infelizmente, por vezes, alguns foros multilaterais tendem a reflectir, mais do que a sanar, as profundas divergências sobre a melhor maneira de enfrentar as ameaças que nos espreitam. A Conferência das Partes encarregada de analisar o Tratado de Não Proliferação das Armas Nucleares, que concluiu os seus trabalhos no passado dia 27 de Maio, sem que os Estados-membros tenham chegado a um acordo de fundo, é um bom exemplo do que acabo de dizer.


Há 35 anos que o TNP é uma das pedras angulares da segurança mundial. Com uma participação quase universal, o tratado consolidou firmemente uma norma contra a proliferação das armas nucleares e contribuiu para provar que os que previam que hoje haveria 25 Estados nucleares ou mesmo mais estavam enganados.  Mas, hoje, o tratado atravessa uma dupla crise de cumprimento e de confiança. Os delegados que participaram nesta conferência, de um mês de duração e que se celebra de cinco em cinco anos, não conseguiram dar ao mundo nenhuma solução para as graves ameças nucleares que pesam sobre todos nós. E, se é mais dificil concluir um acordo em tempo de crise, é também nesses momentos que é mais importante fazê-lo.


Sejamos claros: o facto de a Conferência de Análise não ter alcançado um acordo não afectará o regime baseado no TNP. A imensa maioria de Estados Partes está consciente das vantagens que este continua a representar. Mas é importante reconhecer que todos os pilares do tratado apresentam fissuras – a não proliferação, o desarmamento e a utilização da tecnologia nuclear para fins pacíficos – e todas elas devem ser reparadas com urgência.  Desde a última conferência de análise, que se realizou em 2000, a República Democrática Popular da Coreia denunciou o tratado e anunciou que possuía armas nucleares. A Líbia admitiu que, durante vários anos, trabalhara num programa nuclear. E a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) detectou no Irão actividades não declaradas de enriquecimento de urânio.


É claro que o regime baseado no TNP não evoluiu ao ritmo da tecnologia e da globalização. Enquanto, antes, a proliferação entre Estados era considerada a única preocupação do Tratado, algumas revelações, segundo as quais A.Q. Khan e outras pessoas se dedicavam ao tráfico generalizado de tecnologia e de conhecimentos nucleares, puseram a descoberto as vulnerabilidades do regime perante actores não estatais. Os autores do tratado dificilmente poderiam ter imaginado que teriamos de trabalhar incansavelmente para impedir que os terroristas adquiram e usem armas nucleares. E, se é certo que se conseguiram alguns progressos em matéria de desarmamento, existem ainda no mundo 27 000 armas nucleares, muitas delas em estado de alerta instantâneo.


Ao mesmo tempo, os órgãos intergovernamentais concebidos para lidar com estes problemas estão paralisados. Em Genebra, a Conferência de Desarmamento tenta, há oito anos, adoptar um programa de trabalho. A Comissão de Desarmamento das Nações Unidas é cada vez mais marginalizada e não produz um único acordo digno desse nome, desde 2000. A Conferência de Análise do TNP demonstrou não ser uma excepção.  Cerca de dois terços dos seus trabalhos foram dedicados a debater a ordem do dia e questões logísticas, em detrimento de uma discussão de fundo sobre os meios de reforçar o regime de não proliferação das armas nucleares.


No início do meu discurso de abertura da Conferência, disse que o êxito só seria possível, se se aceitasse a realidade de todos os perigos nucleares que ameaçam a humanidade. Adverti que a Conferência não levaria a nada, se os delegados centrassem a sua atenção em apenas alguns dos perigos e ignorassem outros. Alguns Estados apresentaram a proliferação como o maior perigo, enquanto outros sublinharam que  eram os arsenais nucleares existentes que nos punham em perigo. Outros insistiram no facto de a difusão de técnicas relativas ao ciclo do combustível nuclear constituir um perigo elevado de proliferação e outros ainda sustentaram que não se deve comprometer o acesso à utilização da tecnologia nuclear para fins pacíficos. Em suma, lamentavelmente, as delegações perderam a oportunidade de afirmar que todos esses argumentos são igualmente válidos. E, desse modo, não afastaram nenhum dos perigos que pesam sobre nós.


Então, como podemos vencer esta paralisia?
 
Quando as reuniões internacionais falham, cabe aos dirigentes tomar a iniciativa. Em Setembro, mais de 170 Chefes de Estado e de Governo reunir-se-ão em Nova Iorque para adoptar um vasto programa a favor do desenvolvimento, da segurança e dos direitos humanos para todos os Estados e todos os povos. Desafio-os a superarem o impasse em que se encontram temas como a não proliferação e o desarmamento nuclear. Se não o fizerem, o seus povos perguntarão por que razão, no mundo de hoje, não conseguiram encontrar um terreno comum para afastar o perigo que as armas nucleares representam para a nossa existência.


Para revitalizar o tratado, é preciso agir em muitas frentes. A fim de reforçar o sistema de verificação e restabelecer a confiança no regime, os dirigentes devem acordar em fazer do o Protocolo Adicional da AIEA uma nova norma para verificar o cumprimento dos compromissos assumidos em matéria de não proliferação. Os dirigentes devem encontrar um meio de conciliar o direito de utilizar a energia atómica para fins pacíficos com o imperativo da não proliferação. O regime não poderá sobreviver, se dezenas de novos Estados desenvolverem as fases mais sensíveis do ciclo do combustivel e dispuserem da tecnologia necessária para produzir, em breve, armas nucleares. A primeira coisa a fazer é incentivar os Estados a abandonarem, voluntariamente, o desenvolvimento de instalações do ciclo de combustivel. Saúdo a AIEA e o seu Director-Geral, Mohamed El Baradei, pelos esforços que levam a cabo para alcançar um consenso sobre esta questão fulcral e exorto os dirigentes políticos a que se associem a esta missão. Os dirigentes devem pôr de lado a retórica e abordar a questão do desarmamento. É indispensável  negociar rapidamente um tratado que proíba a produção de matérias físseis. Todos os Estados devem também afirmar o seu compromisso em relação a uma moratória sobre os ensaios nucleares e à rápida entrada em vigor do Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares. Espero que os dirigentes de todos os países reflictam seriamente sobre o que mais poderiam fazer para reduzir de forma irreversível o número de armas nucleares e o seu papel no mundo.


Se fossem assumidos compromissos audaciosos na Cimeira de Setembro,  isso daria uma nova vida a todas as instâncias que tratam das questões de desarmamento e de proliferação. Reduziria todos os riscos que enfrentamos: acidentes nucleares, tráfico, utilização por terroristas e utilização pelos próprios Estados. É um programa ambicioso, para alguns, talvez, mesmo assustador. Mas as consequências de um fracasso são ainda mais assustadoras . As soluções estão ao nosso alcance; temos de as agarrar.


* Publicado em Portugal pela revista  Seara Nova, Junho de 2005


RELATÓRIO ELABORADO POR JOVENS ANALISA PROGRESSOS ALCANÇADOS DESDE A DECLARAÇÃO DE COMPROMISSO SOBRE VIH/SIDA

Na apresentação do Relatório Our Voice, Our Future, a Directora Executiva do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), Thoraya Obaid, referiu que a geração jovem, a mais numerosa de sempre, nunca conheceu um mundo sem VIH/SIDA. Este relatório, elaborado por jovens, pretende avaliar os progressos feitos em matéria de aplicação da Declaração de Compromisso sobre o VIH/SIDA, adoptada na Sessão Extraordinária da Assembleia Geral sobre o tema.


A Sr. Obaid referiu que entre 5 a 6 mil jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos são infectados pelos vírus do VIH todos os dias – isto é, metade das infecções diárias pelo vírus – o que não só aumenta o impacto da SIDA nos jovens como contribui para o aumento da pressão exercida sobre os já de si frágeis sistemas de saúde, com consequências para a estabilidade social e económica dos países.


A reunião de alto nível de amanhã sobre o VIH/SIDA representa uma oportunidade para que os governos reflictam sobre os compromissos assumidos em 2001 por ocasião da Sessão Extraordinária da Assembleia-Geral sobre o VIH/SIDA. Então, foi-lhes pedido que ouvissem o que os jovens tinham a dizer, que aprendessem com eles e apoiassem a sua liderança. O UNFPA fez isso mesmo, por meio do Grupo Consultivo de Jovens e do seu Programa Especial sobre Jovens. Isto contribuiu decisivamente para aumentar a capacidade de resposta dos programas e acções do UNFPA destinados a satisfazer as necessidades e reduzir a vulnerabilidade dos jovens. Os jovens continuam a sentir-se relegados a uma posição secundária ou subvalorizados no âmbito das respostas nacionais ao VIH/SIDA.


No lançamento do relatório, uma das autoras, Eunice Aghete, de 20 anos, natural da Nigéria, referiu que as mulheres jovens são três vezes mais vulneráveis à infecção, por razões biológicas, do que os seus parceiros. Em África, algumas culturas e tradições expõem a mulher a um alto risco, pelo que a sua participação na prevenção contra o HIV/SIDA é importante. Os jovens não querem ser apenas chamados a pronunciar-se sobre programas concebidos por adultos, querem participar em todas as fases do processo. É, também, preciso que os governos aumentem os fundos destinados a programas e iniciativas impulsionados por jovens, sobretudo os que implicam a educação por pares.


Outro dos autores, Vikram Singh Laishram, de 22 anos, referiu que a informação que é dada aos jovens é insuficiente para se puderem proteger da infecção pelo HIV/SIDA. Como pessoa infectada através do uso de seringas contaminadas, acha que os jovens devem defender os seus direitos, em especial o direito ao tratamento assistido. Os jovens estarão dispostos a revelar a sua doença, desde que isso melhore as suas perspectivas de vida; caso contrário, o estigma e a discriminação associados à doença são tão fortes que os dissuadem de a revelar.



(Baseado em “Press Briefing on HIV/AIDS by UNFPA Executive Director”, de 1/06/2005)


SECRETÁRIO-GERAL NOMEIA JOAQUIM CHISSANO

Nota biográfica



O Secretário-Geral nomeou o antigo Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, seu Enviado Especial para a Guiné-Bissau. Nessa qualidade, competir-lhe-á facilitar a realização de eleições presidenciais pacíficas e credíveis, a 19 de Junho de 2005, como uma etapa importante da transição que visa restabelecer plenamente a ordem constitucional e a estabilidade.


Joaquim Chissano foi Chefe de Estado de Moçambique desde a morte do Presidente Samora Machel num acidente de avião, na África do Sul, a 19 de Outubro de 1986. Reeleito Presidente de Moçambique em Outubro de 1994 e em Dezembro de 1999, retirou-se da cena política do país em Dezembro de 2004.


Anteriormente, desempenhou as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, desde a independência do país, a 25 de Junho de 1975, até à morte do Presidente Machel. Em 1974, participou nas conversações de Lusaca que abriram caminho para a independência de Moçambique e, depois, foi designado Primeiro-Ministro do Governo de Transição.


Juntamente com outras figuras destacadas do nacionalismo, o Presidente Chissando criou a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) em Dar-es-Salam, a 25 de Junho de 1962. Ocupou diversos postos importantes no seio deste movimento de libertação, incluindo o de chefe do departamento de segurança. Foi também membro da direcção política da FRELIMO desde 1977.


Depois de ter concluído os estudos secundários em Maputo, estudou na universidade, em Portugal.


Joaquim Chissano nasceu a 22 de Outubro de 1939 no distrito de Chibuto, na província de Gaza, em Moçambique.


 


(Fonte: comunicado de imprensa SG/A/918 AFR/1149 BIO/3654 29/04/2005)


Assembleia Geral elege António Manuel de Oliveira Guterres Alto Comissário para os Refugiados

ASSEMBLEIA GERAL ELEGE ANTÓNIO GUTERRES, ANTIGO PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL, ALTO COMISSÁRIO DOS REFUGIADOS

Adopta também uma resolução sobre o Diálogo de Alto Nível sobre Financiamento do Desenvolvimento (27-28 de Junho)


guterres.jpgSob proposta do Secretário-Geral, a Assembleia Geral elegeu, esta tarde, António Manuel de Oliveira Guterres para o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, por um mandato de cinco anos, com início a 15 de Junho de 2005. O novo chefe do Alto Comissariado para os Refugiados é Presidente da Internacional Socialista, desde 1999. Desempenha igualmente as funções de Assessor do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, o segundo maior banco português. Antigo Primeiro-Ministro de Portugal, de 1996 a 2002, foi também deputado no Parlamento do seu país de 1976 a 1983 e de 1985 a 1995. Sucederá a Ruud Lubbers (Países Baixos), que apresentou a demissão e cessou funções a 20 de Fevereiro.

Por outro lado, reafirmando que o Diálogo de Alto Nível sobre Financiamento do Desenvolvimento, de 27 a 28 de Junho, será celebrado a nível ministerial, a Assembleia Geral adoptou uma resolução sobre as modalidades desse Diálogo e decidiu que o seu tema geral será: “O consenso de Monterrey: balanço da implementação e tarefas a realizar”.

Pela mesma resolução, decidiu ainda que o diálogo assumiria a forma de sessões plenárias e informais, que permitiriam uma troca de opiniões sobre a política geral, e seis mesas redondas nas quais participariam, de uma forma interactiva, todas as partes interessadas. O primeiro dia será, pois, consagrado a declarações de ministros e altos funcionários e o segundo, a seis mesas redondas interactivas que reunirão todas as partes interessadas. A estas últimas seguir-se-á um debate informal sobre a implementação das conclusões da Conferência.

A Assembleia Geral decidiu também que o tema de cada uma das mesas redondas será um capítulo do Consenso adoptado na Conferência Internacional sobre Financiamento do Desenvolvimento (Monterrey, 18-22 de Março de 2002) e conhecido por “Consenso de Monterrey”. Esses capítulos focam respectivamente: a mobilização dos recursos internos para o desenvolvimento; o investimento directo estrangeiro e outros fluxos de capitais privados; o comércio internacional como motor do desenvolvimento; a dívida externa; e os sistemas internacionais nos planos monetário, financeiro e comercial ao serviço do desenvolvimento.

Na resolução, os governos são convidados a melhorar a coordenação entre os ministérios, bancos centrais e outras partes interessadas a nível nacional, no contexto da preparação do Diálogo de Alto Nível. As instituições de Bretton Woods, a Organização Mundial de Comércio e o sistema das Nações Unidas foram convidados a participar.

O Diálogo de Alto Nível estará aberto a organizações não governamentais e a entidades do sector empresarial com estatuto consultivo junto do Conselho Económico e Social e da Conferência Internacional sobre Comércio e Desenvolvimento. Todas as questões relacionadas com o financiamento do desenvolvimento serão também debatidas durante audiências interactivas informais, que terão lugar a 23 e 24 de Junho, com representantes de organizações não governamentais, de organizações da sociedade civil e do sector privado.


(Fonte: Comunicado de imprensa GA/10349 de 27 de Maio de 2005)

Uma oportunidade de paz no Darfur* Kofi A. Annan, Secretário-Geral das Nações Unidas / Alpha Oumar Konare, Presidente da Comissão da União Africana

Ninguém sabe ao certo quantas pessoas morreram no conflito no Darfur, no Sudão ocidental, mas é um facto que mais de 2,6 milhões de pessoas estão a sofrer por causa desse conflito e precisam urgentemente de ajuda.


Há aldeias que foram queimadas, culturas que foram arrancadas, homens que foram assassinados, mulheres que foram violadas e crianças que foram sequestradas.


1,9 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar os seus lares e deslocadas para outros pontos do território sudanês. Outras continuam a viver na sua terra, mas estão impedidas de cultivar produtos de que dependem para viver. Se não receberem em breve alimentos, também serão obrigadas a partir, indo engrossar a população dos já superpovoados campos de deslocados e de refugiados.


Durante algum tempo, os crimes cometidos contra civis no Darfur não apareceram nas primeiras páginas dos jornais. Mas há mais de um ano que nelas figuram. O facto de ter sido necessária uma cobertura intensa pelos media mundiais para que fossem tomadas medidas é uma vergonha, não só para o Sudão como para o mundo inteiro. Ainda hoje, aqueles que tentam pôr fim à crise no Darfur continuam a não receber o tipo de apoio de que precisam.


As nossas duas organizações uniram-se para poupar mais sofrimento à população. A ONU tem liderado os esforços no que se refere a levar socorro às vítimas e procurar acabar com a impunidade de quem cometeu os crimes mais hediondos. A União Africana tem liderado os esforços no que diz respeito a garantir a segurança no terreno e à acção que visa dar um novo impulso às negociações políticas. Tais negociações constituem a única via que pode conduzir a uma paz duradoura e deverão recomeçar a 10 de Junho, em Abuja, na Nigéria.


Nos últimos meses, a situação estabilizou e tem-se notícia de menos crimes a grande escala. Está em curso uma enorme operação humanitária, dirigida pela ONU e na qual participam mais de 100 000 trabalhadores humanitários, na sua maioria sudaneses, que distribuem alimentos, água, abrigo e outros tipos de socorro vital a cerca de 1,8 milhões de pessoas. Nas zonas em que as forças da União Africana estão presentes no terreno, os seus esforços heróicos têm sido um contributo decisivo para a melhoria das condições: as populações estão menos expostas à violência predatória, muitos indivíduos voltaram às suas aldeias e os ataques diminuíram.


A situação no plano humanitário melhorou indiscutivelmente, em certas zonas, em comparação com as condições existentes há um ano, mas o acesso continua a ser limitado, a perseguição do pessoal humanitário intensificou-se e o grau de insegurança mantém-se intoleravelmente elevado. Centenas de milhar de pessoas afectadas pela guerra continuam a não receber a ajuda de que precisam e as forças da União Africana são ainda muito insuficientes para poderem ser colocadas em todo o território. Os trabalhadores humanitários são, com frequência, perseguidos pelas autoridades locais e, por vezes, mesmo atacados, raptados ou alvo de ameaças de violência. Os elementos das organizações não-governamentais de socorro sedeadas no estrangeiro têm cada vez mais dificuldade em obter vistos de entrada no país. E os camiões que distribuem ajuda são desviados, frequentemente por rebeldes. No início deste mês, dois motoristas do Programa Alimentar Mundial foram mortos, em dois incidentes distintos. Tudo isto leva a que a ajuda não chegue a muitos dos que mais dela necessitam.


A resposta internacional é insuficiente em dois planos, com consequências letais: são precisos mais 350 milhões de dólares para ajudar mais de 3 milhões de pessoas a sobreviverem até ao fim do ano e são necessários mais soldados, polícias, aviões e outros meios de transporte, formação e apoio logístico, para que a União Africana possa proteger a população, em grande parte do Darfur.


No contexto dos esforços para fazer face à crise no Darfur, convocámos conjuntamente para esta semana, em Addis Abeba, uma conferência de doadores, a fim de dar ao resto do mundo – em especial aos países ricos que dispõem de meios e cujos media e opinião público têm defendido bem alto a necessidade de pôr fim às atrocidades no Darfur – uma oportunidade de se reunir e dar apoio concreto aos Africanos que estão de facto a fazer qualquer coisa no terreno. Esta conferência irá complementar a que teve lugar em Oslo, no mês passado, durante a qual foi prometida ao Sudão uma ajuda no valor de 4,5 mil milhões de dólares, destinada principalmente a apoiar a frágil paz que foi finalmente alcançada entre o Norte e o Sul, após uma guerra civil que durou 21 anos.


Na realidade, o Darfur só pode beneficiar, se o resto do Sudão viver em paz e se o novo governo de unidade nacional, que deverá assumir funções em Julho, conduzir o país inteiro a um futuro mais inclusivo. Desse modo, a força de manutenção da paz da ONU, constituída por 10 000 efectivos, que está colocada no Sul do país, ajudará a tornar a paz viável em todo o território, incluindo o Darfur.


Mas é urgente a acção, em três frentes, no próprio Darfur.


O esforço humanitário deve ser devidamente financiado e todas as partes devem garantir plenamente o acesso, em condições de segurança, dos trabalhadores humanitários intergovernamentais e não governamentais às populações.


É preciso aumentar sem demora os efectivos militares da União Africana, os quais devem receber mais apoio logístico e financeiro, para que possam garantir verdadeira segurança em todo o Darfur, o que permitiria que as pessoas regressassem às suas casas e recomeçassem a cultivar as terras. Os Estados africanos que prometeram fornecer tropas deveriam fazê-lo rapidamente e os doadores deveriam fornecer os recursos necessários para que elas possam ser colocadas no terreno. Tanto o Governo como os rebeldes devem controlar totalmente as suas forças e milícias aliadas e garantir que respeitem escrupulosamente o cessar-fogo e o direito humanitário.


E as partes no conflito devem negociar um acordo político que ofereça garantias sólidas de uma paz duradoura. A União Africana e a comunidade internacional no seu conjunto podem e devem dar a sua ajuda. Mas, em última análise, só o povo sudanês poderá alcançar e manter a paz.



* Publicado em Portugal pelo jornal Público a 27/05/2005



 

O Enigma: uma nova mensagem anti-homofobia, Dia Internacional contra a Homofobia (17 de maio)

76 países ainda criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo, e gays, lésbicas, bissexuais e transexuais continuam a ser alvo de ataques violentos e tratamento discriminatório em todo o mundo.

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O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), sedeado em Bruxelas, presta informação sobre as actividades da ONU nos países da região, incluindo Portugal. Põe à disposição do público os principais relatórios da ONU, documentos, publicações, fichas informativas, comunicados de imprensa e notícias, em várias línguas, nomeadamente o português.