Quarta, 24 Agosto 2016
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Candidatos à liderança da ONU vão fazer "entrevista de emprego em frente ao mundo todo"

FOTO ONU/Ky ChungOs candidatos ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas vão ter de fazer o que está a ser descrito como uma "entrevista de emprego em frente ao mundo todo".

A partir de 12 de abril terão audições perante os 193 Estados-Membros das Nações Unidas para explicar porque é que se consideram a melhor pessoa para o cargo.

Oito pessoas, quatro homens e quatro mulheres (incluindo António Guterres, de Portugal), foram propostos pelos respectivos governos nacionais para a função, que é vista como a de principal diplomata do mundo.

 Para explicar a importância deste mecanismo mais transparente de seleção e nomeação, o Presidente da 70ª Assembleia-Geral da ONU, Mogens Lykketof, escreveu o seguinte artigo de opinião:

Este ano, a Organização das Nações Unidas vai eleger o seu próximo Secretário-geral. Precisamos do melhor candidato possível para a função.

Diz-se, com frequência, que é o emprego mais difícil do mundo.

E, tendo em conta os dossiês que o próximo Secretário-geral da Organização das Nações Unidas assumirá a 1 de janeiro de 2017, é fácil de compreender porquê: conflitos atrozes e sofrimento humano em zonas do Médio Oriente, África e Europa; o extremismo violento que a todos ameaça; a persistente discriminação contra as mulheres e as meninas; um aumento inquietante da xenofobia; mais de 800 milhões de pessoas que lutam contra a pobreza extrema; cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo; uma oportunidade única para dar resposta às alterações climáticas e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável antes que seja demasiado tarde; e uma Organização que tem de se  adaptar aos novos desafios e  objetivos que o mundo enfrenta.

Nos seus 70 anos de história, a Organização das Nações Unidas, com todos os seus defeitos, demonstrou que pode estar à altura de tais desafios. Mas para fazê-lo, hoje, deve eleger o melhor candidato possível dos que se apresentarem ao processo de seleção e nomeação do próximo Secretário-geral, que decorre este ano.

O papel do Secretário-geral da Organização das Nações Unidas

Muitas vozes têm dito que o mais alto funcionário das Nações Unidas deve ser ou um Secretário ou um General. Isto é demasiado simplista, já que o Secretário-geral deve ser ambos, e algo mais ainda.

Enquanto pessoa de grande  coragem e integridade moral, ele ou ela (e não vejo porque razão o melhor candidato não pode ser uma mulher) deve ser a voz das pessoas mais vulneráveis  e encarnar os ideais e propósitos da Organização das Nações Unidas.

Enquanto líder mundial da diplomacia, o Secretário-geral deve utilizar a sua independência, imparcialidade e competência para prevenir os conflitos, negociar a paz e defender os direitos humanos.

Deve ser uma pessoa com alto estatuto político e grande capacidade de liderança, que tenha autoridade para chamar a atenção do Conselho de Segurança da ONU para qualquer assunto que, na sua opinião, possa ser uma ameaça para a manutenção da paz e da segurança a nível internacional.

Enquanto mais alto funcionário administrativo da Organização das Nações Unidas, o Secretário-geral deve criar uma cultura de integridade, imparcialidade, competência e eficiência em todo o sistema das Nações Unidas e supervisionar uma enorme organização com 40 mil funcionários, um orçamento de, aproximadamente, 10 mil milhões de dólares e 41 operações de paz em todo o mundo.

O Secretário-geral deve ser uma pessoa com grande capacidade de comunicação e relacionamento interpessoal, que saiba navegar suavemente por este mundo cada vez mais multipolar e conduzir a transição mundial para um modelo de desenvolvimento sustentável.

Um processo de seleção arcaico

Poderia pensar-se, portanto, que o processo de eleição do Secretário-geral seria o mais enérgico, inclusivo e transparente possível.

No entanto, até agora, não foi assim.

Anteriormente, não era claro quando é que, efetivamente, se iniciava o processo de seleção, nem (por incrível que pareça) quem é que de facto se tinha candidatado ao cargo.  Também não foi divulgada uma descrição oficial das funções em causa, nem houve uma oportunidade efetiva para os candidatos dialogarem, de forma aberta e substantiva, tanto com todos os membros das Nações Unidas como com o público.

O resultado disso foi:  recomendações negociadas à porta fechada, principalmente pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança; oito Secretários-gerais sem que nenhum fosse do género feminino; uma nomeação apenas simbólica por parte da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Portanto, os Secretários-gerais têm sido vistos, nem sempre com razão, como estando em dívida para com as forças de poder em relação às quais deveriam, precisamente, ser mais independentes.

Uma forma melhor de eleger o próximo Secretário-geral

A Carta das Nações Unidas descreve, claramente, os papéis respetivos do Conselho de Segurança e da Assembleia-Geral no que se refere ao processo de seleção e nomeação, e tal deve ser respeitado.

Mas recentes alterações no próprio processo, decididas pelos 193 membros da Assembleia-Geral, oferecem-nos uma genuína oportunidade para fazer uma seleção mais transparente, sólida, inclusiva e, em última instância, mais eficaz.

Como Presidente da Assembleia-Geral, é minha função garantir que essas alterações sejam implementadas.

A situação é a seguinte:

Em dezembro passado, eu e o Presidente do Conselho de Segurança demos início ao processo de seleção mediante a publicação de uma convocatória para que os candidatos se apresentassem o mais cedo possível.

Descrevemos as caraterísticas principais do processo. Assinalámos alguns dos principais critérios para o cargo e, face a sete décadas de domínio masculino, incentivámos os Estados-membros a apresentarem tanto candidatos femininos como masculinos.

Até à data, apresentaram-se oito candidatos e as suas biografias e outras informações foram disponibilizadas ao público na minha página da internet.

Mas, talvez, a maior oportunidade para acabar com a prática do passado esteja nos diálogos abertos que terei com os candidatos. Estes diálogos, que alguns intitulam como “as audições para Secretário-geral”, começam a 12 de abril.

Cada candidato deve preparar uma declaração sobre os desafios e as oportunidades que, na sua opinião, serão enfrentados pela Organização das Nações Unidas e pelo próximo Secretário-geral. Durante duas horas, irão responder a perguntas de todos os membros das Nações Unidas, bem como da sociedade civil, e cada diálogo será transmitido, em direto, pela internet. Os diálogos serão realizados até que o Conselho de Segurança formule a sua recomendação. Espero de todos os que se consideram, seriamente, à altura de serem o próximo líder mundial da diplomacia interajam, franca e diretamente, com todos os Estados-membros das Nações Unidas e com as pessoas que, em última instância, irão servir.

Uma oportunidade para a mudança

Claro que estas inovações não transformarão, diretamente, o nosso mundo e continuam em curso debates sobre a duração e renovação dos mandatos de Secretário-geral, bem como sobre se a Assembleia-Geral deveria votar ou não num nomeado.

Porém, estas inovações podem estabelecer um novo modelo de transparência e inclusividade nos assuntos internacionais. Podem aumentar as probabilidades de que seja eleito o melhor candidato possível para chefiar a Organização das Nações Unidas. E creio que representam um momento histórico, na medida em que a Assembleia-Geral - o órgão de decisão mais representativo e democrático do mundo - pode reafirmar a sua autoridade.

Tendo em conta os desafios globais que enfrentamos na atualidade, este pode ser um efetivo ponto de viragem.

Assim, faça o favor de usar o nosso site na internet, de participar através das redes sociais. Faça-se ouvir e ajude-nos a encontrar o melhor candidato possível para ser o tipo de Secretário-geral das Nações Unidas de que o mundo necessita.

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11 de abril de 2016, Traduzido e Editado por UNRIC

Chefe da ONU para a Europa defende inclusividade social para travar extremismo violento

FOTO: ONU/Pierre AlbouyO extremismo violento é uma afronta aos princípios e objetivos da Organização das Nações Unidas, disse Michael Moller, diretor-geral do UNOG (Gabinete da ONU para a Europa, sedeado em Genebra, na Suíça), na sua intervenção durante a “Conferência de Genebra sobre a Prevenção do Extremismo Violento  – O Caminho a Seguir”, co-organizada pelos governos da Suíça e do Reino Unido, que decorreu esta quinta e sexta-feiras.

Moller encorajou as delegações dos governos e especialistas reundios em Genebra a levarem a cabo uma abordagem abrangente, necessária para lidar proativamente com os impulsionadores deste flagelo, incluindo através do apoio ao plano de ação do Scretário-geral sobre o assunto.

“O extremismo violento não desafia apenas a paz e segurança internacional, mas debilita o trabalho crucial que os Estados-membros e a família ONU estão a fazer para defenderem os direitos humanos, levarem a cabo ação humanitária e promoverem o desenvolvimento sustentável”, disse o diretor-geral do UNOG.

Michael Mooler disse que, tendo o mundo testemunhado os ataques terroristas na Bélgica, Costa do Marfim, Iraque, Mali, Paquistão, Turquia e outros lugares, ao longo das últimas semanas, não pode haver dúvida sobre a relevância desta Conferência.

O encontro visa dar uma oportunidade para a comunidade internacional partilhar experiências e boas práticas para combater os agentes impulsionadores do extremismo violento e criar apoio para o Plano de Ação para a Prevenção do Extremismo Violento apresentado pelo Secretário-geral da ONU, em fevereiro passado.

No primeiro dia da conferência, decorreu uma reunião entre especialistas séniores e, no segundo, houve um segmento de alto nível. Os chefes das organizações internacionais e regionais e os chefes das agências da ONU participaram, também, em discussões sobre a ação aos níveis regional, nacional e global.

FOTO: ONU/Pierre Albouy

 

Ação da ONU contra o extremismo violento

As agências da ONU e outras organizações internacionais sedeadas em Genebra trabalham para a promoção da paz, direitos humanos e bem-estar e estão no cerne da implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

“Proporcionar oportunidades para o desenvolvimento sustentável, reduzir desigualdades, salvaguardar os direitos humanos e criar um centro de reflexão e negociação de paz, ajudar a contextualizar os acontecimentos e mudar realidades no terreno de forma mais adequada para resistir ao extremismo”, foram as prioridades enumeradas por Michael Moller para a ação da ONU neste âmbito.

O Plano de Ação para a Prevenção do Extremismo Violento fornece um importante enquadramento para abordar o assunto, tendo sido recebido pela Assembleia-Geral de forma muito positiva, mostrando o compromisso da comunidade internacional para se unir e agir contra esta ameaça.

“Para colocar o plano em prática, são necessárias as contribuições de todos os atores. O Secretário-geral apresentou uma abordagem multidimensional”, explicou Moller. Por outro lado, reconhecendo a importância do princípio da apropriação nacional para tratar eficazmente o extremismo violento, o plano apela a todos o atores relevantes – governos, sociedade civil, academia, comunidade e líderes religiosos – para que ajam em uníssono através de uma abordagem inclusiva de “todos os governos” e “todos os agentes da sociedade”.

O diretor da Plataforma da ONU de Implementação contra o Terrorismo e do Centro Antiterrorista da ONU, Jehanghir Khan, considerou que está a ser dada uma atenção, sem precedentes, à propagação do terrorismo e do extremismo violento. “Esta é, então, uma preocupação clara e presente e nunca houve uma  necessidade de cooperação internacional tão grande quanto hoje”, disse.

Khan sublinhou, ainda, que o plano do Secretário-Geral  não é só um apelo à ação, é um apelo à unidade. “Precisamos de demonstrar aos terroristas e extremistas violentos (…) que o mundo está unido, não apenas retoricamente, mas unido no plano de ação que o Secretário-geral apresentou e que tem 70 recomendações bastante concretas”, concluiu.

8 de abril de 2016, Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC

ONU espera número recorde de assinaturas do Acordo de Paris sobre Alterações Climáticas, a 22 de abril

 

É esperado um número recorde de países a assinarem o histórico Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas, que foi adotado, em dezembro passado, pelos Estados-membros da ONU reunidos na conferência do Clima, COP21. A cerimónia de assinatura do acordo, organizada pelo Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, decorrerá na sede da organização, em Nova Iorque, a 22 de abril, simbolicamente escolhido por ser o Dia da Terra (observância da ONU).

Mais de 130 países confirmaram que vão assinar o Acordo de Paris a 22 de abril (primeiro dia da assinatura), ultrapassando o recorde anterior de 119 assinaturas de um acordo internacional num único dia, o que ocorreu em 1982, com a Lei do Mar, em Montego Bay (Jamaica). Mais países indicaram, formalmente, que irão assinar o acordo nas semanas que se seguem.

Mais de 60 chefes de Estado e de governo

No que se refere à representação ao mais alto nível na cerimónia, mais de 60 chefes de Estado e governo confirmaram a sua presença, incluindo o presidente da França, François Hollande, demonstrando o elevado nível de compromisso por parte dos líderes mundiais para implementar o Acordo de Paris.

A cerimónia de assinatura marca o primeiro passo para assegurar que o acordo entra em vigor o mais rapidamente possível. Tal acontecerá  30 dias após pelo menos 55 países, responsáveis por 55% das emissões de gases com efeito de estufa, terem depositado os seus instrumentos de ratificação ou aceitação do acordo junto do Secretário-geral da ONU.

Alguns países também indicaram que irão depositar os seus instrumentos de ratificação imediatamente após assinarem o acordo, a 22 de abril.

Ecard Paris Agreement signing Portuguese1Convidados: governos, jovens, sociedade civil, setor privado

A cerimónia de assinatura irá juntar, também, os líderes da sociedade civil e do setor privado numa discussão conjunta sobre os esforços para aumentar o financiamento para a ação climática e o desenvolvimento sustentável e para aumentar as ações que irão permitir alcançar o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento médio da temperatura global a menos de 2° C.

“Paris foi histórico”, disse o Secretário-geral. “Mas é apenas o começo. Devemos acelerar, urgentemente, os nossos esforços para deter as alterações climáticas. Encorajo todos os países a assinarem o Acordo de Paris, a 22 de abril, de modo a transformarmos as nossas aspirações em ações”.

Mais informação sobre a cerimónia de assinatura, de 22 de abril, pode ser encontrada em www.un.org/sustainabledevelopment/climatechange

Perguntas Frequentes sobre a Cerimónia de Assinatura do Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas

Porque é que esta cerimónia de assinatura decorre a 22 de abril?

O Acordo de Paris definiu que o documento seja disponibilizado para assinatura do dia 22 de abril de 2016 ao dia 21 de abril de 2017. Para assinalar o primeiro dia em que o Acordo de Paris estará disponível para assinatura (que coincide com o Dia da Terra), Ban Ki-moon, Secretário-geral da Organização das Nações Unidas, convidou os líderes de todos os países para uma cerimónia de assinatura de alto nível, de forma a acelerar a ação climática e encorajar a determinação política para a sua ratificação e rápida entrada em vigor.

 Os países não adotaram já o Acordo de Paris, em Paris? Não estão de acordo sobre tudo?

A 12 de dezembro de 2015, os países adotaram o texto do Acordo de Paris. Foi um momento histórico que assinalou a conclusão de anos de negociações sobre uma abordagem universal para responder às alterações climáticas. Em Paris, as Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre as Alterações Climáticas (CQNUAC) chegaram a um entendimento relativamente aos termos do Acordo. Existem, ainda, alguns passos que são necessários dar antes de o Acordo entrar em vigor.

 O que tem de acontecer ainda para o Acordo de Paris entrar em vigor?

O primeiro passo é que os países assinem o Acordo. Esta assinatura assinala a sua intenção de lançarem os processos internos para a ratificação ou aprovação do Acordo. Assim que esses processos estejam concluídos, os governos irão depositar, formalmente, junto do Secretário-geral das Nações Unidas (que é o depositário do Acordo de Paris), os seus instrumentos de ratificação, aprovação, aceitação e adesão, através dos quais se consideram vinculados ao Acordo.

 Então, quando é que o Acordo de Paris entra em vigor?

O Acordo afirma que entrará em vigor no trigésimo dia após a data na qual pelo menos 55 membros da CQNUAC, que representem em conjunto pelo menos 55% do total global das emissões de gases com efeito de estufa, tenham depositado os seus instrumentos de ratificação, aceitação, aprovação e adesão.

 Como serão calculados os 55% das emissões com vista à entrada em vigor do Acordo?

Segundo o Acordo, este requisito para a entrada em vigor é calculado com base no mais recente valor comunicado antes, ou à data, da adoção do Acordo pelas Partes para a Convenção. Como solicitado pela Conferência de Paris, o Secretariado para as Alterações Climáticas disponibilizou esta informação (cedida para ser usada apenas com o propósito de determinar os requisitos para a entrada em vigor) no seu website, bem como no seu relatório da conferência.

 O que irá acontecer a 22 de abril?

A assinatura terá lugar na Sala da Assembleia-Geral, na manhã do dia 22 de abril. Os chefes de Estado e de governo, os ministros dos Negócios Estrangeiros e outros representantes governamentais com autoridade para assinar o Acordo, serão chamados à mesa do palco para assinarem uma página da única cópia original do Acordo. Este original é um grande volume que contém o texto autêntico e completo do Acordo nas seis línguas oficiais das Nações Unidas, bem como as páginas das assinaturas de cada uma das partes da CQNUAC. Depois da assinatura do Acordo, terão lugar sessões separadas nas quais os participantes terão a oportunidade para  fazerem declarações sobre os seus propósitos a nível nacional.

 O que acontece se os países não assinarem a 22 de abril?

Os países têm um ano para assinar o Acordo, após o qual devem ratificar, aceitar ou aprovar o Acordo. Os Estados que não tenham assinado o Acordo terão nova possibilidade de se juntarem ao mesmo através do depósito de um instrumento de acesso junto do Secretário-geral da ONU.

 Porque é que o Secretário-geral é o depositário do Acordo e o que é que isso significa?

O Acordo de Paris, tal como a maioria dos acordos internacionais concluídos sob os auspícios das Nações Unidas, designa o Secretário-geral da ONU como seu depositário. Isto significa que o Secretário-geral é o único guardião do documento original do Acordo, que vai levar a cabo várias funções cruciais relacionadas com a participação no mesmo, tais como receber as assinaturas ou outros instrumentos e comunicações relacionados com o mesmo, bem como informar as partes da entrada em vigor do Acordo.

 A assinatura é a única coisa que irá acontecer a 22 de abril?

A cerimónia de assinatura será o momento central do dia, mas irá acontecer muito mais. A cerimónia irá começar com uma sessão de abertura, ao longo de uma hora, onde participam os líderes mundiais, jovens, membros da sociedade civil e representantes do setor privado. Segue-se a cerimónia de assinatura e sessões separadas para declarações nacionais. De seguida terá lugar um almoço onde se abordará a promoção dos fluxos de financiamento necessários para implementar a ação climática e o Acordo de Paris. Haverá, ainda, um diálogo sobre a forma como os vários setores se estão a preparar para implementar o Acordo.

 

 8 de abril de 2016, Traduzido & Editado por UNRIC

OMS alerta para necessidade de “repensar as nossas vidas quotidianas”, para travar aumento da diabetes

foto: OMS/T. HabjouqaO número de pessoas que vivem com diabetes quase que quadriplicou desde 1980, atingindo agora 422 milhões de adultos, a maioria dos quais a viver em países em desenvolvimento. Trata-se de um “aumento dramático” que se deve, sobretudo, ao aumento de casos de excesso de peso e de obesidade, anunciou a Organização Mundial de Saúde (OMS), a propósito da observância do Dia Mundial da Saúde, a 7 de abril.

Para assinalar o Dia Mundial da Saúde (que celebra a fundação da OMS, em 1948), a agência emite um apelo à ação para travar o aumento desta doença. No primeiro relatório global sobre os diabetes, a OMS sublinha a necessidade de avançar com a prevenção e o tratamento da doença.

Entre as medidas necessárias para combater a doença estão a promoção de comportamentos para reduzir os fatores de risco da diabetes, tais como atividade física regular e dieta saudável. É, também, necessário, fortalecer as capacidades nacionais para ajudar as pessoas com diabetes a receberem o tratamento e o cuidado que precisam para gerir as suas condições.

“Se quisermos fazer qualquer avanço para travar o aumento da diabetes, precisamos de repensar as nossas vidas quotidianas: comer de forma saudável, ser fisicamente ativo e evitar ganhar peso excessivo”, disse Margaret Chan, diretora-geral da OMS. A responsável acrescenta que, mesmo nos contextos mais pobres, os governos devem assegurar que as pessoas têm a possibilidade de fazer escolhas saudáveis e que os sistemas de saúde são capazes de diagnosticar e tratar as pessoas com diabetes.

A OMS nota que a diabetes é uma doença crónica, progressiva e não transmissível, caraterizada pelos elevados níveis de glicose (açúcar) no sangue. A condição ocorre mais quando o pâncreas não produz uma quantidade suficiente da hormona da insulina (que regula o açúcar no sangue) ou quando o corpo não pode, efetivamente, usar a insulina que produz.

 

Principais conclusões do relatório global da OMS sobre os diabetes

1. O número de pessoas a viver com diabetes e a sua prevalência estão a crescer em todas as regiões do mundo. Em 2014, 422 milhões de adultos (ou 8,5 por cento da população) tinha diabetes, comparado com os 108 milhões (4,7 por cento), em 1980.

2. A epidemia da diabetes tem especialmente maiores impactos, ao nível da saúde e socioeconómicos, em países em desenvolvimento.

3. Em 2014, mais de um em cada três adultos (mais de 18 anos de idade), tinham excesso de peso e mais de um em cada dez eram obesos.

4. As complicações ligadas à diabetes incluem ataque cardíaco, acidente vascular cerebrais, cegueira, insuficiência renal e amputação de membros inferiores. Por exemplo, as taxas de amputação dos membros inferiores são 10 a 20 vezes maiores para as pessoas com diabetes.

5. A diabetes provocou 1,5 milhões de mortes, em 2012. O excesso de glicose no sangue causou 2,2 milhões de mortes adicionais por aumentar os riscos de doenças cardiovasculares e outras.

 

Compromissos globais para reduzir a diabetes

"Muitos casos de diabetes podem ser prevenidos e existem medidas para detetar e controlar esta condição, melhorando as oportunidades das pessoas com diabetes para viverem vidas longas e saudáveis”, diz Oleg Chestnov, diretor-geral assistente da OMS. “Mas uma grande mudança está dependente de uma maior ação dos governos, incluindo através da implementação de compromissos globais para responder à diabetes e outras doenças não transmissíveis”, acrescentou.

FOTO: OMS/P. Brown

Estes compromissos incluem alcançar a meta 3.4 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a qual apela à redução até 30 por cento das mortes prematuras por doenças não transmissíveis, incluindo a diabetes, até 2030.

Os governos têm, também, de se comprometer a alcançar quatro compromissos nacionais com prazo estipulado no “Documento Final sobre as Doenças não Transmissíveis” da Assembleia-Geral da ONU, de 2014, e atingir as nove metas globais definidas no “Plano de Ação Global para a Prevenção e o controlo de Dões Não Transmissíveis (DNT)” da OMS, o qual inclui travar o aumento da diabetes e da obesidade.

“Cerca de 100 anos depois da hormona da insulina ter sido descoberta, o “Relatório Global sobre a Diabetes” mostra que os medicamentos e tecnologias essenciais para tratar a diabetes, incluindo insulina, estão, geralmente, disponíveis em apenas um em cada três dos países mais pobres do mundo”, revelou Etienne Krug, diretor do Departamento da OMS para a Gestão das DNT, Deficiência e Prevenção de Lesão.

“O acesso à insulina é uma questão de vida ou de morte para muitas pessoas com diabetes. Melhorar o acesso à insulina e aos medicamentos para as DNT, em geral, deve ser uma prioridade”, concluiu.

7 de abril de 2016, Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC

Mensagem do Secretário-geral da ONU para o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio no Ruanda, 7 de abril de 2016

FOTO: ONU/Esther HavensEm 1994, mais de 800 mil pessoas foram sistematicamente assassinadas, por todo o Ruanda. A grande maioria eram Tutsi, mas também foram alvos os Hutu moderados, os Twas e pessoas de outras etnias. Neste dia, recordamos todos os que pereceram no genocídio e renovamos a nossa resolução para prevenir que tais atrocidades alguma vez se repitam em qualquer parte do mundo.

Devemos todos inspirar-nos na coragem dos sobreviventes ao demostrarem que a reconciliação é possível, mesmo depois de uma tragédia de tal gravidade.  Com a região de Grandes Lagos ainda a enfrentar sérias ameaças à paz e segurança, a conciliação e a reconstrução continuam a ser essenciais.

Honrar a memória das vítimas do genocídio no Ruanda também significa trabalhar pela justiça e pela prestação de contas. Saúdo os Estados-membros das Nações Unidas dessa região e outros países por darem continuidade aos esforços para prender e entregar os restantes fugitivos e pôr fim à impunidade. A melhor forma de assegurar que o genocídio e outras graves violações dos direitos humanos e do Direito Internacional não voltam a acontecer é através do reconhecimento da partilha de responsabilidade e de compromisso em agir para proteger aqueles que estão em risco.

O genocídio não é um evento único. É um processo que leva tempo e requer preparação. A história demonstrou, repetidamente, que nenhuma parte do mundo está imune. Um dos principais sinais de alerta é a alastração dos discursos de ódio, no espaço público e nos meios de comunicação social, que têm por alvo comunidades específicas.

O tema de observância deste ano é “Combater a Ideologia do Genocídio”. É essencial que os governos, o poder judiciário e a sociedade civil permaneçam firmes contra os discursos de ódio e aqueles que incentivam a divisão e a violência. Devemos promover a inclusão, o diálogo e o Estado de Direito para criar sociedades justas e pacíficas.

A história do Ruanda ensina-nos uma lição essencial. Embora a capacidade para o mal mais negro resida em todas as sociedades, o mesmo sucede no que se refere a qualidades tais como a compreensão, a generosidade e a reconciliação. Vamos cultivar essas valores da nossa humanidade comum para ajudar a construir uma vida de dignidade e segurança para todos. 

RUANDA

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O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), sedeado em Bruxelas, presta informação sobre as actividades da ONU nos países da região, incluindo Portugal. Põe à disposição do público os principais relatórios da ONU, documentos, publicações, fichas informativas, comunicados de imprensa e notícias, em várias línguas, nomeadamente o português.