Segunda, 22 Dezembro 2014
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Estudo fundamental sobre violência doméstica Relatório da OMS realça amplitude do fenómeno e seus graves efeitos na saúde

O primeiro estudo jamais realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a violência doméstica revela que a forma mais frequente de actos de violência de que as mulheres são vítimas é a causada pelos seus parceiros e que estas agressões são muito mais frequentes do que as agressões ou violações cometidas por um conhecido ou por um desconhecido. O estudo revela os enormes efeitos que os actos de violência física e sexual cometidos pelo cônjuge ou pelo parceiro têm sobre a saúde e bem-estar das mulheres no mundo inteiro e sublinha que a violência cometida pelo parceiro continua a ser um fenómeno ainda amplamente ocultado.


Como disse o Director-Geral da OMS, o Dr. LEE Jong-wook, por ocasião da divulgação do estudo em Genebra, “parece que as mulheres estão mais expostas ao risco de violência em casa do que na rua, o que tem graves repercussões na sua saúde. O estudo também mostra até que ponto é importante dar destaque ao problema da violência doméstica a nível mundial e de o encarar como uma questão primordial de saúde pública”.


O estudo baseia-se em entrevistas realizadas a mais de 24 000 mulheres dos meios rural e urbano em mais de 10 países: Bangladeche, Brasil, Etiópia, Japão, Namíbia, Peru, República Unida da Tanzânia, Samoa, Sérvia e Montenegro e Tailândia. O estudo Women's Health and Domestic Violence Against Women (A Saúde das Mulheres e a Violência Doméstica contra as Mulheres) formula recomendações dirigidas aos responsáveis políticos e ao sector da saúde pública e lança um apelo a favor da tomada de medidas para que sejam considerados os custos humanos e para a saúde, e nomeadamente para que os programas de prevenção da violência sejam integrados numa série de programas sociais.


O estudo constata que, entre as mulheres que foram agredidas fisicamente pelo seu parceiro, a proporção das que acham que as agressões recebidas são a causa directa de traumatismos físicos se situa entre um quarto e metade. Estas mulheres estavam também duas vezes mais expostas do que as outras a problemas de saúde e a problemas físicos e mentais, ainda que os actos tivessem sido cometidos muito anos antes. Algumas delas pensavam no suicídio ou faziam uma tentativa de suicídio, outras sentiam sofrimento psíquico ou sintomas físicos. O estudo foi empreendido com a colaboração da London School of Hygiene and Tropical Medicine, a PATH, instituições de investigação e associações nacionais de mulheres nos países participantes.


Como disse a Dra. Charlotte Watts da London School of Hygiene and Tropical Medicine, “é impressionante comprovar até que ponto os efeitos da violência doméstica na saúde, apontados no estudo da OMS, são os mesmos nos diferentes lugares de um mesmo país e também nos diferentes países. A violência infligida pelo parceiro parece ter efeitos comparáveis na saúde e bem-estar das vítimas independentemente do lugar, da prevalência do fenómeno ou do contexto cultural ou económico”.


Sabemos que a violência doméstica afecta a saúde sexual e reprodutiva da mulher e pode contribuir para o aumento do risco de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o VIH. Do estudo conclui-se que as mulheres vítimas de actos de violência, nomeadamente de carácter sexual, revelam com mais frequência do que as outras que o seu companheiro tem múltiplas parceiras sexuais e se recusa a utilizar de um preservativo. A probabilidade de ter tido pelo menos um aborto provocado ou espontâneo é igualmente mais elevada entre as mulheres vítimas de violência física ou sexual.


Embora a gravidez seja, com frequência, considerada como um período durante o qual as mulheres devem ser mais protegidas, na maior parte dos lugares abrangidos pelo estudo, 4 a 12% das mulheres que estiveram grávidas declararam ter sido alvo de violência. Em 90 % dos casos, o autor dos actos de violência é o pai da criança; 25 a 50% destas mulheres afirmaram ter recebido murros ou pontapés no abdómen.


Para os responsáveis políticos, o principal desafio é o carácter oculto destes actos de violência. Pelo menos 20% das mulheres que disseram ter sido alvo de violência física no estudo nunca tinham falado disso antes de serem entrevistadas. Apesar das consequências para a sua saúde, poucas mulheres afirmaram terem recorrido a um serviço oficial – serviço de saúde ou polícia – ou a pessoas com responsabilidades, tendo preferido recorrer a amigos, vizinhos ou familiares. As mulheres que recorreram a um serviço oficial foram geralmente as que sofreram os actos mais graves.


Como declarou o Dr. Churnrurtai Kanchanachitra, da Universidade de Mahidol, membro da equipa encarregada do estudo na Tailândia, “este primeiro estudo realizado na Tailândia permitiu que compreendêssemos melhor a amplitude do fenómeno entre as mulheres do nosso país. Os resultados ajudaram-nos a elaborar um plano nacional para a eliminação da violência contra as mulheres e as crianças”.


O relatório recomenda uma série de intervenções essenciais para modificar as atitudes e contestar as desigualdades e as normas sociais que perpetuam o problema. Recomenda também a integração dos programas de prevenção da violência nas iniciativas actuais destinadas às crianças e aos jovens e relativas ao VIH ou à saúde sexual e reprodutiva. Os prestadores de cuidados de saúde devem receber formação para aprenderem a reconhecer as mulheres que são vítimas de violência e a reagir de uma forma adequada. Os cuidados pré-natais, o planeamento familiar ou os cuidados pós-aborto oferecem a possibilidade de encaminhar as vítimas para outros serviços, onde podem receber cuidados e apoio. As escolas devem ser lugares seguros, os sistemas de apoio destinados às vítimas devem ser reforçados e é preciso criar programas de prevenção. É indispensável uma maior sensibilização do grande público para o problema.


Para a coordenadora do estudo, Dra. Cláudia Garcia Moreno da OMS, “a violência doméstica pode ser evitada e há que mobilizar os governos e as comunidades para que lutem contra este problema de saúde pública tão comum. A OMS vai continuar o seu trabalho de sensibilização para o problema da violência e para o papel importante que a saúde pública pode ter, no que se refere a atacar as causas e as consequências do fenómeno. A nível mundial, temos de evitar a prática de actos de violência e, quando estes forem cometidos, há que dar a ajuda e o apoio necessários às mulheres que deles são vítimas”.


A Campanha Mundial de Prevenção da Violência da OMS ajuda os governos a elaborarem programas completos de prevenção da violência para fazer face ao problema da violência doméstica assim como aos outros tipos de violência.



Para mais informações, contactar Samantha Bolton, Departamento Género e Saúde da Mulher, OMS/Genebra (tel: +41 79 239 2366) ou Melissa Rendler-Garcia, Departamento Género e Saúde da Mulher, OMS/Genebra (tel: +41 22 791 5543; email: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ).



(Fonte: Comunicado de imprensa WHO/62, divulgado pela OMS a 24 de Novembro de 2005)


 


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