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No Fórum de Davos, Ban pede a ajuda de empresas para combater a desigualdade de género, as alterações climáticas e a fome

24-01-2014

No turbilhão de acontecimentos, no Fórum Económico Mundial, em Davos, o Secretário-geralBan Ki-moon, destacou a necessidade de os governos, empresas e sociedade civil cooperarem para o desenvolvmento da desigualdade de género e aproveitar o empoderamento das mulheres para alcançar as metas de desenvolvimento, combater as mudanças climáticas ou eliminar a fome.

Apelou aos participantes no Fórum anual nos Alpes suíços esperando algum retorno para ajudar os mais de meio milhão de adolescentes dos países em desenvolvimento, atualmente retidos pela pobreza, discriminação e violência, a fim de alcançar uma série de metas de desenvolvimento fundamental.

"Os investidores tendem a avaliar as oportunidades com base no seu potencial de retorno", disse a um grupo de pessoas do setor privado, universidades, governos e sociedade civil que tem como missão alcançar os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, das Nações Unidas para o combate à pobreza (ODM).

"As Nações Unidas dá às meninas a ‘Classificação ouro’" Quando alguém investe no seu futuro, terá resultados garantidos que se multiplicam por toda a sociedade - sobre a saúde, a educação, a paz e o bem-estar das gerações futuras", disse, destacando os retornos sobre "o empoderamento feminino".

Num almoço à margem do Forúm, dirigiu-se ao grupo de ajuda dos ODM destacando que investir nas raparigas foi vital no "impulso final para o sucesso".

Os ODM, adotados pela Cimeira do Milénio das Nações Unidas, em 2000, pretendem reduzir a fome e a pobreza extrema, aumentar o acesso à saúde e educação, igualdade de género e estabilidade ambiental, reduzir a mortalidade materno-infantil e da incidência de VIH/SIDA, todos até ao final de 2015.

"Estamos numa corrida contra o tempo. Restam apenas 700 dias para o prazo dos ODM", alertou Ban Ki-moon. “entendem que quando damos a uma menina uma saúde melhor, educação e bem-estar, vemos resultados muito além daquele ser humano. A menina é tão valiosa para o nosso mundo como uma árvore é numa floresta. Quando uma árvore cresce bem e forte, todo o ambiente beneficia com isso. Quando uma menina cresce bem e forte a sua família, a sua comunidade e até mesmo o seu país pode sentir os efeitos positivos".

Afirmou que a cada ano que uma menina permanece na escola primária pode aumentar os seus eventuais salários até 20 por cento e as mulheres e meninas reinvestem a maior parte do seu rendimento - 90 por cento - nas suas famílias. Quando a educação feminina sobe, o mesmo acontece com o crescimento económico.

"Hoje peço-lhe para manter as meninas no centro de todas as suas estratégias”, declarou, salientando que se trata mais de uma questão filantrópica. "Este é um desafio para fazer melhores negócios. É uma oportunidade de mudar as instituições para que reflitam sobre atitudes mais esclarecidas sobre raparigas e incluam estratégias para melhorar as suas vidas ...

"Quando apoiamos meninas, recompensamos a sociedade com enormes contribuições em criatividade, compaixão e - sim – poder feminino".

Ban Ki-moon criou o Grupo em 2010 para ajudá-lo a construir a vontade política e mobilizar a ação global para alcançar os ODM. Hoje é co-presidido pelo presidente de Ruanda, Paul Kagame e o primeiro-ministro norueguês Erna Solberg. Em conferência de imprensa, destacou as mudanças climáticas como um outro problema em que governos, empresas e sociedade civil devem cooperar para garantir que na Cimeira de 2015, em Paris cheguem a uma decisão global sobre um novo acordo para limitar gases de efeito estufa e outros fatores que provocam aquecimento, inundações, secas e tempestades violentas que agora ocorrem com mais freqüência. O objetivo é limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus centígrados.

"Eu peço aos governo, negócios, finanças, e líderes da sociedade civil para trazerem propostas ousadas, pois alcançar um acordo climático ambicioso exigirá liderança política e sinais claros", disse, referindo-se a uma reunião de preparação que está convocada para a sede da ONU, em Nova York, em setembro.

"Isso não vai ser uma reunião de conversa, mas sim uma reunião de ação, que vai gerar muito estímulo na área de energia sustentável e mobilizar financiamento para o clima, e também promover o desenvolvimento urbano resiliente, cidades e transporte", disse nas palestras seguintes com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso , e o presidente do Banco Mundial Kim Yong Kim.

Elogiou Barroso pelos 28 membros da União Europeia terem anunciado recentemente a meta de cortar as emissões de carbono em 40 por cento e a produzir pelo menos 27 por cento da energia através de fontes renováveis ​, até 2030.

"A União Europeia estabeleceu um padrão que todos precisam de seguir ", disse. "Estamos agora numa fase crítica do acordo global sobre as mudanças climáticas."

No jantar da ONU do Programa Alimentar Mundial (PAM), Ban Ki-moon sublinhou novamente a necessidade de cooperação público-privada na concretização do objectivo Fome Zero.

"Podemos perguntar-nos se isso é muito ambicioso, mas eu já vi progressos com os meus próprios olhos, no meu país, na minha própria vida", disse, lembrando também que o número de pessoas que passam fome na China caiu 114 milhões desde 1990, 10 milhões de brasileiros já não passam fome, e mais de 30 outros países já cumpriram ou ultrapassaram o ODM de reduzir para metade a proporção das suas populações que passam fome .

"Este sucesso foi alcançado através da vontade política, numa acção concertada e do envolvimento do setor privado. Cada país escolheu o seu próprio caminho, colocando a luta contra a fome como uma prioridade politica. Tem sido um esforço conjunto - envolvendo governos, agricultores, sociedade civil, academia e setor privado. Desde os pequenos agricultores que comercializam os seus excedentes no mercado da vila aos milhoes de dólares das corporações multinacionais, o negócio tem desempenhado um papel vital. Isto é necessário agora mais do que nunca."

Ban Ki-moon envolveu os temas num jantar do Pacto Global da ONU (UN Global Compact), a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, com a participação de 8.000 empresas e 4.000 organizações da sociedade civil, de 145 países, procurando vincular o envolvimento das empresas com as prioridades globais, incluindo a pobreza e erradicação da doença, mitigação das mudanças climáticas, o empoderamento das mulheres, crianças e os direitos trabalhistas e combate à corrupção.

Voltou a sublinhar o imperativo dos negócios participando dos esforços para combater as mudanças climáticas, alcançar os ODM e definir uma agenda de desenvolvimento pós- 2015 para a erradicação da extrema pobreza e proteger os recursos do planeta.

"Estão vidas em risco, empresas, pequenas e grandes; economias, a segurança das nações", disse sobre as mudanças climáticas. "As evidências estão à nossa volta. Precisamos de agir. Agora. Todos juntos".

"Se ainda não aderiram ao Pacto Global, encorajo-vos a fazê-lo", acrescentou. "Hoje, apelo a cada um de vocês a tornarem-se defensores da ação climática, da agenda pós- 2015 e do desenvolvimento sustentável."

24 de janeiro – Centro de notícias da ONU| traduzido e editado por UNRIC

A semana em imagens

A emergência humanitária e de segurança no Sudão do Sul; a continuidade das atrocidades na Síria e as ações da ONU; a entrevista com a chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, que está deixando o cargo; o perigo representado pelos novos “cigarros eletrônicos”; e a discussão global, em Samoa, sobre desenvolvimento sustentável nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento – estes são os destaques do resumo semanal da ONU em imagens. Legendado pela ONU Brasil.

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