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A Água é um fator chave no desenvolvimento sustentável, disse Ban Ki-moon à Cimeira de Budapeste

Na abertura da Cimeira sobre a àgua a decorer em Budapeste na Hungria entre 8 e 11 de outubro, o Secretário-Geral Ban Ki-moon salientou o papel vital da água no desenvolvimento sustentável,  sublinhando em particular a sua importância para com a segurança alimentar, alterações climáticas e saneamento.

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 “A água é um fator chave para o desenvolvimento sustentável. Precisamos dela para a saúde, segurança alimentar e progresso económico”, afirmou Ban Ki-moon no seu discurso de abertura na Cimeira da Água de Budapeste. “Mesmo assim cada ano traz novos desafios”.

Ele observou que em 2030, metade da população mundial poderá enfrentar escassez de água e que a procura pode exceder a oferta por 40%. “Temos de abordar o uso insustentável… Temos de utilizar o que temos de uma maneira mais equilibrada e moderada. Não podemos esperar que os governos o façam sozinhos. Garantir a segurança da água vai requerer o envolvimento de todos os atores, não apenas o mundo dos negócios”, sublinhou-

O Secretário-Geral referiu que a agricultura é sem dúvida o maior consumidor de água doce, e há uma urgência crescente de reconciliar as suas exigências com as necessidades domésticas e industriais, especialmente na produção de energia.

“Pequenos agricultores e gigantes industriais também, têm de rentabilizar o uso da água por colheitas”. Isto traduz-se em melhores tecnologias de sistemas de irrigação e colheitas menos dependentes de água e mais adaptáveis ao clima.

As alterações climáticas, colocam o risco da redução do abastecimento de água em todo o mundo.

“Temos de nos certificar que a água permanece uma catalisador para a cooperação e não para o conflito entre comunidades e países”, afirmou Ban Ki-moon..

A ONU está preparada para prestar assistência nesta área, adicionou, notando que a Parceria das Águas Partilhadas do  Programa de Desenvolvimento da ONU (PNUD)  está a apoiar um acordo político referente a recursos comuns, tal como a bacia do rio Nilo.

Ele relembrou que no mês passado, o Painel Intergovernamental Sobre as Alterações Climáticas (IPCC) registou que as alterações climáticas estão a afetar o ciclo mundial da água, observando que “ eventos extremos de precipitação” têm  uma probabilidade grande  de se tornarem cada vez mais intensos e mais frequentes até ao final deste século, enquanto as temperaturas globais aumentam.

“Em termos comuns, isto significa mais cheias”, afirmou o Secretário Geral. “Também teremos mais secas.

Por isso é que temos de fazer tudo o que está no nosso alcance para manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 graus célsius acima dos níveis pré-industriais. Para fazer isso, temos de finalizar um acordo legal robusto sobre as alterações climáticas em 2015”.

Ele acrescentou que a água e saneamento são partes importantes dos objetivos de combate à pobreza, conhecidos como Objetivos de Desenvolvmento do Milénio (ODMs), cujo prazo termina em 2015. Enquanto que o objetivo de providenciar um melhor acesso a recursos hídricos foi alcançado, 780 milhões de pessoas não têm essa necessidade básica.

 “Cerca de 80% da água mundial desperdiçada por aglomerados humanos ou complexos industriais é despejada sem tratamento. A qualidade da água em partes da maioria dos sistemas de água doce continua a falhar os requerimentos básicos recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Perto de 1/3 das pessoas bebem água que coloca a saúde em risco. Ainda mais pessoas não possuem acesso a sistemas de saneamento adequados”.

“Cerca de 2.5 bilhões de pessoas não possuem a dignidade e saúde oferecida pelo acesso a uma casa de banho decente e com condições e proteção do lixo não tratado. Um bilião de pessoas defecam ao ar livre. A diarreia é a segunda maior causadora de mortes em crianças com idades inferiores aos 5 anos, apenas a seguir a pneumonia…”

 “É seguro que um investimento no saneamento é um pré-pagamento para um futuro sustentável”, afirmou Ban Ki-moon. “Os Economistas estimam que todos os dólares gastos tragam um retorno de 5 vezes o seu valor”.

O Secretário Geral afirmou que a água e saneamento são obviamente centrais para os eforços no alcance dos ODM e devem ser incluídos na agenda de desenvolvimento do pós 2015. “Para além de 2015, o nosso objetivo é erradicar a pobreza extrema e a fome, criando um mundo igualitário de oportunidades para todos.

“As nossas sociedades não podem ser prósperas sem água potável em abudância. As pessoas não o podem fazer sem o saneamento adequado”.

Falando numa conferência de imprensa conhjunta com o Presidente Hungáro János Áder, Ban Ki-moon afirmou que estava impressionado com o comparecimento de vários líderes de todo o mundo para a cimeira. “ Cada vez mais países reconhecem que á agua deve ser uma causa comum- não de conflito nem de inquietação”.

Ele também sublinhou a importância do papel internacional da Hungria neste esforço, observando que é um líder no Grupo da ONU dos Amigos da Água, em que é promovido um entender mais alargado e cooperação nas temáticas da água.

 “Eu também conto com a liderança da Hungria noutros desafios a longo prazo. Pobreza, degradação ambiental e alterações climáticas vão decidir o destino da humanidade no futuro. Por isso é que a nossa campanha pelo desenvolvimento sustentável é tão importante”.

Além de um almoço de trabalho com János Áder, o Secretário Geral também se encontrou separadamente com o Primeiro Ministro húngaro  Viktor Orbán, O Princípe El Hassan Bin Talal da Jordânia, o Presidente do Conselho Consultivo das Nações Unidas sobre Água e Saneamento; e Lamberto Zannier, Secretário Geral da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Ban Ki-moon também participou numa aula na Universidade Budapesti Corvinu, onde recebeu um doutoramento honoris causa em nome da ONU. Ele disse aos estudantes e aos docentes que têm de fazer duas coisas.

“Em primeiro, não poupem esforços para alcançar os ODMs no prazo de 2015. Em segundo, definam um novo esquema de objetivos para os novos deasfios que o nosso mundo enfrenta. Agora mais que nunca, o desenvolvimento sustentável – integrar o desenvolvimento económico, inclusão social e sustentabilidade ambiental – devem ser os nosso princípios orientadores mundiais.”

8 de outubro de 2013, Nova Iorque, Centro de Notícias da ONU| Traduzido por UNRIC

A semana em imagens

A emergência humanitária e de segurança no Sudão do Sul; a continuidade das atrocidades na Síria e as ações da ONU; a entrevista com a chefe de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, que está deixando o cargo; o perigo representado pelos novos “cigarros eletrônicos”; e a discussão global, em Samoa, sobre desenvolvimento sustentável nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento – estes são os destaques do resumo semanal da ONU em imagens. Legendado pela ONU Brasil.

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