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São necessários mais professores, melhor formados e apoiados, para atingir metas de educação, alertam as Nações Unidas

10-05-unesco-teachers-dayExiste uma enorme carência de professores bem formados e apoiados, alertaram representantes das Nações Unidas ao assinalar o Dia Mundial dos Professores no passado domingo dia 6 de outubro, com um apelo pelo recrutamento de milhões de profissionais, particularmente nos Estados africanos e árabes, onde a escassez de docentes é ainda mais sentida.

Cerca de 5,2 milhões de professores terão de ser contratados em todo o mundo de modo a que seja possível alcançar até 2015 o Objetivo do Desenvolvimento do Milénio (ODM) relativo à educação primária universal, avança a UNESCO, num estudo preparado no âmbito deste Dia Internacional.

“O desafio vai para além dos números – mais professores deve significar uma melhor qualidade de ensino, através da devida formação e apoio”, afirmaram os chefes de quatro principais agências das Nações Unidas e de uma organização parceira numa mensagem conjunta no Dia Mundial dos Professores.

“Muito frequentemente, os professores são pouco qualificados e mal remunerados, com um baixo estatuto social, e excluídos da política educativa e das decisões que os preocupam e afectam”, acrescentaram os responsáveis, apelando por uma ação internacional eficaz que apoie os esforços nacionais para reforçar os professores e as instituições educativas, e a melhorar as oportunidades educativas.

A mensagem conjunta foi remetida pela Diretora Geral da UNESCO, Irina Bokova, por Guy Ryder, Diretor Geral da Organização Internacional do Trabalho; por Helen Clark, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento; por Anthony Lake, Diretor Executivo da UNICEF e por Fred van Leeuwen, o Secretário Geral da Educação Internacional, que representa as organizações de professores em todo o mundo.

57 milhões de crianças, cuja idade se situa ao nível da escolaridade primária, encontram-se ausentes das salas de aula, de acordo com dados das Nações Unidas. Mantendo-se a taxa atual, aproximadamente metade dessas crianças nunca vão ingressar na escola, e mais de um quarto vai começar a escola tardiamente.

Muitas dessas crianças que entram na escola não podem aprender a ler e a escrever até à altura em que atingem a quarta classe, observaram.

“Aprender não é possível sem professores profissionais, solidamente formados e apoiados, responsável e valorizados”, apontaram, ainda, ao destacar que o tema do Dia Mundial dos Professores deste ano é “Uma chamada para os Professores”.  

De acordo com um estudo da UNESCO, cerca de 58 por cento dos países não têm, de momento, professores em número suficiente nas salas de aula para atingir a educação primária universal, com os problemas específicos da África Sub-Sahariana e dos Estados Árabes nos quais, até 2030, faltam cerca de 4,7 milhões de professores e 1,9 milhões, respectivamente.

Este desafio de recrutamento foi o enfoque de dois eventos paralelos que decorreram nos escritórios das Nações Unidas, um em Paris e outro em Nova Iorque, e que trouxeram representantes das Nações Unidas, organizações profissionais, especialistas e investigadores para lançar o “Ano Global da Acção” pela qualidade da educação.

Ao abordar os participantes no evento acolhido pela UNICEF, em Nova Iorque, e organizado pela EI, o Enviado Especial para a Educação Global, Gordon Brown, alertou que “a não ser que consigamos contratar mais professores, vamos ter gerações de pessoas que estão desempregados e inúteis para o mercado de trabalho”.

Enquanto o Enviado Especial das Nações Unidas, Gordon Brown tem estado a trabalhar com parceiros para galvanizar o apoio para a Iniciativa Global Educação em Primeiro Lugar, que o Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon lançou em setembro, com o objetivo de colocar todas as crianças na escola, melhorando a qualidade da aprendizagem, e promovendo a cidadania global. A Iniciativa foi acolhida pela UNESCO.

Brown disse que duas grandes mudanças foram registadas no período passado de um a dois anos e que levou a que fosse imperativo que a comunidade internacional trabalhasse colectivamente para se focar na educação – países estão a aperceber-se que não serão bem sucedidos caso não invistam na educação, e jovens, rapazes e raparigas, estão a levantar-se para exigir educação.

“Educação não é a única forma de desbloquear a oportunidade individual. Não é a única forma de quebrar o ciclo da pobreza, mas é o único meio através do qual os países podem tornar-se mais prósperao”, disse Brown, ao apelar para a mobilização do setor privado, grupos religiosos, sociedade civil, jovens, entre outros, para pressionar os governos a darem mais prioridade à educação.

Os participantes ouviram também de Vibeke Jenses, a Diretora da Iniciativa Global Educação em Primeiro Lugar, que falou em nome da UNESCO, e abordou a importância da educação na agenda de desenvolvimento pós-2015 que foi enfatizada no debate de alto-nível da Assembleia Geral.

O Relator Especial sobre o Direito à Educação, Kishore Singh, é esperado, “em breve”, para uma palestra na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre educação e a agenda pós-2015, disse nas suas conclusões em Nova Iorque.

No seu discurso, Singh abordou a importância da educação para a cidadania global, observando que é “um direito fundamental de todos os rapazes e raparigas como titulares desse direito”.

Na lista de oradores, constaram ainda Susan Hopgood, a Presidente da EI, que enquanto abordou a audiência a destacar que estava a dar voz a um coletivo forte de 30 milhões de educadores. Observou que a qualidade da educação é baseada na qualidade do ensino e das ferramentas para ensinar e aprender, assim como na qualidade dos ambientes de aprendizagem e de ensino. Com esse propósito, a tecnologia não constitui uma ameaça para a educação futura, mas um meio no qual o ensino pode ser melhorado, disse.

Hopgood anunciou na semana passada um acordo com as Nações Unidas e outros parceiros, de modo a usar a tecnologia para ajudar a formação de professores e os currículos escolares. O anúncio foi feito num encontro entre Brown e Ban Ki-moon, à margem do debate de alto-nível da Assembleia-Geral.

Também Josephine Bourne, Diretor Associado da Educação na UNICEF, partilhou o apoio da agência das Nações Unidas relativamente ao novo acordo sobre tecnologia.

No inicio deste sábado, Bokova e van Leeuwen acolheram um evento paralelo na sede da UNESCO, em Paris. O embaixador da Boa Vontade, a Princesa Firyal da Jordânia, e o Assistente do Director-Geral para a Educação, Qian Tian, estiveram entre os participantes.

O Dia Mundial dos Professores, celebrado anualmente desde 1994, assinala o aniversário da assinatura da Recomendação da UNESCO e da Organização Internacional do Trabalho relativamente ao Estatuto dos Professores, que serve essencialmente como carta de direitos dos professores. O Dia marca também o papel essencial dos professores na garantia da qualidade educativa em todos os níveis de escolaridade.

5 de outubro de 2013, Centro de Notícias da ONU | Traduzido e editado por UNRIC 


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