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A 23 de agosto recordamos o tráfico de escravos e celebramos a sua abolição

unesco slavery UN News Centre Mark Garten23 de Agosto é Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição, 23 de Agosto de 2013. Este dia foi adoptado pelo Conselho Executivo da UNESCO na sua 29ª sessão através da Resolução 29 C/40 e é celebrado desde 1998.

Na noite de 22 para 23 de agosto de 1791, teve lugar em Santo Domingo (actualmente Haiti e República Dominicana) uma sublevação que acabou por desencadear a revolução haitiana e que desempenhou um papel crucial na abolição do comércio transatlântico de escravos.

O Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição pretende inscrever a tragédia do tráfico de escravos na memória colectiva de todos os povos. De acordo com os objectivos do projecto intercultural “A Rota do Escravo”, este dia pretende ser uma oportunidade para a consideração colectiva das causas históricas. Métodos e consequências desta tragédia, e para uma análise das interacções que originou entre África, Europa, América e Caraíbas.

O Dia Internacional de Lembrança do Tráfico de Escravos e sua Abolição começou por ser celebrado num conjunto de países, em especial no Haiti (23 de agosto 1998) e no Senegal (23 de agosto 1999), onde foram organizados eventos culturais e debates. Em 2001 o Museu Têxtil Mulhouse, em França, juntou-se à celebração, com um workshop sobre um tipo tecido que servia como moeda de troca por escravos nos séculos dezassete e dezoito.

Neste dia, a Directora-Geral da UNESCO convida os Ministros da Cultura de todos os Estados Membros a organizar eventos envolvendo toda a população, e em especial os jovens, educadores, artistas e intelectuais.

Marcando o aniversário da primeira sublevação de escravos bem sucedida no hemisfério ocidental, a chefe da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) afirmou hoje que contar a história do comércio de escravos é um aspecto crucial para prestar homenagem aos que lutaram pela liberdade e de “honrar o seu contributo para a afirmação dos direitos humanos”.

“Devemos ensinar os nomes dos heróis desta história, porque eles são os heróis de toda a humanidade”, afirmou a Directora-Geral da UNESCO, Irina Bokova, na sua mensagem oficial para este dia.

“O significado e implicações desta história deveriam ser conhecidos por todos e ensinados nas escolas e for a delas, através dos media e no espaço público”, afirmou Bokova.

“Estudar esta história é também prestar homenagem aos que lutaram pela liberdade e reconhecer as suas contribuições insubstituíveis para a afirmação dos direitos humanos universais. O seu exemplo deve ajudar-nos a continuar a luta pela liberdade, contra os preconceitos raciais herdados do passado e contra as novas formas de escravatura que persistem até hoje, afectando cerca de 21 milhões de pessoas”, acrescentou.

A UNESCO tem desempenhado um papel de liderança no sentido de promover a compreensão e reconhecimento do tráfico de escravos. Desde o estabelecimento do Projecto “A Rota do Escravo” em 1994, a agência tem trabalhado para dar a conhecer a dimensão e as consequências do tráfico e retratar a riqueza das tradições culturais – ao nível da arte, música, dança e cultura no sentido mais lato – que os povos africanos foram forjando num perante a adversidade.

O projecto consiste em criar oportunidades para promover o entendimento mútuo, a reconciliação internacional e estabilidade através de consultas e discussões. Pretende também sensibilizar, promover debates e ajudar a construir um consenso sobre as abordagens que devem ser adoptadas para lidar com a questão do tráfico de escravos e da escravatura.

Na sua mensagem, Irina Bokova sublinhou que a transmissão desta vitória é um pilar dos esforços da UNESCO para construir a paz, o diálogo intercultural e a compreensão mútua.

O projecto “A Rota do Escravo” é promovido pelo seu porta-voz e Artista UNESCO para a Paz, Marcus Miller, reconhecido músico de jazz, compositor e produtor, nomeado pela Directora-Geral no passado mês de Julho. “A história da escravatura mostra-nos que somos capazes de ultrapassar. Que o mundo pode mudar para melhor. E que podemos fazer mais do que apenas sobreviver – podemos elevar-nos!”, afirmou Marcus Miller na altura.

Os esforços do projecto irão contribuir para a Década das Pessoas de Ascendência Africana que se inicia este ano (2013-2022) e que pretende ajudar a aumentar os compromissos políticos a favor dessas pessoas.

No inicio deste ano, a ONU honrou a memória de cerca de 15 milhões de vitimas inocentes que sofreram ao longo de quarto séculos como resultado do tráfico transatlântico de escravos, destacando a situação de vários outros milhões que continuam a sofrer a brutalidade da escravatura moderna.

Cerca de 21 milhões de pessoas estão presas em trabalhos para os quais foram atraídas de forma enganosa ou que são coagidas a fazer sem os poderem abandonar, de acordo com as estatísticas de 2012 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Outros recursos:

Publicações da UNESCO sobre o tráfico de escravos, como parte do projecto “A Rota do Escravo”


 Dia em Memória das Vítimas do Genocídio do Ruanda

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